Posts Tagged ‘liberdade de expressão.

30
Set
08

A regulação dos blogs

E os bloggers do futuro?

E os bloggers do futuro?

Já falei aqui da discussão no Parlamento Europeu sobre o estatuto dos blogs, mas o Carlos José Teixeira e o Paulo Querido, que já andam nestas coisas há algum tempo, dão a sua opinião sobre o assunto em dois textos, um no Fractura.net, o outro no Expresso Online. Se a questão agora parece criar ruído na blogosfera, o que questiono é como uma regulamentação irá afectar os bloggers do futuro. Terão que criar um Blog-Na-Hora,num qualquer balcão institucional virtual?

A minha primeira impressão acerca do assunto tem já alguns anos e sustentava uma teoria de auto-regulação, isto é, algo que iria funcionar no ecossistema de forma a sustentar os blogues com melhor conteúdo, o que seria premiado pelas visitas e leituras, tornando-os cada vez mais influentes. Já estão a ver a que ponto ia a minha inocência.
Seguidamente, comecei a pensar que esta situação rapidamente levaria à cristalização da blogosfera em meia dúzia de espaços centrais e uma miríade de blogues satélite a lutar por um espaço ao sol na cacofonia da discussão e da endolinkagem. Já não me enganei assim tanto.
Neste momento, já não sei o que pensar acerca da forma de regulação da actividade, excepto que, como diz o Paulo, esta é necessária.

O problema da blogosfera é o de esta ser uma actividade social em quase todos os sentidos do termo. Composta na sua grande maioria por seres humanos, a blogosfera transmite incessantemente informação da mais variada espécie. Existe de tudo um pouco, desde o blogue das bundas gostosas ao da filosofia mais vanguardista, desde o humanista ao nazi.
Como sistema de divulgação das mais variadas vozes, amplifica e reproduz exponencialmente cada uma delas até ao infinito, ou pelo menos até onde as hiperligações a levarem.
(…)Também sabemos que os blogues não são todos iguais e que a forma de recompensa que estes obtêm se relaciona com os mais díspares algoritmos e com frequentes factores que nada têm a ver com a qualidade do conteúdo. Exemplos disso não faltam por aí.
Muito sinceramente, não gosto lá muito de me ver conotado com algum tipo de blogosfera que por aí circula.
A somar a isso há a aceitação de um blogue pela restante blogosfera. “Abençoá-lo”, por assim dizer. Fazer com que este deixe de ser um local obscuro e trazê-lo para a luz.
A blogosfera, sabê-mo-lo, é uma imensa casa de putas. E difícil.
Queiram-no ou não os bloggers, e a maioria afirma claramente, aos GRITOS, que não, a clarificação do seu estatuto é inevitável. Comes with the job. Vem com a responsabilidade crescente que os blogues, ou alguns deles pelo menos, ocupam na esfera comunicacional.
O cuidado da ERC em dialogar com a blogosfera é, numa primeira leitura, o próprio reconhecimento desse estatuto. Estatuto que aliás alguns autores buscam afanosamente, na ânsia de serem figuras interventivas, líderes de opinião e spinners merecedores de salário. Mas ao mesmo tempo parecem querer rejeitar os deveres de tais condições.
Ora, não há estatutos grátis.
Será o início da institucionalização dos blogs, depois da corporativização? Seja lá o que for que aconteça no futuro, a regra terá que ser sempre a manutenção da liberdade de expressão, independentemente dos pontos de vista defendidos por cada indivíduo. E todos conhecemos o caso americano e as suas hipocrisias, que deverá ser um exemplo a não seguir. O mercado das ideias funciona como qualquer mercado, sob a lei da oferta e da procura. Se o objectivo é regulamentar os produtos, bem, adeus queijo da serra amanteigado, que a ASAE dos blogs vem aí. Prefiro dez mil idiotas aos berros do uma pessoa inteligente amordaçada.
Mas não deverá ser caso para tanto, o meu maior receio é ver pessoas que não entendem um determinado assunto deliberarem sobre ele com valor de lei, assentes em preconceitos e na ignorância. A Internet é o grande espaço em que uma anarquia saudável é possível, e a credibilização dos seus personagens deverá acontecer entre os seus pares. Lembram-se da pornografia há 5 anos atrás? De conteúdo principal e de eleição online passou a mais um conteúdo, perdendo o lugar para as relações sociais. Se é isso que querem regulamentar agora, assim como a expressão individual, então, meus amigos, estamos no mau caminho.

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01
Set
08

Bloggers e a grande baleia branca dos direitos dos jornalistas | Bloggers and the great white whale of journalist’s rights

Rights under article 10 of the European convention on human rights, which protects free speech, are always asserted and journalists rely on the Contempt of Court Act 1981, which prevents an order for disclosure being made unless it is “necessary in the interest of justice or national security or for the prevention of disorder or crime”. But at this point in the discussion we hit a stumbling block. Who is a journalist in an era of mass self-publishing?

The answer matters because case law tends to talk in terms of freedom of the press and journalistic privilege rather than everyone’s privilege. “Protection of journalistic sources is one of the basic conditions for press freedom,” said the European court of human rights in the Goodwin case 12 years ago. “Without such protection, sources may be deterred from assisting the press in informing the public in matters of public interest. As a result the vital watchdog role of the press may be undermined.” While this holds true, the task of ensuring the free flow of information is no longer the sole preserve of journalists.

Siobhain Butterworth , Open door

Editorial 1 Setembro | September 1st 2008 – The Guardian

Deverão – ou poderão -os bloggers ter os mesmos direitos e responsabilidades que os jornalistas? Esta questão tem causado bastante discussão e é abordada no editorial de hoje do The Guardian.

A verdade é que os bloggers podem , ou não, ser  jornalistas, mas são por si só um canal de informação. As instituições começam a aperceber-se disso na sua promoção: a recente convenção democrata em Denver atribuiu um número recorde de credenciais a bloggers; empresas de tecnologia há muito que enviam produtos para serem testados e criticados em blogs especializados; convidam-se bloggers para festas para promover empresas.

E porquê? Porque têm por vezes um público que ultrapassa os meios tradicionais, não em números mas em especificidade. São os nichos que contam. Mas quando o trabalho que fazem é igual ao jornalístico, qual é a sua protecção e quais são os seus deveres?

Para se ser  considerado como jornalista, em muitas partes do mundo é preciso uma carteira profissional, atribuída por uma entidade independente (de preferência). Eu, pessoalmente, acho isto inútil em vários pontos, mas é para outro post que já ando a adiar há algum tempo.O titular desta certificação está sob várias restrições e liberdades que lhe permitem exercer a sua actividade dentro de um código de conduta.

Idealmente, pois basta abrir um jornal ou ver os noticiários e vemos que não é bem assim. Por incompetência, agenda pessoal, ou pressão empresarial ou corporativa, manda-se o código às urtigas, e ou se é irresponsável pela criação de conteúdos, ou, ainda mais assustador, pelo silêncio.

Os bloggers são tão independentes, isentos ou (ir)responsáveis como qualquer jornalista. Mas não estão isentos de ser responsabilizados quando os conteúdos que produzem afectam de forma grave a consciência colectiva e a vida de terceiros.

Mas aqui está a baleia branca- quem é que os protege quando é necessário? O mecanismo legal deveria ser geral e não privilegiando apenas uma classe, ou seja, qualquer um que crie conteúdos deveria estar abrangido por um conjunto de regras único. Até lá, quem escreve jornalisticamente num  blog, sujeita-se. Ao bom e ao mau.

Apesar de alguns privilégios e de existir uma margem de manobra que muitos inteligentemente usam – um jornal confirma e procura validação dos factos, enquanto muitos bloggers libertam informação sem grandes restrições ou confirmações oficiais- também muitas vezes ao difundirem factos verdadeiros são perseguidos, atacados, pressionados. Mas não despedidos.

Um blogger pode ser um jornalista, mas que não está sob a alçada de uma empresa de comunicação, nem sob a protecção de uma associação de classe. Mas têm menos direitos e responsabilidades? Não. Têm os mesmos direitos,responsabilidades, e acredito que por comparação, mais liberdades.

UPDATE- Tinha acabado de postar isto e o António Granado partilhou este post sobre ética jornalística que ajuda a perceber as dificuldades existentes. Foi um blog que começou tudo (assim como noutras situações.)

Should – or could – bloggers have the same rights as journalists? This argument has been going on forever and it is the subject of today’s editorial at The Guardian.

The truth is that bloggers may or may not be journalists, but they are an information channel by themselves. Institutions are becoming aware of that: the recent democrat convention in Denver had a record number of credentialed bloggers; tech compnaies have been for quite some time sending products to be tested and evaluated by specialized blogs; bloggers are invited for companies promotional parties.

And why? Because sometimes their audience surpasses the  traditional media not in number but specificness. It’s the niche that counts. But when  the job they do is the same as  journalists, what protection  and duties they have?

In many countries,   to be considered a journalist one must have a professinal credential, given by an independent entity (preferably). Personally, i think this is useless in several points, but that is for a long delayed post. The holder of this certification is under some restrictions and liberties, that allows him  to carry out his activity within a code of conduct.

Ideally, because you just have to open a newspaper or watch the news to understand that is not really quite like that. Due to incompetence, personal agenda, or management or corporative pressure, you can see how they send the codes to hell, and they’re irresponsible in creating content, or even more frightening, opting for silence.

Bloggers are as independent, unbiased or (ir)responsible as any other journalist. But they’re not exempt of being accounted for the content they create when it affects gravely the collective conscience and the life of others.

But here’s the white whale- who’s protecting them when they need? The legal mechanism sould be general, and not to priviledge just one class of people, which is, anyone that creates content should be under a unique set of rules. Until then, who writes journalistically in a blog is exposed. To good and evil.

In spite of some priviledges and a manoeuvre margin that some cleverly use – a newspaper should check and validate all facts, while many bloggers release information without meaningful restrictions or official confirmations – sometimes when sharing true facts they are harassed, attacked, pressured.Not fired though.

A blogger can be a journalist, but one that is not under the umbrella of a communication company, nor under the protection of a professional guild. But do they have less rights and responsabilities? No. They have those same rights, responsibilities, and i truly believe that by comparison, they have more freedom.

UPDATE- I had just posted this when António Granado shared this post on journalistic ethics, that helps us to understand in practice how hard it is today. It was a blog that started it all (as in other situations.)

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07
Mar
08

Online Free Expression Day 12-Mar/08

internetblackholes.gif

Os Repórteres Sem Fronteiras vão promover o Dia para a Livre Expressão Online já no próximo 12 de Março. Com o apoio da UNESCO, este dia pretende denunciar a censura governamental na Internet, e exigir maior liberdade online.

Em simultâneo irá ocorrer uma ciber-manifestação, onde todos os internautas poderão participar contra a actuação de nove países: Birmânia, China, Coreia do norte, Cuba, Egipto, Eritreia, Tunisia, Turquemenistão e Vietname . No ano passado uma iniciativa semelhante envolveu cerca de 40 mil pessoas.

Neste momentos estão detidos cerca de 63 pessoas em todo o mundo, por expressarem as suas opiniões na Internet.

Reporters Without Borders are launching the Online Free Expression Day, next March 12th. With The support from UNESCO, this day aims to expose governmental censorship on the Internet, and to demand more freedom online.

At the same time, a cyber-demo will be promoted, where all internet users can demonstrate against the actions of nine countries: Burma, China, North Korea, Cyba, Egypt, Erithrea, Tunisia, Turkmenistan and Viêt-nam. Last year, a similar event involved about 40 thousand people.

A total of 63 cyber-dissidents are currently in jail worldwide for using their right to free expression on the Internet.

Press Release

Wednesday 12 March : launch of Online Free Expression Day plus repeat of last year’s “24-hour online demo” , RSF

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