Arquivo de Fevereiro, 2008



20
Fev
08

Crowdsourcing Inc.

Crowdsourcing: A Definition

I like to use two definitions for crowdsourcing:

The White Paper Version:Crowdsourcing is the act of taking a job traditionally performed by a designated agent (usually an employee) and outsourcing it to an undefined, generally large group of people in the form of an open call.

The Soundbyte Version: The application of Open Source principles to fields outside of software.

O Ebbsfleet United é um modesto clube de futebol das divisões secundárias de Inglaterra, um entre tantos outros. Mas a diferença, é que, em vez ter um magnata russo como dono, tem 28,250 proprietários, espalhados por 72 países.

A ideia nasceu num site criado por Will Brooks, chamado MyFootballClub, que assentava no princípio de que se milhares de pessoas pudessem contribuir com uma pequena quantia, poderiam adquirir um clube de futebol e geri-lo. O negócio ficou a 35 libras por participante.

Esta é a mais recente e vistosa acção de crowdsourcing e provavelmente a primeira de cariz corporativo. Quando muitos se questionam sobre a sobrevivência dos jornais, não pude deixar de pensar sobre o que aconteceria se houvesse um movimento semelhante para comprar uma das tantas empresas de comunicação à beira da falência que andam por aí.

O conceito seria muito semelhante ao MyFC : abriam-se inscrições para futuros mini-William Randolph Hearsts e fazia-se uma lista de empresas-alvo. Depois de decidida a compra e feita a aquisição, passávamos à parte de gestão. O que se iria decidir logo a início seriam as questões de fundo: grafismo, software (open source sempre que possível para cortar nos custos), linha editorial (nada de imposições à la carte!), formatos de conteúdos – investimento em new media, claro- , escolha da equipa redactorial, preços para publicidade, etc. Tudo de forma a manter a liberdade e o profissionalismo dos jornalistas intactos.

Na gestão contínua do nosso jornal (rádio,tv,site noticioso) , os vários “editores” iriam escolher sobre os temas que gostariam de ver em destaque, que personalidades seriam entrevistadas, tudo a partir de propostas do corpo de jornalistas, o que criaria um espírito mais empreendedor dentro da redacção. Seria criado também um blog onde todas as opções e reportagens seriam comentadas pelos múltiplos donos.

A esta altura alguns de vocês estão a abanar a cabeça e a dizer que apanhei demasiado sol na cabeça, mas pensem desta forma: tirando o conceito de propriedade e de gestão logística da empresa, is já está a acontecer . Os media sempre foram ao encontro não só do que o público precisa de saber, mas do que quer saber, e a internet permite aos utilizadores fazerem as suas escolhas e aos editores adequarem o seu conteúdo às preferências do seu público.

Soa a vendido, eu sei, mas estamos a falar de um negócio. E quantas histórias surgem a partir de dicas de leitores ou das suas próprias experiências? E o que faz um consumidor quando se deixa de identificar com um produto? Além disso, imaginem que o Ebbsfleet United não é um clube de futebol mas um jornal médio. Um jornal com quase 30 mil leitores garantidos- os donos- fora os familiares e amigos e todos os outros que já iriam comprar o jornal,fosse como fosse. Se quiserem vender espaço para publicidade podem acenar com estes números. Não me parece muito diferente de uma assinatura anual…

E que melhor forma de saber o que o público precisa entregando a edição(em linhas muito gerais) ao próprio público? A transparência aumentaria, já que as relações privilegiadas entre proprietários de media e empresários, partidos, governo, não existiriam. Se houvesse algum favorecimento ou má conduta, as reacções seriam públicas, pois todos participam e todos podem discordar. As possibilidades de compadrio estariam diluídas.Falando de dinheiro, o Ebb.United custou um milhão de libras. Quanto custa um jornal?

As possibilidades da gestão comunitária já foram pensadas há muito mas não tendo em conta o potencial da internet. Experiências como o MyFC vêm levantar novos conceitos de negócio, cidadania e comunidade.

Crowdsourcing ou crowdbossing?

Ebbsfleet United is just one out of the many small-sized minor british league football clubs. But what sets it apart is that, instead of having one russian tycoon for the owner, it has 28,250 owners, scattered through 72 countries.

The idea was born on a website created by Will Brooks, which was called MyFootballClub. It sat on the principle that if thousands of people could contribute with a small fee, they could buy a football club and manage it. The deal was settled by £35 each.

This is the latest and more noticeable crowdsourcing action, and probably the first one with corporate characteristics. When many wonder about the survival of newspapers, i just couldn´t help thinking of what would happen if there was a similar movement to buy one of the many near bankrupt media companies around.

The concept would resemble to MyFC : future mini- William Randolph Hearsts could sign in, and a target-company list would be made. After choosing and acquiring the most suitable one, we would go right to management. First decisions would be taken on general matters : design, software (open source whenever possible to cut expenses), editorial direction (no a la carte imposings!), content formats – new media investment, of course- , selection of the news team, publicity prices, etc. All in a way that would keep the journalists liberty and professionalism untouched.

On the daily management of our newspaper (radio, tv, news website, whatever…), the several “editors” could choose which issues they would like to see in the headlines, which personalities would be interviewed, all of this out of suggestions from the news team, which would create a more enterprising spirit in the newsroom. A blog would also be created, where all the stories and options were commented by the miriad of owners.

 

By now, some of you are thinking that i totally lost my mind, but take a look at it this way: apart from the property concept and the enterprise’s logistic management, this is already happening. Media always met what the public needs to know, but also what it wants to know, and the internet allows users to express their choices, and the editors to adjust their content to the public’s preferences.

 

It sounds like selling out, i know, but this is a business we’re talking about. And how many stories come from readers tips or from their own experiences? And what does a consumer do when he no longer identifies with a product? Besides, imagine that Ebbsfleet United is not a small football club, but a midsized newspaper. A newspaper with almost 30 thousand guaranteed readers- the owners- not counting with their relatives and friends, and the whole lot that would buy the newspaper anyway. If you need to sell a publicity slot you can wave these numbers around. It really doesn’t sound that different from a anual subscription…

And what better way to know what the public needs than by handing the edition (in general guidelines) to the public itself? Transparence would increase, since the priviledged relationships between media owners and business men, political parties, government, wouldn’t exist. If some sort of favouring or misconduct would ever occur, the management reactions would come out in the open, because everyone can participate and disagree. The chances for protection woud be diluted. Talking numbers, the Ebb.United cost one million pounds. How much is a newspaper?

The possibilities for community management were thought long ago, but without considering internet’s potential. Experiences like MyFC come to raise new concepts for business, citizenship and comunity.

So, crowdsourcing or crowdbossing?

Mais sobre crowdsourcing | More on crowdsourcing

Crowdsourcing @ Wikipedia

Chapter Two: The Rise of the Amateur

What Does Crowdsourcing Really Mean?

19
Fev
08

Links

3 artigos que discutem como se devem usar os links nos textos noticiosos. Paul Bradshaw já tinha lançado a discussão há alguns dias, mas Robert Niles, editor da Online Journalism Review também tem as suas ideias. John Burke explica como as hiperligações podem mudar o estilo de escrita dos jornalistas. Linkei tudo bem?
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3 articles that argue on how to use links on news stories. Paul Bradshaw had already launched the debate a few days ago , but Robert Niles, editor of the Online Journalism Review has also his ideas. John Burke explains how hyperlinking could change the writing styles of newspaper journalists. Is this all linked by the book?

 

Links

Tips on effective hyperlinking from Online Journalism Review editor

Linking – within the story or after?

How, and where, to hyperlink within a news story

Hyperlinking could change the writing styles of newspaper journalists

 

19
Fev
08

Novo site | New website : alexgamela.com

alexandre-gamela-jornalista-new-media-new-media-journalist.png

 

Nestes últimos dias estive a terminar os sites para colocar o meu currículo e o meu portfolio. Se quiserem dar uma espreitadela e dizer o que pensam, e o que eu posso melhorar agradecia. A versão inglesa ainda precisa de uns retoques, assim como o meu cv. Deixem as vossas sugestões ou questões por aqui. Obrigado.

In these last few days i’ve been finishing my resume and portfolio websites. If you want to take a look around and say what you think on how can i improve the, i’d be much appreciated. The english version still needs a makeover, as does my resume. Leave your questions and suggestions around here. Thank you.

19
Fev
08

Visto daqui | As seen from here

A França tem atravessado nos últimos anos algumas situações de conturbação social. Pelo meio, têm sido várias as entidades que ficaram mal vistas perante o público, especialmente entre as populações dos bairros mais pobres. Os jornalistas também sofreram contestação por causa da forma como fizeram a cobertura dos distúrbios ocorridos em várias partes do país.

Jérôme Bouvier, presidente da associação Jornalismo e Cidadania, decidiu criar um site que permita restabelecer a confiança entre os habitantes desses bairros e os meios de comunicação, já que a realidade dos banlieues está completamente afastada dos olhares da maioria dos profissionais dos media.

ideia é mostrar o mundo nesses – e a partir desses – bairros.

France has been going through some social turmoil in the last few years. Meanwile, some entities were poorly considered in the eyes of the public, specially among the poorer neighborhoods population. Journalists too suffered the disproof over the way they covered the riots occured in several parts of the country.

Jérôme Bouvier, president of the Journalism and Citizenship association, decided to create a website that allows the reinstatement between the inhabitants of those neighbourhoods and the media, since the reality of the banliueues is far away from the sight of most journalism professionals.

The idea is to show the world in – and from- such neighbourhoods.

C’est l’expérimentation d’une nouvelle forme de journalisme participatif, qui associe les habitants des quartiers à des journalistes volontaires. C’est aussi un exercice de démocratie locale inédit, dans la perspective des élections municipales de mars 2008. Deux objectifs : – permettre aux habitants de dire leur quotidien, leurs espoirs, leurs engagements, – proposer une information de qualité inscrite dans une démarche journalistique d’enquête et de vérification. Une occasion unique, aussi, de changer de regard sur les quartiers.

France: new site brings journalists and unprivileged citizens together

vudesquartiers.journalisme.com

18
Fev
08

Queixem-se | Complain

Why are you angry today?

Tell us what’s making you upset at your journalism job.
Anonymity guaranteed. One rule: no real names.

O editor está sempre a implicar com as vossas vírgulas? Têm que descer 3 andares para ir fumar para a chuva? A rede sem fios da empresa está sempre a crashar?

Ou em termos mais portuguesinhos:

Não vos pagam a horas? O patrão só vos dirige a palavra para falar mal do vosso trabalho? Por mais que trabalhem têm a impressão que estão a dois passos de ir para rua? Então queixem-se. Em inglês mas se houver alguma alma caridosa que o faça em português, há uma nação de gente a ressacar de nicotina que agradece.

Is your editor always arguing about your commas? Do you have to go down three floors just to have a smoke in the rain? Is the company’s wirelless network crashing all the time?

Or in more portuguese terms:

Aren’t you being paid on time? Does the boss only talks to you to speak ill of your work? No matter how hard you yourk you always get that feeling you’re one step away of unemployment? So complain. In english, but if there’s a charitable soul who can do the same in portuguese, a nicotine hungover nation would appreciate it.

17
Fev
08

Papel e Caneta | Pen and Paper

pen-paper.jpg

Eram estas as ferramentas essenciais de qualquer repórter. Isso e alguma desfaçatez e perspicácia. Mas a tecnologia abriu novas possibilidades e criou novas exigências aos jornalistas. Dave Lee actualizou a lista de itens necessários ao jornalista actual. Tudo porque palavras não chegam.

Se precisarem de mais ferramentas para ajudar no vosso trabalho, espreitem o meu post sobre software open source para usar na redacção.

These were the essential tools for any reporter. That and some boldness and wit. But technology opened new possibilities and created new demands to journalists. Dave Lee updated the list of items that every today’s journalist must have. All because words are not enough.

If you need more tools to help you in your work take a look at this post about open source software to use in your newsroom.

Ler aqui|Read here: Is that a Student Journalist Multimedia Survival Kit in your pocket?
16
Fev
08

Desistir | Giving up

Gaping Void giving up blogging

Copyright © Gapingvoid www.gapingvoid.com

 

16
Fev
08

Opções Multimédia | Multimedia Options

Como apresentar a nossa história? Deixem-me contar as maneiras. Mindy McAdams caracteriza os vários formatos disponíveis, para que possamos escolher os suportes mais adequados à nossa reportagem.

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How to tell our story? Let me count the ways. Mindy McAdams described the different available formats, so we can choose the most suitable support for our news story.

Links : Cheat sheet for multimedia story decisions | Online Media Types

 

Video

  • Seeing / hearing directly
  • Motion / action
  • Audio & video complementary; puts you there at the scene
  • Experiential
  • Present tense

Text

  • Depth
  • Context / background / analysis
  • Low-tech — produce it anywhere, distribute anywhere
  • Literary
  • Links
  • Conversation
  • Fast & flexible
  • Cheap
  • Multi-platform “as is” — no conversions, no incompatibility

Photo

  • Stops time (viewer can study it)
  • Saleable (profits)
  • Fast to be absorbed
  • Sense of truth-telling
  • Can be complementary or stand-alone
  • Language-free (needs no translation)
  • Less expensive than other media (except text)

Audio

  • Theater of the mind
  • Hear it for yourself
  • Fast info about a speaker (personality, region, age; subtext)
  • Listen while multi-tasking
  • With or without narration (to add facts)
  • First-person
  • Verisimilitude

Audio slideshows

  • Layered still images and sound
  • Requires input from the user (McLuhanesque “cool media”)
  • Mood, emotions, feelings
  • Pulling two disparate things together (whole is greater than sum of parts)
  • Takes advantage of the still photo approach
  • Expands on traditional picture story

Data

  • Interactive
  • Personalized information (news near you; facts that directly affect your life)
  • Verifies
  • Relational (this plus that)
  • Long shelf life
  • Reference (go back again)

Graphic

  • Visualize complex information
  • Easy to digest
  • Comparisons
  • Spacial understanding
  • Chunk the info (into pieces, parts, or sequences)
  • See the unseeable (e.g., inside human anatomy)


 

14
Fev
08

Regresso ao passado

Aproveitando o post News online: Then and now, cá vai uma versão portuguesa sobre como eram os sites de jornais e rádios nos anos 90, usando essa máquina do tempo que é a Wayback Machine. Algumas das imagens não aparecem, mas dá para perceber a estrutura que se usava nos sites, na altura. Se tiverem mais links ou imagens a recordar os primórdios dos sites de informação portugueses, partilhem. E por acaso sabem se alguém fez algum tipo de trabalho arqueológico sobre o assunto?

Antes

 

Jornal de Noticias

 

 

 

 

Hoje

Logo

 

Jornal de Not�cias

 

TSF Online

 

13
Fev
08

Quais são as vossas fontes? | Who are your sources?

Nick Davies do Guardian publicou um livro onde diz que os media recorrem em demasia às agências noticiosas

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Nick Davies from the Guardian wrote a book where he says media use newswire too often

 

 

A polémica estalou no Reino Unido com a publicação do livro Flat Earth News de Nick Davies, jornalista do Guardian. Segundo Davies “muita gente acredita que o jornalismo britânico está corrompido. Eu concordo com eles”.Para este livro, Davies centrou as atenções para as redacções do Sunday Times, The Observer e do Daily Mail, e as conclusões que retirou foram que há poucos repórteres, os que existem escrevem demasiadas notícias, e raramente se encontram com as fontes originais, o que leva ao uso e abuso de notícias escritas por agências noticiosas e press releases. Para Nick Davies, o trabalho do jornalista actual está destinado ao fracasso:

“O nosso trabalho como jornalistas é contar a verdade, mas repetidamente fracassamos. Desde as grandes mentiras globais sobre arma de destruição maciça e bugs do milénio ao pingar diário de rotinas de desinformação e distorção, nós fornecemos histórias que não são muito melhores do que a ideia de que a Terra é plana (…) Onde outrora fomos colectores activos de notícias, passámos a ser processadores passivos de material em segunda mão gerado pela indústria em crescimento de RP e uma mão cheia de agências noticiosas, muito do qual invade as nossas histórias sem a devida verificação.”A culpa é atribuída aos cortes no pessoal. Será a terra realmente plana?Serão a maioria dos jornalistas recolectores?

As reacções dos jornais e da Press Association não se fizeram esperar.

Controversy cracked in United Kingdom with the publication of Flat Earth News by Nick Davies, journalist of the Guardian. According to Davies “A lot of people think that British journalism is corrupted. I agree with them.” For this book Davies focused his attentions to the Sunday Times, The Observer and Daily Mail’s newsrooms, and the conclusions he reached were that there are not enough reporters, and those who exist write too many stories, and seldom meet face to face with the original sources, which leads to the use and abuse of newswire and press releases. For Nick Davies, the journalists work is destined to fail:

“Our job as journalists is to tell the truth, but repeatedly we fail. From the great global falsehoods on weapons of mass destruction and millennium bugs to the daily dribble of routine disinformation and distortion, we serve up stories which are no better than the idea that the Earth is flat. (…) Where once we were active gatherers of news, we have become passive processors of second-hand material generated by the booming PR industry and a handful of wire agencies, most of which flows into our stories without being properly checked.” Staff cuts are to blame. Is Earth really flat? Are most journalist mere gatherers?

 

Newspapers and Press Association’s reactions were quickly didn’t took long.

Links:

Nick Davies: ‘Churnalism has taken the place of what we should be doing: Telling the truth
‘PA can deliver an accurate record of what is said – but is it always the truth?’
Davies turns his fire at PA

 

Em Portugal

Em Portugal, será a situação semelhante? Escolhi uma notícia de interesse nacional e fui à procura dela em várias edições online. Comparem as várias versões.

PortugalDiário ; DiárioDigital ; SIC Online ; TVNET ; Sol ; Público ;

O trabalho das agências noticiosas é muito importante, mas até que ponto estão as empresas de comunicação a deixar-se transformar como agregadores de informação? Comentem.




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