16
Out
08

Ética, direitos e liberdades na web | Web ethics, rights and freedoms


O texto de Edward Wasserman no Miami Herald levanta questões pertinentes sobre ética nos novos media. Deixem-me reformular: sobre ética. O facto de ser nos novos (actuais) media não tem diferença nenhuma, em relação aos “antigos” media. O que se nota nos dois casos que ele refere é uma falta de respeito não só aos intervenientes como aos métodos de trabalho que norteiam e credibilizam a actividade jornalística, seja ela exercida por cidadãos ou profissionais. Porque o valor corrente de qualquer jornalista é a sua credibilidade.

Na alteração do paradigma comunicacional, e com a transformação do público em produtor de conteúdos, o papel das organizações de informação também se alterou, passando de produtoras a gestoras, moderadoras e agregadoras de informação. A ética está presente em qualquer uma das situações, e no caso da notícia sobre o Steve Jobs o que se nota é uma falta enorme de profissionalismo, já que uma das partes mais importantes no processo é a verificação de factos.

A culpa, que tem forçosamente de ser atribuída a alguém já que a distribuição de informação errada pode ter consequências muito graves, é dos editores que, ou confiaram demais na ânsia de terem um “furo”, ou então não souberam aplicar os valores básicos que se aplicam quando se trabalha na indústria de informação noticiosa.

Os “bons velhos valores” de que Wasserman fala não são velhos,mas parecem andar esquecidos e moldados a interesse de cada um. Mas numa sociedade de informação omnipresente,quase omnisciente e de alta velocidade, qualquer imprecisão ou erro grosseiro é rapidamente exposto, com consequências graves na confiança dos utilizadores, que têm muito por onde escolher como fonte de informação.

A solução? Passa pela formação pessoal, logo, este é um problema social moderno, já que todos podemos participar e influenciar o processo informativo, e vê-se muita gente mal formada por aí . Não é só uma questão profissional, trata-se de algo intrínseco nas pessoas, que podem usar este novo poder para o bem comum ou não. Às organizações compete fiscalizar os processos de obtenção e distribuição de informação, em vez de virar costas às suas responsabilidades para dar um ar de modernidade.  É a sua imagem que está em risco.

PS: Não falo do caso de Alana Taylor porque já se falou demais e de forma exagerada. Ela não pediu autorização para blogar sobre a aula, mas o que ela diz não é contraproducente, pelo contrário, é uma crítica correcta e equilibrada às aulas que lhe custam a pagar. Havia de haver estudantes em Portugal a blogar o que se passa nas aulas das suas Faculdades para vermos como o ensino funciona no nosso país, e os professores também haviam de ter os seus, para percebermos como as novas gerações estão mal preparadas.

Como extra, sigam esta recomendação dada no para “o número relativo ao Outono de 2008 (vol.7, n. 13) da revista Global Media Journal quase todo ele dedicado ao direito à comunicação, uma matéria pouco conhecida e trabalhada entre nós”. Para  ler aqui.

Edward Wasserman’s text in the Miami Herald raises proper questions about ethics in new media. Let me rephrase that: about ethics. The fact of happening in the new (current) media makas absolutely no difference, regardind  the “old” media. What we can notice in both cases he mentions is a lack of respect not only to the participants but also to the work methods that guide and give credit to the journalistic activity, wether it be carried out by citizens or professionals. Because the value of any journalist lies in his credibility.

With the change in the communication paradigm, and with the transformation of the audience in content generators, the role of the news organizations has also changed, turning from producers to news managers, moderators and aggregators. Ethics is present in any of this situations, and in the Steve Jobs affair, what we see is a huge lack of professionalism, since one of the basic steps of the process is fact checking.

The blame, that must be appointed to someone since the distribution of mischievous information can have serious consequences, belongs to the editors that, or trusted too much in the eager desire for a scoop, or didn’t know how to apply those basic values that are to be applied when oyu work in the news business.

The  “good old values” Wasserman talks about are not old, but seem to have been forgotten and shaped to each one’s interest. But in a ubiquitous almost omniscient and   high velocity information society, any imprecision or gross mistake is quickly exposed, with grave consequences in the users trust, that have a lot of information  sources to choose from.

The solution? Goes through personal formation, so, this is a modern social problem, since we can all participate and influence the news process, and we can see a bunch of ill prepared people around. It’s not just a professional matter, it’s something inherent to people, that may or may not use this new power for the common good. It’s up to the organizations to verify the processes of gathering and distribution of information, instead of turning their back to their responsibilities just for the sake of looking modern. It’s their image that is at stake.

PS:I won’t be talking  about the Alana Taylor situation, because it has already been discussed too much. She didn’t asked to blog about the class, but what she wrote is not counterproductive, au contraire, it’s a fair and well balanced critic to the school she has to pay. There should be more students blogging about their classes to show what is going on in their expensive courses, and how university teaching works, and  teachers would have blogs too, so we could understand how badly prepared these new generations are.

As an extra , follow this recommendation from Jornalismo&Comunicação to “the Fall 08 edition(vol7, n.13) of the global Media Journal, almost entirely dedicated to communication law.”

Read it here.

Twice in recent weeks big news outfits embarrassed themselves when affiliated Internet operations ignored basic principles of journalistic practice. What’s apparent is that although legacy media may regard their Web sites as domesticated showcases for traditional work, heeding the same rules, the Internet is no petting zoo. It’s a wilderness, and the wildlife has free-ranging ideas of their own about what they should be doing.

The first case involved CNN’s iReport.com, a citizen journalism site that encourages the public to offer information and commentary, unfiltered by pesky editors. A posting Oct. 3 from someone called ”johntw” reported that Steve Jobs, chief executive of technology giant Apple Inc., had suffered ”a major heart attack.” He hadn’t, but in a jittery market Apple’s share price dropped to its lowest point since May 2007 during the 12 minutes it took for another blogger to phone Apple and quash the report.

Plainly, false rumors have been moving markets since long before the Internet. The information was corrected quickly, and company shares bounced almost back. But harm was done. One contributor to Silicon Valley Insider calculated that with three million shares traded at $7 under the closing price, buying at the bottom — if you knew the Jobs report was false — netted $21 million.

Boring old values and the New Media

via Opinion: Ethics of New Media- Editor’s Weblog


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