Arquivo de Junho, 2008



17
Jun
08

Irreversível | Irreversible

If you think online news is difficult…

If using a Web-based content management system is difficult, try putting together a print edition in an old version of Quark and then come back and tell me how hard it is to push the Publish button.

If editing video takes too long, then go back to developing your own prints in the darkroom.

(…)

Se acham que antigamente é que era bom leiam este post do Ryan Sholin.Se…

If you still think about the “good ol’days” read this Ryan Sholin’s post.If…

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17
Jun
08

Interview: Charlie Beckett on SuperMedia – English version

Interview: Charlie Beckett on SuperMedia @ OJB

The english version – edited (=improved) by Paul Bradshaw is available here

“This book is my manifesto for the media as a journalist but also as a citizen of the world. As a journalist you are constantly being told that the news media have enormous power to shape society and events, to change lives and history. So why are we so careless as a society about the future of journalism itself ?” [1]

Saving JournalismThis is how Charlie Beckett presents his book “SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World” (Wiley-Blackwell, 2008), in which he tackles the main challenges to journalistic practice in our days, and its influence to maintain free and democratic societies .

Charlie Beckett is a journalist with a 20 yearscareer at the BBC and ITN, and he is also the founding Director of POLIS, a think tank about journalism and society at the London School of Economics. “SuperMedia” is a work that gathers and structures several streams of thought about the future of Journalism as a essential service to contemporary societies, and how the changes in the news industry, beyond inevitable, are necessary.

(more…)

SuperMedia: Entrevista com Charlie Beckett (Portuguese version)

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16
Jun
08

Summer Institute 08: Dia 1 | Day 1

https://i1.wp.com/blogs.zdnet.com/open-source/images/titanic-sinking-from-thinkquest.gifhttps://i0.wp.com/www.meridianmagazine.com/sci_rel/images/moses_red_sea.jpg

Jornalismo: desgraça ou esperança? | Journalism: dread or hope?

Pois é, já começou o workshop de Jornalismo Online, inserido no Summer Institute 08, e orientado pelo professor Rosental Alves. Tirando a minha desorientação na cidade de Lisboa, o primeiro dia foi muito bom. Primeiro porque encontrei algumas pessoas de quem já falei aqui no Lago – o Paulo Nuno Vicente e o António Granado – e porque as experiências profissionais e background dos participantes são muito variadas(jornalistas e não só), o que promete tornar a discussão muito abrangente. Depois, Rosental Alves tem um percurso muito rico e é tremendamente simpático, o que torna as aulas muito interessantes e muito agradáveis de seguir.

Hoje basicamente foi um dia para apresentações, tanto do programa como dos participantes, e introdução ao tema do Jornalismo Online. Passo a partilhar algumas das notas que tirei, embora ao vivo tenha sido muito dinâmico para um primeiro dia:

Começámos por falar dos novos paradigmas impostos pela Revolução Digital, que tem dois precedentes históricos, Guttenberg e a Revolução Industrial, pela forma como alteraram a produção e divulgação de conteúdos, e as suas consequências a nível social e político.

Referiu-se Jim Moroney, do Dallas Morning News, que num simpósio em Austin apontou o período de 2002 a 2012, como o de maiores transformações nos jornais americanos (entenda-se crise). Para tal temos duas imagens: o Titanic a afundar-se ou a divisão das águas do Mar Vermelho (leia-se desespero ou esperança, porque estes são os dois estados de espírito presentes na indústria).

Na transição da Sociedade Industrial para a Sociedade de Informação, rompeu-se com a comunicação de massa, vertical, unididreccional, fechada, para um outro modelo, mais personalizado, interactivo. Os mass media complementam-se com a massa dos “eu-media”, numa simbiose que ainda ainda está no início e com resultados ainda imprevisíveis. Muito ainda consideram a Internet como apenas mais um meio, mas é mais do que isso. De notar que os telemóveis vão ultrapassar os computadores como postos de acesso à web.

Processo de Mediamorfose

A seguir abordámos as ideias de Jeremy Tunstall, que diz que a cada 20 anos surge um novo meio de comunicação. Pegando neste conceito, Roger Fidler desenvolveu seis princípios, considerando que , de cada vez que surge um novo meio tão poderoso que parece que vai acabar com os restantes, os outros acabam por se adaptar. Os seis princípios são:

  1. Co-evolução e coexistência;
  2. Metamorfose;
  3. Propagação;
  4. Sobrevivência;
  5. Oportunidade e necessidade;
  6. Adopção atrasada;

Se quiserem saber mais pormenores, sigam este link (ficheiro PowerPoint). Rosental Alves discorda da ideia de metamorfose e apresenta a ideia de mediacídio. Basicamente, durante o processo de absorção de todos os meios existentes pela Internet, alguns sobrevivem, outros não. A opção ou é a hibridização dos meios digitais e tradicionais ou a sua morte (lá está o Titanic).

O Jornalismo Online é ponte entre a Era Industial e a Era Digital para a indústria, pois mudam os modelos de negócio graças esta ruptura tecnológica, embora não haja garantias que resulte. Para o fim, ficámos de ver o Huffington Post como um exemplo desta transição. E é isso que vou fazer. Assim que puder, escrevo mais sobre o que se vai passando no workshop.

Oh yeah, the Onlline Journalism Workshop inserted in the Summer Institute 08, and lectured by professor Rosental Alves has begun. Aside my disorientation in the city of Lisbon, first day was great. First of all because i got to meet some people that i had already talked about here at the Lake- Paulo Nuno Vicente and António Granado – and the participants professional experiences and background are quite different (journalists and others), which makes discussion really promising. Then, Rosental Alves has a very rich history and he is terribly nice, which makes the classes very interesting and pleasant to follow.

Today was basically dedicated to presentations, of the program and of the participants, and to an introduction to Online Journalism. I’m sharing now with you some notes i took, though things were quite dynamic live, even for a first day:

We started to talk about the new paradigms imposed by the Digital Revolution, that has two historical precedents, Guttenberg and the Industrial Revolution, by the way they changed production and dissemination of contents, and their consequences on social and political levels.

There was a reference to Jim Moroney, from the Dallas Morning News, that at a conference in Austin pointed out the period between 2002 to 2012 as the one with the biggest transformations for american newspapers (i.e. crisis). We have two good images for that: the sinking Titanic or the parting of the Red Sea (this means despair or hope, which are the two main mindsets that coexist presently in the news industry).

During the transition from the Industrial to the Digital Society, there was a break with mass communication, more vertical, one way, closed, to another model, more costumized, interactive. The mass media are now complemented by own media, in a symbiotic process that it is still at the very beggining, and with unpredictable results. Many still conder the Internet as just another medium, when it really goes beyond that. It was noted that cell phones will overcome computers asthe main devices to access the web.

MediaMorphosis

We then discussed the ideas of Jeremy Tunstall, that says that every 20 years a new medium appears. Taqking on this concept, Roger Fidler developed six principles, regarding that every time a new medium comes is so powerful that it seems that will finish all the others, yet they do seem to adapt. The six principles are:

  1. Co-evolution and coexistence;
  2. Metamorphosis;
  3. Propagation;
  4. Survival;
  5. Opportunity and need;
  6. Delayed adoption;

If you want more details on this follow this link (PowerPoint file). Rosental Alves disagrees with this idea of metamorphosis and presented the concept of mediacide. Basically, during Internet’s absorption process of the existing media, some survive, and some don’t. The alternatives are the hybridization of digital media with traditional media or their death (there’s the Titanic).

Online Journalism becomes the bridge between the Industrial Age and the Digital age, because business models have changed thanks to this technological shift, though there are no guarantees it might work. Finally, we set the Huffington Post as an example of this transition. And now i have to analyze it. As soon as i can i’ll write more about what is going on during the workshop.

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16
Jun
08

Esbjörn Svensson 1964/2008

Serenade for the Renegade

Outro de um dos meus músicos favoritos morreu. Esbjorn Svensson, um dos pianistas mais interessantes dos nossos tempos na forma como absorvia várias influências e as incorporava no seu jazz – assim como o Brad Mehldau – faleceu na sequência de um acidente de mergulho.

Há uns anos atrás tive a sorte de o ver inesperadamente e de borla num concerto na Casa da Música no Porto, e ficou como uma das situações musicais mais felizes que experienciei. Se nunca o ouviram, comecem agora.

Another of my favorite musicians has died. Esbjorn Svensson, one of the most interesting pianists of our times in the way he absorbed several influences and how he embedded them in his jazz- just like Brad Mehldau does – passed away this weekend following a diving accident.

A couple of years ago i had the fortune to see him live, unexpectedly and for free at the Music House in Porto, and that remained as one of most rewarding musical situations that i’ve ever experienced. If you never listened, start now.

O músico de Jazz sueco Esbjörn Svensson morreu este fim-de-semana quando fazia mergulho de profundidade no arquipélago de Estocolmo, anunciou hoje o seu agente.

Segundo os media suecos, Svensson mergulhava no Báltico com um grupo, acompanhado por um instrutor, quando desapareceu repentinamente. Foi encontrado gravemente ferido e transportado por helicóptero para o hospital mas não pôde ser salvo.

Esbjörn Svensson, que tocava um público bem mais vasto do que o dos amantes de Jazz, era a “figura mais importante do Jazz desta década”, sublinhou Burkhard Hopper, agente do Esbjörn Svensson Trio (E.S.T.), a partir de Munique, que compara a sua influência à de Miles Davis.

Público, 16.06.2008

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14
Jun
08

A caminho de Lisboa | Off to Lisbon

A partir desta segunda-feira, e durante duas semanas, vou estar em Lisboa para uma formação de Jornalismo Online promovida pela Universidade de Austin.O professor Rosental Alves vai ser o orientador, e pelo que vi do programa que ele enviou aos 12 escolhidos parece-me que vai ser mesmo muito bom.

Por isso, durante uns tempos vão haver menos posts, mas os que fizer estarão relacionados com o workshop, para partilhar com vocês o que vou fazendo e aprendendo.

Se estiverem pela capital, digam alguma coisa, há gente daqui que gostava de conhecer pessoalmente -havendo tempo- ou então enviem sugestões sobre o que se pode fazer em Lisboa na segunda quinzena de Junho, com um Campeonato Europeu de futebol pelo meio.

De qualquer forma, a única coisa que espero destas duas semanas é aprender muito e divertir-me mais. 😉

From next monday, and for about two weeks, i’ll be in Lisbon to attend to a Online Journalism Workshop, promoted by the UT – Austin. Professor Rosental Alves will be lecturing, and for what i’ve seen of the syllabus that he sent to the 12 chosen it seems to me that is going to be really great.

So, during the following days there will be fewer posts, and the ones i’ll write will be related with the workshop, to share with you what i’m learning and doing.

If by any chance you are around those parts, let me know, there are some of you that i’d like to meet in person – if i have the time – or send your suggestions on what can i do in Lisbon in the second fortnight of June, with a Euro Cup in between.

Anyway, the only thing i expect from these two weeks is to learn a lot and have even more fun. 😉

Syllabus:

O propósito deste workshop é preparar estudantes para trabalhar como jornalistas em sítios de notícias da Internet e/ou desenvolver actividades académicas relacionadas com o impacto das tecnologias digitais no jornalismo.

Durante este seminário, vamos estudar os efeitos da Revolução Digital sobre a prática e o consumo do jornalismo, a partir das experiências de diferentes países e comunidades. Entre esses efeitos, vamos examinar o surgimento e a evolução do jornalismo online; a busca de novas narrativas jornalísticas que aproveitem características da World Wide Web, como a hipertextualidade e a multimídia; fenômenos contemporâneos, como os blogs e as redes sociais; a transformação das audiências passivas da era industrial em redes ou comunidades ativas; o conteúdo gerado pelos usuários (o fenômeno Pro-Am); novas práticas como crowdsourcing e database journalism; a ruptura dos modelos de negócio da mídia tradicional e a tentativa de criar novos modelos; etc.

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13
Jun
08

A redacção transparente | The transparent newsroom

O Spokesman-Review já foi referido por aqui algumas vezes como um bom exemplo de para os jornais modernos. Desta vez trago-vos um video que mostra a sua filosofia de “redacção aberta”, e como lidam com isso. E ouçam bem o que eles dizem.

I already talked about The Spokesman-Review more than once as a good example for modern newspapers. This time i’m bringing you a video that shows their “open newsroom” philosophy, and how they deal with that. And really listen to what they say.

The Spokesman-Review is a transparent newsroom.What i mean by that is that we are a newsroom that’s open to our community, our doors are open, our processes are open, our decision making is open. And the transparent newsroom is a response to something i used to call “fortress newsroom”, that is a newsroom in which our journalists associated only with other journalists, where objectivity was defined by separation, by distance from community, where we really didn’t worry too much about the consequences of the work that we performed. Transparent Newsroom is the opposite of that. We invite public, we invite citizens into the newsroom and into our conversations, and even to our decision making process. Our goal is very simple: we think we can help improve our credibility in the community by involving citizens interactively. And the internet has provided this vast array of tools that we have never had available to us before to achieve this.

Steven Smith, editor Spokesman-Review

Aqui | Here

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12
Jun
08

SuperMedia: Entrevista com Charlie Beckett

“Este livro é o meu manifesto para os media como jornalista e também como cidadão do mundo. Como jornalistas estamos sempre a ouvir dizer como os meios de comunicação têm um poder enorme para moldar a sociedade e acontecimentos, para mudar vidas e a história. Então porque é que a nossa sociedade é tão descuidada em relação ao futuro do jornalismo?” [1]

Saving JournalismEsta é a apresentação que Charlie Beckett faz do seu livro “SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World (Wiley-Blackwell, 2008 ), onde questiona os principais desafios colocados à prática jornalística nos nossos dias, e a sua influência na manutenção de sociedades democráticas e livres.

Charlie Beckett é jornalista, com 20 anos de carreira na BBC e na ITN, e é também Director do POLIS, um think tank sobre o jornalismo e sociedade na London School of Economics. “SuperMedia” é uma obra que vem compilar e estruturar várias linhas de pensamento sobre o futuro do Jornalismo, mas onde Charlie Beckett apresenta a sua ideia de jornalismo como um serviço essencial às sociedades contemporâneas, e como as mudanças na indústria de informação, para além de inevitáveis, são necessárias.

Coloquei algumas questões a Charlie Beckett sobre o seu livro, e com a ajuda de alguns excertos, vamos tentar perceber porque é tão importante salvar o jornalismo.

_______________________________

“Estimo que tenhamos cinco anos – talvez dez – para salvar o jornalismo para que o jornalismo possa salvar o mundo.”

Porque é que o Jornalismo está em perigo? Para Beckett, as causas são uma “mistura de pressões económicas, repressão política ([em] sítios como África, Rússia etc) e a atenção do público a alternativas em novos média”.

Os media tradicionais mantiveram inalterada a sua relação com o público nas últimas décadas, o que parecia resultar bastante bem, mas com o advento das novas tecnologias essa relação alterou-se, e a indústria das notícias parece estar a ter algumas dificuldades a adaptar-se às novas circunstâncias. Coloquei a Charlie Beckett uma questão que ele mesmo levantou no seu livro: “O que é que se passa de errado com o negócio dos média?” “É demasiado formalista, demasiado fechado, demasiado limitado.” De facto, as dificuldades e os receios aumentam no seio da indústria das “árvores mortas”: redução nos lucros, nas tiragens, no pessoal, e a dificuldade de muitos profissionais em abraçarem as novas formas de comunicação. Apesar de tudo, a função do jornalismo mantém-se: informar. E a circulação de informação em liberdade permite um maior conhecimento da realidade que nos rodeia, e a interagir mais eficazmente com ela. Mas durante muito tempo, o jornalismo assumiu um papel de mensageiro ao qual não se pediam contas.

E qual é esse papel hoje em dia? “O Jornalismo tem muitos papéis: é entretenimento, vigilante, informador, fórum, mediador económico e mais. As sociedades com meios de comunicação abertos e prósperos parecem ser mais ricas e melhor ajustadas”.

No cerne do processo noticioso estão os jornalistas, uma classe mal vista pela maioria dos cidadãos. Sob uma perspectiva tão pessimista em relação ao papel que eles desempenham, perguntei se os jornalistas se tinham esquecido das suas responsabilidades: “Claro que não”, diz Beckett, “mas a prioridade do jornalista é fazer o seu trabalho em condições. Os jornalistas e as suas organizações devem considerar responsabilidades mais vastas, mas cada um vai defini-las de forma diferente. O Networked Jornalism permite ao público colaborar nessa definição e então partilhar as responsabilidades”.

Networked Jornalism – Jornalismo Interligado

O conceito apresentado por Charlie Beckett no seu livro é o de Networked Journalism, que se poderá traduzir por Jornalismo Interligado. Como ele explicou na BBC “ Os Networked Journalists partilham o processo noticioso com o público logo desde o início: da recolha de informação à sua distribuição, de forma activa, participativa.”[2]

Em poucas palavras, Beckett descreveu-mo como uma “mudança profunda na prática jornalística que desafia as noções básicas do jornalismo tradicional. Sintetiza as funções de edição, reportagem e apresentação com muito maior envolvimento do público ao longo do processo.”

Desde que tenha acesso a um computador ou um telemóvel, qualquer elemento do público pode colaborar com os jornalistas através do jornalismo do cidadão, wikis, blogs, e contribuir com conteúdos multimédia. Ou então, apenas recostar-se e apreciar os resultados desta colaboração. Isto implica novas perspectivas sobre a agenda noticiosa, e o seu alargamento, que aumenta com cada pessoa que participa. Esta sinergia pode recuperar a confiança pública no Jornalismo, e um aumento no conhecimento dos meios de comunicação sobre os seus públicos: “As pessoas estão cada vez mais cépticas [em relação ao Jornalismo] mas isso pode ser uma coisa positiva. Os Velhos Media não levavam o seu público a sério porque nunca foram ao seu encontro”. Mas a participação de amadores no processo jornalístico levantou a questão da qualidade dos conteúdos. Para Charlie Beckett esta questão não se aplica: “Existe muita porcaria nos media corporativos.”

Outro dos assuntos mais discutidos é como os Novos media podem gerar receitas: “É uma pergunta demasiado difícil! Se soubesse a resposta estaria muito rico.”

Temos assistido a exemplos práticos desta evolução: a rapidez como o terramoto de Sichuan foi reportado na net, a democratização de conteúdos multimédia, o desenvolvimento de redes sociais e comunidades virtuais, etc. Mas mais do que uma evolução tecnológica, o Networked Journalism é uma filosofia: “(…)é o regresso a algumas das mais velhas virtudes do jornalismo: pôr a redacção em contacto com o mundo; ouvir as pessoas; dar uma voz às pessoas nos media; entrar em diálogo com o público. Mas tem o potencial de ir mais longe do que isso na transformação da relação de poder entre os media e o público, e na reformulação os meios de produção jornalística”.[3]

Esta multiplicação de formas de comunicação implica que haja muito mais informação do que anteriormente, onde cada indivíduo se pode expressar seguindo a sua própria agenda. Disse a Charlie Beckett que a paisagem dos media parece um espelho partido, com diferentes plataformas em media diferentes, para públicos fragmentados usando diversas aplicações. “O que está errado com diversidade e diferença e distância? Geralmente uma maior participação pública promove uma maior expressão e mais conectividade.” Entre as pessoas, e entre os públicos e os meios de comunicação. Serão os novos órgãos de comunicação interligados os pólos agregadores de comunidades? “Sim – mas também poderão estar à margem ou fora das comunidades. O Networked Journalism funciona naturalmente melhor quando apoiado por grupos de pessoas, mas essas comunidades podem não ser geográficas.” A geografia que nos aproxima agora é a dos conceitos, dos gostos, das ideias.

No seu livro, Beckett descreve longamente como os media interligados podem influenciar a consciência política dos cidadãos e dos media principais quando alertam para assuntos que normalmente ficariam escondidos debaixo da pilha noticiosa, que enche as redacções diariamente. O Networked Journalism permite uma reformulação da agenda informativa, abrindo espaço para notícias que são importantes para pequenas comunidades, ou para a sociedade em geral, mas das quais está alheada por não ter informação suficiente. O exemplo maior que Beckett usa é o continente africano: como é que sociedades com poucos recursos económicos, défices educacionais e democráticos, e uma baixa taxa de penetração de novas tecnologias pode beneficiar com o Networked Journalism? África não tem uma cobertura de Internet desenvolvida mas na maioria dos países há estruturas que permitem uma boa cobertura celular. A participação de vozes independentes na construção de uma imagem informativa de África, gerada longe das pressões governamentais, dá-nos de certeza perspectivas mais esclarecedoras do que a que nos é fornecida pelos media do aparelho de estado, ou por correspondentes que não podem chegar a todo o lado. Com a facilidade de disseminação de informação através de aparelhos móveis, África pode se tornar no perfeito campo de testes para o Networked Jornalism. “Não é o campo de testes perfeito. Eu digo que é o teste final, porque tantas vezes os velhos media falharam em África, que o Networked Journalism oferece uma nova oportunidade que pode ser baseada na própria experiência e capacidade africanas.”

Mas será este um caminho sem riscos? O poder do Networked Journalism é o de influenciar as vidas das pessoas comuns, mas haverá perigos nesta forma de fazer as coisas? “E quem são as pessoas ‘comuns’? Eu honestamente não vejo perigos reais nas tendências dos novos media que não sejam comuns aos perigos postos pelos velhos media. As pessoas vão continuar a ser desonestas, parciais e gananciosas tanto online como offline, eu não penso que os novos media apresentem quaisquer novas ameaças comparados com os velhos media.”

Os Hiper Jornalistas

Há vantagens claras em abraçar os Novos Media: são baratos, rápidos, mais eficazes, e o seu potencial é quase infinito. No entanto, existe ainda muita desconfiança. “As pessoas resistem sempre à mudança. Os Novos Media implicam aprender truques novos. Alguns postos de trabalho vão desaparecer. E como desafiam os conceitos do velho Jornalismo, algumas pessoas acham-nos ameaçadores.”

E que procedimentos padrão deverão ter os novos jornalistas no seu dia a dia? “NÃO deverão haver procedimentos padrão. Isso é uma ideia antiquada.” No seu livro, Beckett defende que a versatilidade e capacidade de adaptação do jornalistas são as características mais importantes dos profissionais da comunicação do futuro, não só às novas tecnologias e características do mercado, mas também na sua relação com os utilizadores. Os jornalistas do futuro devem saber utilizar as redes sociais em seu favor, criar e distribuir as notícias em vários formatos, e saber gerir as contribuições dos utilizadores antes, durante e depois da publicação da informação.

Para Beckett, o “jornalismo gosta de pensar que é um super-herói quando na realidade é o Clark Kent”[4]. Os super poderes do jornalista encontram-se na sua capacidade de colaborar com o público, mas isto não significa que o papel dos jornalistas se tornará mais precário: “O jornalista continua a ser necessário, porque precisamos de filtros, editores e apresentadores, mas eles vão ter também que se tornar facilitadores, conectores, possibilitadores. É um trabalho ainda mais complexo e interessante, e igualmente vital.” Este aumento na complexidade da prática jornalística torna o jornalismo mais fiável, melhor? Beckett pensa que “será tão fiável como as pessoas que o fazem. ‘Melhor’ é uma palavra muito subjectiva. Mas sim, acredito que a participação do público eleva os padrões por aumentar os recursos.”

A própria formação dos Hiper-Jornalistas para a realidade dos SuperMedia deverá ser “mais multi-especializada e mais dirigida para a resolução de problemas, para promover a arte de envolvimento criativo com o público, em vez de passar meses a copiar os jornalistas do passado.”

Só que a relação dos jornalistas com elementos estranhos às redacções não tem sido fácil. Beckett debruçou-se extensivamente sobre a relação dos jornalistas com outra classe emergente, os bloggers, que parecem viver fora das regras impostas aos jornalistas, e que rapidamente se impuseram como distribuidores de informação. Terão os bloggers hoje em dia tantas responsabilidades como os jornalistas, e deverão eles ter o seu próprio código de conduta? Ou será a qualidade do seu trabalho a verdadeira reguladora dessa actividade? Beckett acha que os bloggers não precisam de um código ético: “A maioria dos jornalistas ignoram quaisquer códigos que possam ter. A garantia de qualidade ou fiabilidade assenta na diversidade, na responsabilidade, e isso vem com o Networked Journalism.”

Aliás, todos nós podemos ser jornalistas. Para Beckett, jornalistas são “pessoas que informam, analisam, comentam eventos ou assuntos para outras pessoas consumirem.” E é nos cruzamentos destas relações que se cria a SuperMedia.

O Desafio SuperMedia

“Supermedia” é ela mesma uma obra interligada. Charlie Beckett recorreu às ideias de Paul Bradshaw, Jeff Jarvis, Jay Rosen e outros pensadores dos novos media – para além de referir personagens que activamente afectaram essa realidade – para fundamentar e desenvolver os seus próprios conceitos.

O que sobressai é uma perspectiva optimista (pelo menos é o que me parece, apesar do pressuposto tenebroso sob o qual se apresenta), e fornece indicações práticas sobre como se podem e devem desenvolver os meios de comunicação, desde os corporativos aos pessoais. É uma obra fundamental numa época de transição e definição do que é o jornalismo, para que serve e para quem serve. Enriquecido com a perspectiva do autor sobre a importância social dos media, é o resumo perfeito de várias correntes de pensamento sobre quais caminhos a indústria e o público poderão seguir no futuro. Não é um livro complexo nos conceitos, mas nas suas implicações, e creio que se tornará num excelente guia para profissionais e estudantes de comunicação, para a compreensão de como se passa da uma comunicação de sentido único, corporativa e limitada, para uma outra, relacional, personalizada, comunitária. E as questões que levanta não terão necessariamente uma só resposta.

Acima de tudo, Beckett defende que a notícia é um serviço, não um produto, logo o interesse público está acima de todos os outros. É uma estranha forma de liberalização de algo que precisa de ser de todos e que deverá servir o bem comum.

Como ele diz no livro, “o jornalismo pode ser uma força maior para o Bem”. Perguntei-lhe se essa “missão, caso a aceitemos”, é possível: “Claro que tudo é possível. Mas é uma escolha. Nós temos os media que criamos.”

Podem comprar SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World aqui, ou fazer o download dos três primeiros capítulos no site do POLIS.


[1] Beckett, SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World (Wiley-Blackwell, 2008 )

[2] em entrevista ao programa de rádio Night Waves da BBC3, 2 de Junho 2008




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