Posts Tagged ‘café

22
Mar
08

O nosso romance com os jornais | Our romance with newspapers

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“This gents had only a coffee and newspaper for breakfast. When he finished his coffee then he read his newspaper. And exactly before 8 AM he left for work or wherever. I took this picture in diner where I used to go to have my breakfast which is scramble eggs, bacon and home fries with coffee. Location: Shay’s Diner in St. Clair Ave. and E.40 St.”
Cleveland Daily Photo

Durante os largos períodos de tempo em que estive desempregado, aprendi a apreciar e a viver sem os pequenos luxos da vida: comprar livros, jantar fora, ir ao cinema. Mas de todos, o que mais senti falta foi o de comprar o jornal de manhã cedo e ir tomar o pequeno almoço num café.

Era o princípio ideal, o momento de arranque para enfrentar o dia. Um café, as notícias no nosso jornal favorito, o primeiro cigarro da manhã. E ao nosso lado alguém fazia o mesmo, partilhavam-se secções entre grupos de amigos, discutia-se as páginas de desporto, emprestava-se um exemplar a quem não tinha comprado. Os próprios cafés têm dois ou três jornais para os clientes, por isso, mesmo com pouco dinheiro, ainda dava para ir beber o café e ler o jornal, antes de o passar para o próximo. Fazem-se caras de desânimo quando alguém já fez as palavras cruzadas, ou não se despacham a ler.

A nossa relação com o papel de jornal é na verdade um caso amoroso, é algo de sensual na forma como viramos as páginas e ainda sentimos o cheiro da tinta, na maneira como nos aproximamos dos outros, como os avaliamos pelo título que trazem debaixo do braço. É uma relação efémera com cada exemplar que se renova no número do dia seguinte, quando os outros encontram destino a cobrir montras de lojas vazias, a embrulhar louças numa mudança, a forrar o chão de uma divisão a ser pintada. Por isso não acredito na morte dos jornais.

Mesmo com o aumento de estabelecimentos que oferecem wifi, são poucos os que andam com um portátil para todo o lado, na maior parte do mundo. Com a internet, abriram-se as possibilidades, mas a comunidade que a usa ainda é uma minoria, apesar do seu crescimento exponencial. Os números das tiragens estão a descer, mas não estarão reduzidos a zero tão cedo. Há dois anos atrás houve que escrevesse que os jornais não estavam a morrer mas a cometer suicídio. Há uma semana atrás essa ideia foi repetida. E o declínio dos jornais começa há 80 anos com o aparecimento da rádio.

Como em qualquer actividade competitiva, nem sempre os melhores sobrevivem, mas desta vez é possível que isso aconteça, desde que não se subestime o público. Todos queremos notícias, e a maioria gosta de ser fiel ao que conhece. Somos criaturas de hábitos. E o mais divertido é que muitos desses hábitos são partilhados por muita gente de diferentes países, culturas e origens.

Por isso é muito interessante ver como o Ryan Sholin e a Mindy MacAdams falam da forma como “usam/usavam” os jornais em papel. É um acto ritualizado, que já não praticam, mas eles são ainda a minoria. A maioria são os infoexcluídos, os que não têm um computador, os que continuam a precisar que os jornais e os jornalistas cumpram a sua função: informar, criar uma consciência colectiva, alertar para os abusos e questionar as fugas de quem é responsável pelo bem estar comum, relatar e manter a identidade de uma comunidade local, nacional, ou social.

Os jornais precisam de evoluir dentro dos novos media apenas para manter essas funções, como mantiveram depois do aparecimento da rádio e da televisão. Hélder Bastos, na entrevista que me concedeu, diz que “os catastrofistas sempre negligenciaram aquilo a que Roger Fidler chama a mediamorfose, ou seja, a capacidade que os media têm de se adaptar ao aparecimento de novos media. Acresce que, pelas mais diversas razões, nem toda a gente se “converte” aos novos media.” Trata-se apenas da sobrevivência do mais apto, e como sempre, os mais aptos são os que melhor se adaptam.

E acredito que antes de chegar o dia em que se blogará o epitáfio do jornal em papel, o nosso nome será impresso nas páginas do obituário. O que espero que seja realmente daqui a muito, muito tempo.

Esta semana, saiam cedo, comprem o jornal no quiosque, bebam um bom café, e aproveitem o momento. Entretanto, contem-me qual é a vossa relação com o jornal em papel.

During those long periods of time i was unemployed, i learned to appreciate and live without the small luxuries of life: to buy books, go out to dinner, go to the movies. But, of all, the one that i missed the most, was to buy the newspaper early in the morning and have breakfast at a cafe.

It was the perfect beginning, the starting moment to face the day. A cup of coffee,the news in our favorite newspaper, the first cigarrette of the morning. And next to me, someone did the same, suplements were shared among groups of friends, there were arguments over sports pages, copies were lended to strangers who didn’t bought one. The cafes have two or three newspapers for the costumers, so, even with little money, i could have some coffee and read the newspaper, before passing it to the next costumer. Faces frowned when we discovered the crosswords were already made, or people were taking too much time reading.

Our relationship with the print paper is actually a love affair, it’s something sensual in the way we turn the pages and we still smell the ink, in the way we approach the others, how we evaluate them by the title they carry under their arm.It’s a short lived relationship that we have with each copy, that renews itself with the next day’s edition, when all the others find their fate covering the windows of empty stores, wrapping dishes when we move, covering the floor of a room ready to be painted. That’s why i don’t believe in the death of print.

Even with the increase of places that offer wifi, there are few who carry laptops around, in most places in the world. With the internet, the possibilities were open, but the community that uses it is still a minority, albeit it’s exponential growth. The circulation numbers are decreasing, but they won’t reach zero so soon. Two years ago someone said that the newspapers aren’t dying but commiting suicide. A week ago that idea was repeated. And the decline of newspapers started 80 years back when radio appeared.

Like in any other competitive activity, not always the best survive, but this time that may happen, as long the public is not underestimated. We all want news, and most of us stick to what we know. We’re creatures of habits. And the fun part is that many of those habits are shared by many people from different countries, cultures and origins.

That’s why it is so interesting to see how Ryan Sholin and Mindy MacAdams talk about the way they “use/used” print paper. It’s a ritualized act they no longer exercise, but they’re still the minority. The majority are the infoexcluded, the ones who don’t own a computer, the ones who still need newpapers and journalists to keep to their job: to inform, create a collective conscience, alert to the abuse and question the subterfuges of those responsible by the common welfare, to report and maintain the identity of a local, national or social community.

 

Newspapers need to evolve within the new media only to keep those features,just like they did after the coming on the scene of radio and television. Hélder Bastos, in the interview he gave me, says “the catastrophists always neglected what Roger Fidler named as mediamorphosis, in other words, the capability that media have to adapt to the appearance of new media. To this adds, for several reasons, not everybody “converts” to the new media.” It’s just the survival of the fittest, and like before, the fittest are the ones who better adapt.

 

And I believe that long before the day when the print newspapers epitaph will be blogged, our names will be printed in the obituary pages. Which i sincerely hope it will happen a long, long time from now.

This week, get out early, buy the newspaper at the kiosk, drink a cup of good coffee, and enjoy the moment.

Meanwhile, tell me about your relationship with print newspaper.

“Jornal Expresso, café e bolinhos na cafetaria da Gulbenkian. Em muito boa companhia!
Expresso newspaper, coffee and muffins at Gulbenkian‘s cafeteria. In very good company!” (Portugal)
O que fazer num sábado chuvoso de Junho que mais parece um dia de Inverno?

Links:

The Slow Death of Newspapers , by Molly Ivins, AlterNet,March 23, 2006

JEECamp Destaques | Highlights

The Incredible Shrinking Newspaper,

How I have used the print edition, historically speaking, Ryan Sholin

Why (and when) the print edition works, Mindy MacAdams

Hélder Bastos – Ler Entrevista Completa | Read full interview in english

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25
Jan
08

Conversas de bar | Bar Talk

Os blogs são como conversas de café (no original, bar) e não podem ser levadas tão a sério como as crónicas nos jornais, disse Simon Jenkins, antiho editor do The Times. De acordo com Jenkins , uma coluna num jornal é como escrever um “ensaio”, enquanto que escrever num blog é como “pousar a caneta, ir até ao café (bar, no original) e dizer ao gajo do lado o que é que realmente pensamos”.

“É a diferença entre escrever e uma conversa de café (bar), por isso é que não podemos muito a sério quem responde- é o tipo de pessoas que responderiam de volta numa conversa de café” (…coiso e tal…).

Eu trabalhei em cafés e bares,  e posso-vos dizer, há conversas que podem ser bem mais fascinantes que qualquer palestra na melhor universidade do mundo. É só preciso aprender a ouvir, e o que se pode aprender com o que se ouve.

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Blogs are like ‘bar room chats’ and cannot be taken as seriously as newspaper columns, said Simon Jenkins  a former editor of The Times. According to Jenkins, a newspaper column is like writing “a collected essay”, while blogging is like “laying down your pen, going to the pub and telling the guy next to you what you really think”.

“It’s the difference between writing and a bar room chat, which is why I can’t take it terribly seriously who answers you back – it’s the sort of people you would get answering back in a bar chat.”

I’ve worked in bars, and i can tell you,  conversations can be far more fascinating than any lecture at the best of universities. You just have to learn how to listen, and what to take from it.



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