20
Ago
07

Recibos Verdes, reportagem e entrevista


Há alguns meses atrás pensei fazer uma reportagem sobre recibos verdes e as suas vantagens e desvantagens. No entanto, e por várias razões, nunca avancei com o projecto. Na altura em que iniciei os contactos para investigar sobre o assunto, falei com os criadores do FERVE (www.fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com), que atenciosamente me foram pondo a par das suas iniciativas. Neste último email que me enviaram, pedem testemunhos para uma reportagem, e, já que não fiz a minha, divulgo aqui o apelo:

“Povo que trabalhais a recibo verde ou afins:

Recebemos um contacto da Sarah Adamopoulos, jornalista freelance, que está a fazer uma reportagem sobre precariedade laboral.

Precisa de contactos de pessoas que estejam a trabalhar a recibos verdes e que estejam dispostas a dar o seu testemunho (anónimo ou não), preferencialmente no eixo Lisboa-Coimbra.

Podem enviar os vossos contactos para o FERVE (grupoferve (at) gmail.com) ou então podem falar directamente com a Sarah através do endereço de correio electrónico sarah.adamo (at) gmail.com .

Contamos convosco para continuar a dar visibilidade aos recibos verdes, seja no Estado seja no sector privado!

Pelo FERVE;

Cristina Andrade”

 

No início da minha própria reportagem, fiz uma e-entrevista à Cristina Andrade, onde ela explica o que é o FERVE.

-Como surgiu a ideia de criar o FERVE e de onde vêm as pessoas que
fazem parte deste movimento?

“A ideia partir de mim e do André Soares. Surgiu por sentirmos que esta questão dos falsos recibos verdes tem que começar a ser falada. Consideramos que é necessário dar a conhecer esta situação, criar massa crítica em torno dela. Como tal, criámos o blog, falámos com alguns amigos e o grupo foi-se formando. A palavra espalhou-se, também com a ajuda da comunicação social, e outras pessoas foram entrando em contacto connosco.”

-Quais são os maiores constrangimentos causados aos trabalhadores pelos recibos verdes?

“Precariedade constante. Iminência de desemprego a qualquer instante. Impossibilidade de usufruir de subsídio de desemprego, de Natal ou de férias. A estes factores acresce a instabilidade individual sentida por cada um/a do ponto de vista pessoal e psíquico.”

-Qual tem sido a reacção das pessoas que entram em contacto com
vocês, e que tipo de casos têm surgido?

“Têm-nos surgido os mais diversos relatos, referentes às mais variadas áreas: professores do enriquecimento curricular, formadores/as, profissionais dos Centros Novas Oportunidades, funcionários do Teatro São João, no Porto, trabalhadores da função pública em geral, fisioterapeutas, operadores de câmara da RTP, manipuladores dos bonecos do Contra-Informação, professores/as universitários… isto só para citar alguns…”

-Quem são os culpados desta situação?Há alguma justificação para que
isto aconteça?

“Em primeiro lugar, todos/as nós, enquanto sociedade civil. Esta situação começou, alastrou-se e mantém-se porque permitimos que assim seja. Por outro lado, esta situação é extremamente conveniente para quem contrata: não assume qualquer compromissos perante o trabalhador/a. E nesta situação, cria-se um clima de medo generalizado pela reivindicação de direitos laborais, adquiridos ao longo de décadas, com muita luta.”

-Para já o ferve é um blog. Existem planos para ser algo mais?

“Não somos ‘só’ um blog. Somos pessoas, reunimo-nos e fazemos actividades. Ponderamos a hipótese de podermos assumir outra configuração mas, por agora, somos e mantemo-nos um grupo de pessoas às quais se juntam pessoas que querem lutar por esta causa.”

O Ferve desde então desenvolveu várias iniciativas, desde uma apresentação de Teatro do Oprimido a uma petição relativamente à situação dos bolseiros em Portugal, e têm sido referenciados em vários orgãos de comunicação. No blog podemos encontrar posts sobre o enquadramento legal dos recibos verdes e os seus aspectos práticos.

 

Mais do que um blog, o FERVE é um movimento cívico atento e activo perante a precariedade laboral no nosso país. Eles estão dispostos a ajudar a contar a vossa história, basta só enviar-lhes um mail para grupoferve@gmail.com.


1 Response to “Recibos Verdes, reportagem e entrevista”


  1. 7 de Julho de 2008 às 7:56 pm

    Tenho 46 anos, em 2005 fiquei desempregado. Durante 24 meses, recebi o subsidio de desemprego a que tinha direito, nunca desisti de procurar trabalho, primeiramente tentei ir ao encontro da profissão que desempenhava quando fiquei sem trabalho, depois de algum tempo sem sucesso comecei a oferecer-me para lugares menos qualificados.

    Devido à idade e ao salário que pedia durante as entrevistas nunca consegui trabalho.

    O iefp nunca se prestou a dar-me qualquer incentivo, sugestão ou mesmo ajuda (é deprimente tal instituição).

    Ao fim de 26 mêses consegui por intermédio de um conhecimento uma prestação de serviços ( encapuçada como é óbvio). Encontro-me nesta situação há nove meses e quero aqui dar o meu testemunho: há empresas a explorar portugueses e estrangeiros imigrantes pagando-lhes um ordenado miserável a troco do recibo verde, é de lamentar que os serviços da república sejam os primeiros a usar desta ilegalidade, um técnico administrativo encontra-se sempre no dominio de uma hierárquia de assalariados que quase sempre usam e abusam dos direitos das pessoas que se encontram nesta situação precária, não se confundam tºs. administrativos com dentistas e já agora srs governantes sociais democratas ou socialista ou lá o que sejam deixem de ser desonestos e aprendam a trabalhar, quero dizer GOVERNAR como Espanha, França e outros mais.


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