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Out
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Jornalistas diplomados: Uma discussão brasileira.E não só.


Rogério Christofoletti abordou no seu blog uma discussão que vai assolando as classes jornalística e académica sobre a qualificação dos jornalistas. Não só o assunto é sensível para profissionais e empresas, como para o público, que segundo uma pesquisa da Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas do Brasil, quer ver mais jornalistas diplomados a exercer a profissão. O post e os comentários merecem ser lidos para se entenderem as várias vertentes desta discussão: a corporativa, a académica, a individual, a empresarial.

Gritaria na web
Na internet e entre jornalistas, estudantes e pesquisadores da área, o assunto tem rendido discussões acaloradas. No Observatório da Imprensa, todas as semanas, artigos são publicados e versões são confrontadas. Numa lista eletrônica restrita a professores e pesquisadores da área, o professor Marcos Palácios insistiu em discutir aprofundadamente a possibilidade de mestrados profissionalizantes serem uma alternativa na formação de quadros mais qualificados para a profissão. Em poucos dias, a mensagem de Palácios foi objeto de reações as mais diversas, quase todas muito, mas muito apaixonadas, fazendo prevalecer argumentos corporativos e questionáveis.

Na blogosfera, gente influente do mercado e da academia vem se posicionando. Carlos Castilho (Código Aberto), por exemplo, ressalta o fato de que as escolas de comunicação não têm sido capazes de formar profissionais que possam enfrentar os novos desafios do jornalismo, provocados pelas novas tecnologias.

Alex Primo, por sua vez, afirma que a defesa do diploma não poder ser uma defesa do diploma per se, mas da formação de qualidade dos profissionais. Marcelo Träsel pega o gancho e envereda para o impacto que as novas tecnologias vêm provocando na atuação cotidiana desses profissionais. Já Márcia Benetti criticou violentamente a morosidade da inteligentsia brasileira, esperando uma atitude mais pró-ativa na condução e elevação do nível dos debates. Cética, ela acha que a batalha no STF está perdida e com a desregulamentação no jornalismo, não só os jornalistas perderão.

discussão sobre o diploma está muito ideologizada


E em Portugal? Quantos jornalistas licenciados em Jornalismo temos? E estarão eles melhor preparados do que os que não são licenciados? Acho que é uma daquelas situações que não dá para fazer uma avaliação no geral, pois cada profissional é um caso. Mas já percebi desde cedo que, em grande parte das situações – particularmente a  nível local – ter uma licenciatura em jornalismo não vale de nada. E quantos casos conhecemos nós de pessoas em cargos de comunicação institucional com formação em outras áreas? Para mim, desde que sejam competentes tudo bem, mas acaba por tornar inútil a existência de formação especializada, não porque essa formação seja inútil, mas porque é desvalorizada pelas próprias empresas e instituições.

Vamos a um caso (hipotético) específico: o mundo financeiro está em crise, não é? É necessário que haja jornalistas especializados em economia para cobrir o tema. Ou um economista que saiba fazer jornalismo? É preciso que um jornalista desportivo tenha sido um atleta? A resposta é simples: ter formação dentro de uma área específica permite ao jornalista ter uma visão mais compreensiva sobre um dado assunto, logo poderá transmitir uma mensagem mais clara. O que quero dizer é que não é preciso que um jornalista seja licenciado em Jornalismo para exercer, tem é que ter a capacidade de cumprir tecnicamente e trazer uma mais valia com a sua formação original para o orgão de comunicação que o emprega, que até nem pode ser superior, tem é que ser válida e útil –  e muitas vezes baseada na experiência de trabalho.

Mas antes que me comecem a atacar, tenho que esclarecer uma coisa: os jornalistas devem ser formados em Jornalismo, e se parece que me estou a contradizer leiam melhor. A formação não implica uma licenciatura, e além disso, grande parte da aprendizagem faz-se com experiência de trabalho. O que um percurso universitário traz (ou devia trazer) é uma visão mais alargada não só sobre o mundo mas também sobre a profissão, e numa época de mudança para jornalismo como esta que atravessamos, nunca tais requisitos foram tão necessários.

Então como ficamos? Creio que as escolas têm a responsabilidade de ser melhores; creio que os alunos têm a obrigação de ser melhores; creio que as empresas têm que saber valorizar a formação de cada profissional, se possível melhorá-la, e compreender que se podem tapar buracos com pessoas sem formação específica em jornalismo – ou com maus jornalistas – mas o buraco persiste.

Outra das coisas que me chateia é a Carteira Profissional. A existir deveria ser mais simples de obter, e acho que é um hipocrisia. Quantos jornalistas em Portugal trabalham sem carteira profissional? E para os novos modelos de negócio baseados em freelancing como é que um jovem jornalista que fez um estágio curricular de 3 meses se lança no mercado sem a avalização de uma comissão que exige que a entrada no “clube” seja feita por apadrinhamento? E porque é que o estágio para obter a carteira definitiva é tão longo? Uma licenciatura não serve como comprovativo de capacidade do profissional, mas para alguma coisa deve servir.E para que funcione, teria que haver uma avaliação das empresas de comunicação, já que há directores de jornais que não cumprem regras, empresas que não pagam, gente com menos capacidade em cargos de gestão. Por isso, se querem certificar a base da pirâmide, tratem de a fiscalizar até ao topo.

Com o jornalismo do cidadão, a participação dos jornalistas em várias plataformas, e os novos problemas deontológicos e éticos que surgem todos os dias, estas questões tornam-se cada vez mais pertinentes. E vocês, o que acham?


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1 Response to “Jornalistas diplomados: Uma discussão brasileira.E não só.”


  1. 1 rogério christofoletti
    27 de Outubro de 2008 às 2:39 pm

    Gamela, obrigado pela menção.
    Acho importante conversarmos sobre isso sim, apesar de um oceano separar Brasil e Portugal. Independente dessas distâncias, considero fundamental pensar sobre a qualidade/modalidade de formação dos profissionais, tanto por aqui quanto por aí…
    abs


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