16
Dez
08

Vista sobre um congresso


congresso-002A convergência foi o principal tema do I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a que assisti nos dias 11 e 12 de Dezembro, no Porto. Como o programa foi muito extenso (no total foram quase 20 horas de congresso em dois dias) não vou ser exaustivo no que foi discutido, mas podem ter mais pormenores no blog do congresso, na cobertura via Twitter e no JPN. As fotos que tirei estão aqui.

Dia 1

O primeiro destaque vai para Ramon Salaverria, que foi apresentar a sua análise de casos paradigmáticos  de convergência em quatro grupos de comunicação, tema que é abordado no seu livro que está para ser lançado , intitulado “Integrated Journalism”.

Salaverria defendeu que a convergência é um processo dinâmico, e que não é o mesmo que integração, que acaba por ser um resultado eventual dessa convergência. Todo esse processo implica várias esferas, desde a empresarial à tecnológica, como da profissional à dos conteúdos.  O que fica é a marca e o conteúdo onde antes se dava o valor ao meio, apesar do “meio” ser agora um dos principais desafios para os produtores de conteúdos .  O investigador da Universidade de Navarra disse ainda que “a convergência não é a panaceia para todos os males”.

O primeiro dos cinco painéis dedicados  a apresentações mais curtas – e que no geral precisavam de mais tempo para serem melhor degustadas – foi dedicado aos desafios da convergência. Houve as perspectivas práticas de Sérgio Gomes  do Público.pt e de Nuno Vargas sobre a remodelação do  JN Online, dois trabalhos sobre comunicação individual e a participação dos utilizadores nos media digitais, de Catarina RodriguesLuís Miguel Loureiro (que me parece estar a fazer uma tese muito interessante). Pelo meio foi apresentado o Verbatim, uma ferramenta de recolha de citações,  com utilidade óbvia para investigação, criada  por Luís Sarmento (NIAD&R) e Sérgio Nunes (FEUP) no contexto de uma colaboração entre a Universidade do Porto e o SAPO Labs.

A sessão da manhã foi encerrada com a apresentação dos resultados da tese de Hélder Bastos, que se propôs a definir as características dos ciberjornalistas portugueses, e, por consequência, o estado do jornalismo online em Portugal (a ler, a entrevista que  me concedeu em Fevereiro). Das diversas conclusões que se tiram do trabalho de Hélder Bastos, o que se nota é uma minoria a carregar o futuro às costas, mas como ele disse “quando não há dinheiro, não há milagres.”

Beth Saad, da Universidade de S.Paulo, fez uma apresentação muito completa sobre o ciberjornalismo e que impacto têm as ferramentas de média social, que é o mesmo que dizer, como jornalistas e utilizadores se relacionam no jornalismo actual. Ambos os papéis estão em evolução, e a entrar em territórios que  eram exclusivos, o que leva à perca de controlo sobre os conteúdos por parte dos media. As mudanças começam nos utilizadores mas prosseguem nos jornalistas e nas empresas. Isto faz parte, segundo Saad, de um processo colectivo de mudança cultural.  Beth Saad colabora no blog Intermezzo.

Seguiram-se os painéis 2 e 3, que tiveram 13 apresentações em 3 horas. Ora como a opção foi apresentar tudo na mesma sala em vez de ter sessões paralelas, é difícil poder falar em pormenor de qualquer uma delas, apesar de ir fazer um esforço em tentar obter os papers e slideshows das que mais me interessaram. Nesse aspecto praticamente todos os participantes se mostraram disponíveis para partilharem esses ficheiros, o que permitirá uma melhor apreciação do seu trabalho. Dez minutos era manifestamente pouco, e nada se faz bem a correr, a não ser correr mesmo.

A piéce de resistance do dia acabou por ser a intervenção de João Canavilhas, da Universidade da Beira Interior. Eu, do que conheço do trabalho de Canavilhas, não me senti minimamente defraudado com a sua conferência. É um investigador brilhante e pouco ortodoxo, e conseguiu cativar uma audiência cansada, com os seus “5 W & 1 H para o jornalismo na web”.  Podem ler um resumo da sua intervenção aqui, mas vejam também o vídeo abaixo.

Canavilhas não vai em modas e disse que o jornalismo do cidadão não existia, comparando o Guggenheim do arquitecto Frank Gehry e um bairro de lata: “Isto é arquitectura do cidadão?” O efeito cómico foi excelente, e foi eficaz na definição da perspectiva de Canavilhas, que fundamentou claramente porque é que acha que o jornalismo do cidadão não existe. Eu discordo, claro. Amigos na mesma. Essa vai ser aliás uma das questões que lhe vou ter que fazer quando o entrevistar (estou para o fazer desde a Páscoa…). Foi-lhe atribuída uma citação que acho que está incorrecta, ou pelo menos, descontextualizada. No JPN é citado “os jovens lêem cada vez menos”, mas creio que ele estava a referir-se a formatos: “menos em papel”. Nunca se consumiu tanta informação escrita como hoje. Agora se ele se estava a referir a ler com olhos de gente isso é outra história.

No final do dia – que já ia longo – Fernando Zamith lançou o seu livro “Ciberjornalismo – As potencialidades da Internet  nos sites noticiosos portugueses”, uma obra que analisa a real utilização dos meios digitais em Portugal pelos media, e que é a materialização da sua investigação nos últimos anos.

convite_livro_c.jpg

Dia 2

O segundo dia começou com a presença virtual de Hamlet Au, o repórter do Second Life. Na realidade, Hamlet Au é o avatar de Wagner James Au, que nos explicou através da moderação de  Paulo Frias, da Universidade do Porto,  como faz jornalismo no mundo virtual do Second Life, quais são as suas dificuldades e porque é que é um meio tão interessante para desenvolver a sua actividade.

Paulo Frias em diálogo com Hamlet Au

A seguir, mais dois painéis a correr, um dedicado a Jornalismo e Bloguismo, o segundo a Inovação e empreendedorismo. Deste destaco a apresentação do projecto  ogolo.pt, um site desportivo exclusivamente online desenvolvido por três alunos da UP, e que será lançado logo no dia 1 de Janeiro de 2009. A ter em atenção.

Para acabar a manhã em beleza Mário Tascón (Dixiered, 233grados.com – que é o mesmo que dizer Fahrenheit 451) fez uma apresentação excelente sobre o futuro dos e os jornais do futuro, cujo resumo pode ser lido aqui. Entre referências à campanha de Barack Obama usando ferramentas de social media e que futuro irá dar à comunidade que criou online (que eu anotei no meu caderno como a era 2.0bama), Tascón levantou um pouco o véu sobre o seu novo projecto, o Proyecto i, ainda no segredo dos deuses.

Depois de almoço Fernando Zamith apresentou com Catarina Osório os resultados do seu estudo sobre o uso de ferramentas web pelos sites noticiosos portugueses. Parece que o panorama geral melhorou, mas ainda há muito a fazer. Os parâmetros eram semelhantes ao Índice de Interactividade que fiz para o OJB.

A seguir foi a entrega dos Primeiros Prémios de Ciberjornalismo. Tinha duas amigas nomeadas, e uma ganhou, foi a Sandra Oliveira do Público, na categoria de Breaking News com o assalto ao BES. As imagens foram usadas por muita gente que não atribuiu o crédito ao Público.pt quando passaram as imagens. É um precedente grave e uma enorme falta de respeito. Mas cada um monta os telhados de vidro que quiser. Os meus parabéns para a Sandra. Aqui ficam os vencedores:

Sérgio Gomes do Público.pt recebe o prémio de Excelência Geral em Ciberjornalismo

Mark Deuze via Skype

Mark Deuze ligou-se em directo via Skype para falar de “Jornalismo e Novos Média: Talento, não Tecnologia”  (leiam o resumo), e que partilhou uma história fantástica sobre o Público Online,que se alguma vez puderem, peçam para vos contar. A frase dele que mais ressoou foi: “qualquer jornalista feliz e apaixonado pelo seu trabalho vai produzir notícias melhores e mais relevantes para a comunidade” e aconselha sempre os seus alunos a “não tirarem cursos que os façam empregados de uma organização noticiosa, mas sim que os façam criar o seu próprio projecto”.

Para terminar em beleza, o congresso terminou com a apresentação de Rosental Alves, o professor  da Universidade do Texas-Austin, que deu o workshop de Jornalismo Digital a que assisti em Junho, no Summer Institute. Numa conversa prévia o professor Rosental já me tinha avisado que eu conhecia a matéria, mas aprende-se sempre algo de novo. Para além do conteúdo científico, a forma como a conferência é apresentada – de forma descontraída e bem disposta, cheia de provocações especialmente dirigidas a João Canavilhas por causa do jornalismo do cidadão –  fez com que fosse o melhor final para um Congresso de óptima qualidade.

No encerramento, Fernando Zamith, como organizador , não se quis comprometer com a realização de um segundo congresso para o ano, mas existe vontade e também necessidade de se realizarem mais eventos deste tipo. Eu por mim volto lá.

Notas finais

O que posso concluir destes dias na bela cidade do Porto é que há sinais de mudança no panorama jornalístico português, uma mudança tímida e insegura, mas que está a ser feita por professores, alguns profissionais, e muito poucas empresas. Pode-se dizer que há realmente quem faça um verdadeiro jornalismo online e de convergência em Portugal? Contam-se pelos dedos de uma mão.  Há muito para fazer, mas é preciso que os directores e os proprietários conheçam estas novas realidades. E eu não vi ninguém lá  que não estivesse de certa forma já ligado ao ciberjornalismo.

Foi também uma oportunidade de (re)encontrar algumas pessoas, como o Hélder Bastos e o professor Rosental Alves, mas o tempo foi curto. Mesmo assim houve tempo para ouvir alguns conselhos, que eu agradeço. No fundo não me deixei de sentir um outsider devido ao meu percurso profissional acidentado e ao facto de não ser um académico, mas não quero dizer que isso é mau. Discordei com muita coisa que foi dita e vi apresentações que para mim já não se aplicam à realidade que está mesmo aí. Estarei errado ou apenas mais à frente? Não me interessa, apenas estou.

Tenho que agradecer aos meus amigos que me receberam em casa deles para comer, beber e dormir,  e à Vanessa Quitério, que foi de Coimbra para assistir ao congresso no Porto, e que foi a minha companhia por lá nesses dois dias. Graças a ela e ao seu portátil pude twittar parte do congresso (obrigado Vanessa!). É um exemplo que fazer amigos nas redes sociais pode ser positivo. Ainda fomos ao Nortweeters mas foi mesmo assim de repente. Para a próxima vez tem de ser com mais calma…

Fico à espera do próximo.


11 Responses to “Vista sobre um congresso”


  1. 16 de Dezembro de 2008 às 3:18 pm

    Enfim está publicado post que te prendeu nestes dias… Está elucidativo daquilo que foi o I Congresso de Ciberjornalismo no Porto. Subscrevo totalmente as tuas observações. Até acrescento que foi um congresso de tamanha complexidade informativa, de bonas ideias com bons oradores. Ir de Coimbra para lá foi mais que uma ida em trabalho, foi um prazer redobrado por conhecer outras pessoas e partilhar desta necessidade de conhecer cada vez mais isto de “jornalismo”. Obrigada eu pela companhia, pelo café e tempo disponibilizado.

  2. 4 Nelson Soares
    16 de Dezembro de 2008 às 5:59 pm

    Caro Alexandre, parabéns pela cobertura do Congresso. Está muito completa, bem “linkada” e bastante bem sintetizada. Gostaria apenas de deixar algumas notas pessoais, uma vez que também estive presente e apesar de ter gostado bastante de algumas comunicações, em termos globais considero que o Congresso poderia ter muito mais a oferecer:

    1 Nota mais para as apresentações de:
    Ramon Salaverria – excelente orador e que deu uma perspectiva muito pragmática de como é necessária uma convergência a várias niveis, para que se cumpra a promessa do online;

    João Canavilhas – o melhor académico português presente e uma apresentação muito enxuta sobre as narrativas digitais. Achei, no entanto, demasiado gratuita a comparação entre a “arquitectura do cidadão”,com o fenómeno do “jornalismo do cidadão”. Arquitectura e jornalismo são duas áreas que em termos de exigência técnica e de conhecimento científico, estão nos antípodas uma da outra.

    Mário Tascón – Um verdeiro guru. Adorei o suporte gráfico que trouxe, apresentou conteúdos, análise, novas perspectivas. Simplesmente brilhante.

    Mark Deuze – Apesar das limitações naturais de uma apresentação por Skype, é sempre uma honra ouvir uma das maiores referências em matéria de novos media.

    Infelizmente não tive oportunidade de assitir à apresentação via Second Life, culpa da porcaria dos transportes públicos existentes no Porto, mas presumo que tenha sido uma excelente amostra.

    Nota menos para:

    1 – Alguns oradores espanhóis, cujo nome nem vou citar uma vez que eles também pouco se esforçaram para trazer algo de novo ao debate.

    2- Oradores brasileiros, absolutamente genéricos e lapalissianos.

    3- Alguns oradores portugueses, especialmente Fernando Zamith. Apresentaram-se imensos dados estatisticos – que muitas vezes não dizem absolutamente nada – e revelaram uma total inabilidade para comunicar em público. Sobretudo o professor da UP, que era, nada mais nada menos, que o organizador do evento e que fez uma apresentação estéril sobre sites de ciberjornalismo portugueses, sem qualquer conclusão ou análises qualitativas. No final da sua apresentação fica para a história a forma como respondeu a uma pergunta com a seguinte frase: “Bom…eu só vim aqui humildemente apresentar os dados do meu estudo”. Acho que não preciso de dizer muito mais.

    Uma última nota negativa para o local onde se organizou o congresso. É a segunda vez que vou a um congresso na UP e, francamente pensei que desta vez teriam encontrado um local mais condigno.

    Em síntese, acho que houve coisas positivas no Congresso, valorizo a iniciativa de debater questões que são cruciais para o futuro do jornalismo, no entanto, acho que se poderia ter oferecido muito mais aos presentes, por exemplo diminuindo o número de palestras e promovendo a realização de outros eventos, como sejam workshops, fóruns de discussão, entre outros.

    Espero não ter sido demasiado crítico mas gostaria de partilhar estas coisas consigo, uma vez que, tal como eu, seguiu o Congresso com toda a atenção.

    Um abraço e bom trabalho

  3. 16 de Dezembro de 2008 às 6:23 pm

    Olá Nelson, podias ter dito que estavas por lá, eu não me calei a dizer que ia ao Congresso!

    Estás à vontade, eu concordo contigo mas pura e simplesmente não tive tempo para falar mal de algumas coisas, porque também tive medo de parecer presunçoso: não estou a trabalhar na área nem estou a fazer nem mestrado nem doutoramento, como expliquei, sinto-me um outsider.

    É natural que muita coisa não tenha corrido bem, e relativamente às apresentações tens razão, havia alguma palha pelo meio, mas isso são critérios da organização sobre os quais não me posso pronunciar. Acho que houve um grande esforço por parte deles, mas seguindo estereótipos sobre esse mundo, acredito que tenha havido alguma coisa metida a martelo. Mas não é por aí que me vou queixar.

    Vi trabalhos excelentes a ser mal apresentados e trabalhos assim-assim com boa dinâmica. Estive quase a voltar às origens e fazer um post sobre o congresso como se fosse um festival rock, mas seria injusto. Nem toda a gente tem a presença do Canavilhas ou do Rosental. Este último aliás já tinha dado em 10 dias o que disse em uma hora, por isso não fui ver nada de novo mas apenas a performance. É uma daquelas bandas que mesmo já conhecendo as músicas e tendo ido a vários concertos vale a pena ver. Desculpa, pessoas.

    Acho que houve convergência a mais e divergência a menos. Achei estranho um tema que está a criar tanta revolução num negócio de milhões e que afecta a visão da sociedade sobre ela mesma e o mundo não tenha criado muita discussão. Achei mais preocupante ainda o facto de ver mais alunos de fora do que da faculdade(posso estar enganado, mas nas participações foi o que me pareceu). Mas cada um sabe da sua vida.

    Qualquer evento destes depende da credibilidade que consegue transmitir, e este foi credível q.b., compreendo que não tenham podido fazer mais, mas as universidades também estão a viver tempos difíceis, por isso ainda há carolice a mais, e ainda bem que a há senão não tínhamos nada disto mesmo.

    Eu entendo e não discordo da tua opinião, mas dou algumas ressalvas. Creio que se podia ter promovido mais contacto pessoal entre todos, havia gente por lá que conheço dos blogs, e só vim a descobrir depois quem eram. Fica para outra oportunidade. No geral a minha impressão é positiva, mas como ando a puxar a minha carroça acho sempre que se pode fazer mais. E a organização sabe disso.

    E assustou-me a quantidade de typos e erros ortográficos que se fizeram nas apresentações, mas isso é a pressa.

    Obrigado Nélson, para a próxima vez combinamos melhor e encontramo-nos todos. Isto da net é porreiro mas gosto de conhecer as pessoas ao vivo, na First Life (que é a melhor das duas).

    Abraço

  4. 17 de Dezembro de 2008 às 2:37 am

    Parabéns muito bom trabalho, o link já está no comunicamos.
    Abraço|!

  5. 17 de Dezembro de 2008 às 9:50 am

    Obrigado João, tive pena de não teres ido também. Na próxima estamos lá.

    Abraço.

  6. 8 hugo jorge
    3 de Janeiro de 2009 às 8:25 pm

    Thanks, ALexandre. Estive para ir e não fui (despesas…). Mas não sei porquê, sempre tive a impressão que conseguiria ver o resumo em algum lado. Ainda bem que foste tu a fazê-lo.


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