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20
Fev
09

#cfund debate: Wrap up | Conclusões

Debate clip

Debate clip

I can’t say that yesterday’s Twitter  #cfund debate was a huge success, but it was great to tap into the thoughts of journalists, media addicts and common users about new business models for new media. During the 10 hours of active debate we reached an average of almost 70 tweets per hour, which shows how lively it was. We didn’t come up with a solid solution for the financing problem of online media, but we sure gave a lot of suggestions. This wrap up is a mix of my interpretations and the words of all that participated in the debate. To them, my deepest thanks, they made my day.

We started by polling if people were willing to pay for news, and right from the start the no took the lead by a long distance. But, as the debate shows, users were willing to pay for special features, services, and fund investigative reporting. Soon Spot.us came up in the conversation, or wasn’t this a debate under the sign of crowdfunding. Dave Cohn’s project gathered consensus as an example of what users should be funding: independent, local reporting. In fact, local and unique content are ahead in the priorities of spending users.

But for the rest of the news, which should be the  best model to apply? Micropayments were suggested, but only if there was  a universal system, instead of an individual one that put walls around each newspaper. I found this a bit hard to apply but i can see the aim: users want it simple.  Also noted as fundamental was that the news products should take in account niches and the specifics of the community.

There were many interesting comparisons with the music industry, though some differences must be highlighted: music is a perennial product, while news have a short life span, though now expanded thanks to the infinite archive of the web. The similarities come in the way users relate to the distribution of the product, and how the solutions provided by the music industry could work for the news industry. A iTunes like system could work if it was real cheap, and -in my opinion- could be fully costumizable. You’d buy the news you want. But quickly i find many reasons for this system to fail: i don’t want to buy news like i said before, and any user could share his buy with whoever he wanted. I don’t want to give any excuses to anyone create a news RIAA…

Não posso dizer que o debate #cfund no Twitter tenha sido um sucesso estrondoso, mas foi excelente para aceder às ideias de jornalistas, viciados nos media e utilizadores comuns sobre novos modelos de negócio para os novos media. Durante 10 horas de debate activo, atingimos uma média de 70 tweets por hora, o que mostra como foi animado. Não encontrámos nenhuma solução sólida para o financiamento dos media online, mas demos muitas sugestões. Esta conclusão é uma mistura das minhas interpretações e as palavras dos que participaram no debate. A eles o meu obrigado.

Começámos com uma sondagem para saber se as pessoas estavam dispostas a pagar por notícias, e, desde logo, o não ganhou um grande avanço. Mas, como o debate mostra, os utilizadores estão dispostos a pagar por aplicações e serviços especiais, e a financiar jornalismo de investigação. Rapidamente o Spot.us surgiu na conversa, ou não fosse este um debate sob o signo do crowdfunding. O projecto de Dave Cohn reuniu consenso como exemplo do que se devia apoiar financeiramente: jornalismo local e independente. Na verdade, conteúdo local e único estão na frente das prioridades dos utlizadores dispostos a pagar.

Mas para o resto das notícias, qual será o melhor modelo a aplicar? Foram sugeridos os micropagamentos, mas apenas se houvesse um sistema universal, em vez de específicos que isolassem os jornais. Achei este modelo um pouco difícil de aplicar, mas vejo o objectivo: quanto mais simples para o utilizador melhor. A importância dos nichos de mercado e as especificidades das comunidades foram apontados como fundamentais na definição dos produtos informativos.

Houve comparações muito interessantes com a indústria musical, apesar de ser necessário destacar as diferenças: a música é um produto permanente, enquanto que as notícias têm uma vida curta, agora aumentada no arquivo infinito da web. As semelhanças surgem na forma como os utilizadores se relacionam com a distribuição do produto, e como as soluções apresentadas pela indústria musical podem resultar para a indústria de informação. Um sistema tipo iTunes podia funcionar se fosse realmente barato e o conteúdo podia ser personalizado. Compravam-se as notícias que se queria. Mas rapidamente vejo muitas razões para não funcionar: como se disse antes, eu não quero comprar notícias, e qualquer um podia partilhar o conteúdo com quem quisesse. E não quero dar desculpas a ninguém para criar uma RIAA para as notícias…

Crowdfunding

Crowdfunding

Crowdfunding as an option was widely discussed through out the debate. A system that would sit on the spontaneous,free contributions of users – or if required to fund a reporting project- is a concept pretty much well accepted by the majority of the participants. I had to ask for the pros and cons of crowdsourcing, and we found some flaws for this model, if used for certain structures.

The best part of crowdfunding is that it makes the users a part of the process, they put their money where their confidence is. But that implies the creation of valuable, trustworthy content. It’s a Darwinistic logic, only the best would survive. The cons are scale – it should work better with smaller endeavours, with a huge market. Portugal has 10 million inhabitants, so in most of the cities a crowdfunded project wouldn’t last long, but it might survive on a national level. In the American scale, things would work the other way around.   Other problem that was raised was the sustainability: how to keep the users excited and making them sending money. And like someone said, it’s hard enough to please one boss, now try to please a crowd of them. But crowdsourcing works, and that’s a fact.

We also discussed if news companies should be profit or non-profit. To depend on external endorsements is risky, and i believe that without a commercial, competitive side, the news business might lose it’s edge. Public interest was discussed, but i think all news are of public interest. Editing options define the degree of importance of a story to a specific audience, and now those options are easily costumized by users when they choose the feeds they want to get. They become the editors.

Besides, in an environment prolific in content, users will have the last word. There is a middle man that gets out of the loop, which favors freelance writers and journalists, that can work directly for their audience, skipping a whole editorial structure and even traditional publishing.

A opção do crowdfunding foi amplamente discutida ao longo do debate. Um sistema que se apoiasse nas contribuições livres e espontâneas dos utilizadores – ou a pedido para financiar reportagens – é um conceito muito bem aceite pela maioria dos participantes. Eu tive que perguntar sobre os prós e os contras do crowdsourcing, e demos com algumas falhas neste modelo, se usado em certas estruturas.

A melhor parte do crowdfunding é que inclui os utilizadores no preocesso, e eles colocam o dinheiro onde está a sua confiança. Mas isso implica a criação de conteúdo valioso e fiável. É uma lógica Darwinista, só os melhores sobreviveriam. Contra está a escala – resultaria melhor com empreendimentos mais pequenos, com um grande mercado. Portugal tem 10 milhões de habitantes, por isso na maioria das cidades um projecto apoiado em crowdfunding não durava muito, mas poderia sobreviver a nível nacional. À escala americana seria ao contrário. Outro problema que foi levantado foi a sustentabilidade: como manter s utilizadores interessados e a contribuir regularmente. E como alguém disse, já é difícil agradar a um patrão, quanto mais a uma multidão deles.

Também discutimos se as empresas deveriam ter ou não fins lucrativos. Depender de apoios externos é arriscado, e acredito que sem um lado comercial, competitivo, o negócio das notícias perderia um pouco a garra. O interesse público foi discutido, mas acho que todas as notícias são de interesse público. As opções editoriais definem o grau de importância de uma história para um público específico, e agora essas opções são facilmente assumidas pelos utilizadores quando escolhem as fontes das notícias que querem. Eles passam a ser os editores.

Além disso, num ambiente tão rico em conteúdos, os utilizadores é que têm a última palavra. Há um intermediário que sai do circuito, o que favorece escritores e jornalistas freelancers, que assim podem trabalhar directamente para o seu público, livrando-se de uma estrutura editorial e até das edições tradicionais.

More than news | Mais do que notícias

More than news | Mais do que notícias

After a while it became clear that the problem doesn’t rely on distribution only. It’s not how to make people pay that matters. It’s what they pay for. There is a whole structural matter that is not restricted to the distribution channels. It was defended that traditional media are not really trying to to create a new business model, but rather making an awkward attempt to adapt the old system to a new environment. It simply doesn’t work, the web is like the outer space, Earth rules do not  apply. Blogs are more engaged to their audience, they are more connected to the people who read them because there is a relationship. Newspapers were objects, brands, a product with untouchable people inside.Users are no longer up for it.

Another thing that struck me was the inclusion of print in the possible business models suggested in the debate. Print has an important role in the news industry, because there is still a huge amount of audience for it. It should be treated as a luxury item, and not as the thing you use to wrap your fish and chips (nudge nudge to Britain). It has been always the content that set newspapers apart. Create real good content for print, and people will buy it. Fewer people, but that is a part of the definition of niche market.

And like Steve Yelvington suggested, why are you trying  to sell just a newspaper? Widen the scope and create other products that also are journalism. How many of you bought a newspaper just because of the cartoons or the sports page, or the books that came with? Many times people bought newspapers not because of the news, but for the entertainment. So i find it hard to convince them to pay for it. Don’t charge us for  content, but for premium products. Ok, this bit is my opinion.

Overall it was a sometimes hectic but well spent day in front of the computer. I regret the fact that i didn’t had more experts and journalists to debate. War stories are always better told by those who fought in the trenches. But the debate is far from over, so we’ll hear a lot from them too. Another peculiar thing is that yesterday there was a flood of business model related posts, which meant that even without their knowledge, there was a number of people eager to participate.

I have to thank all the people that joined us yesterday, and a special thanks to João Simão, a university teacher at UTAD that is trying to make a difference, he helped organizing and hosting the debate at his website, in just a couple of days. Lets get ready for the next one.

Ao fim de algum tempo tornou-se claro que o problema não se restringe apenas à distribuição. Não é o como as pessoas pagam que interessa. É o que elas pagam. Existe um problema estrutural que não está limitado aos canais de distribuição. Foi defendido que os media tradicionais não estão a tentar criar novos modelos de negócio, mas antes a fazer uma tentativa desajeitada para adaptar o velho sistema a um novo ambiente. Simplesmente nunca vai resultar, a web é como o espaço sideral, as leis da Terra não se aplicam. Os blogs relacionam-se mais com o seu público, estão mais ligados às pessoas que os lêem, porque existe um vínculo. Os jornais eram objectos, marcas, um produto com gente intocável lá dentro. Os utilizadores estão fartos disso.

Outra coisa que me surpreendeu foi a inclusão do papel nos possíveis modelos de negócio sugeridos. O papel tem importância na indústria de informação porque ainda existe um público enorme para ele. Deveria ser tratado como um produto de luxo, e não para forrar galinheiros. Foi sempre o conteúdo que definiu os jornais. Criem um bom conteúdo para o papel,que as pessoas compram-no. Menos pessoas, mas isso faz parte da definição de nicho de mercado.

E como Steve Yelvingto sugeriu, porque é que estão a tentar vender apenas um jornal? Alarguém o âmbito e criem outros produtos que também são jornalismo. Quantos de vocês compraram um jornal por causa da BD, ou o suplemento de desporto, ou os livros que vinham junto? Muitas vezes as pessoas compravam jornais não por causa das notícias, mas pelo entretenimento. Por isso acho difícil convencê-las agora a pagar por notícias. Não nos cobrem pelo conteúdo , mas pelo produto de qualidade. Ok, este bocado é meu.

No geral foi um dia por vezes agitado mas bem passado à frente do computador. Tenho pena que não tenham participado mais especialistas e jornalistas. As histórias de guerra têm sempre mais piada quando são contadas por quem esteve nas trincheiras. Mas este debate está longe de estar terminado, por isso ainda iremos ouvir muito deles. Outra coisa engraçada foi a quantidade de posts publicados ontem relacionados com os novos modelos de negócio, o que quer dizer que mesmo sem saber, havia muita gente a cheia de vontade de participar.

Tenho que agradecer a todos os que se nos juntaram ontem, com um agradecimento especial para o João Simão, um professor universitário na UTAD que está a tentar fazer a diferença, ele ajudou a organizar e a alojar este debate no seu site em poucos dias. Vamo-nos já preparar para o próximo.

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The debate was also followed at Journalism.co.uk | O debate também foi seguindo no Journalism.co.uk

Other references|Outras referências

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13
Jan
09

Today’s Special Links | Links do dia

At yesterday’s “Creating Video Narratives” workshop at Beyond Bootcamp, Washington Post video journalist Travis Fox shared his 10 guidelines for making video reports.

  • Golden Rule 6 Get close to the subject when interviewing them for audio purposes
  • Golden Rule 5: Stay quiet when shooting
  • Golden Rule 4: If you do not get the shot, you do not have it.

The new year brings with it the startling reality that I have got less than a month left on my NCTJ course.

I don’t know which scares me more: having to pass my exams in three weeks; or having to find a job. Probably both in equal measure.

While trying to decipher the difference between a ‘revenue support grant’ and ‘relative needs formulae’, I am also overhauling my CV.

Writing a CV is really difficult, especially when you think about the 50 million other people chasing the same jobs as you.

  • How do you make it stand out?
  • How many pages should it be?
  • Should you play it really straight?
  • Should you give it a humorous slant etc?
  • Is it okay to have gaps in your employment?
  • What if you haven’t worked for anyone yet?
  • Should you have a kitten pattern border running around it?

One of the common complaints from people in journalism about bloggers is that we just comment on reports in the news, we don’t do original reporting. It’s so often repeated it’s become a cliche, but it’s simply not true and I can prove it.

Seth Godin offers an interesting suggestion – and a wake-up call – to local newspapers hoping to get more local in a post titled Time to start a newspaper. The twist is that he’s offering this advice to real estate brokers or plumbers or anyone in local business looking to grow their local presence. And he thinks it would be easy to do:

Here’s how I would do it. Assume you’ve got six people in your office. Each person is responsible to do two things each day:

* Interview a local business, a local student or a local political activist. You can do it by phone, it can be very short and it might take you ten minutes.

* Get 20 households to ’subscribe’ by giving you their email address and asking for a free subscription. You can use direct contact or flyers or speeches to get your list.

As old media races to catch up with the Web and figure out how to successfully monetize print content online, one publication is taking a drastically different approach: web to print.

The Printed Blog, a startup founded and funded by former business productivity software entrepreneur Joshua Karp, is launching a twice-daily free print newspaper in cities across the country aggregating localized blog posts.

“Why hasn’t anyone tried to take the best content and bring it offline?” said Karp, who thinks print media is far from dying.

Continuing the free ebook spree, I’ve found 3 more on creativity and design.

The Vignelli Canon How do you design?

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16
Dez
08

Journalism.co.uk: Estou no Best of the journalism blogs | I’m at the Best of the journalism blogs

Jeff who?

Jeff who?

Recebi um email do Journalism.co.uk a informar-me que o meu modesto blog passou a figurar na sua lista do melhor dos blogs de jornalismo. Este é só um dos meus sites de referência na área. Nada mau para quem esteve para desistir do jornalismo e anda a formar-se por conta própria, sem trabalho e com uma licenciatura do século passado. Obrigado, afinal parece que há mesmo Natal.

I got an email from Journalism.co.uk letting me know that this modest blog is now part of their Best of the journalism blogs list. This is just one of my favorite websites about the business. Not bad for someone who almost quit journalism, that has no job and is learning on his own, with a last century degree.

Thank you, after all there is a Christmas.

PS: uh…it´s  GAMELA…not GamelO….ok…i can live with that… Alexandre who?

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16
Dez
08

O Futuro dos jornais do futuro e de agora | The future of of today’s and tomorrow’s newspapers

A Seismonaut é uma empresa de inovação e consultadoria, especialmente aos novos media e negócios digitais. Dois dos seus colaboradores fizeram uma apresentação no Danish International Media Festival sobre o futuro dos jornais. Muito do que aqui está foi também falado no Congresso de Ciberjornalismo no Porto, mas é um excelente resumo. De todos estes slides chamo a atenção para o 40 e 42.

Seismonaut is a innovation and consultancy company, especially directed towards new media and digital business. Two of its collaborators made a presentation at the Danish International Media Festival about the future of newspapers. Much of what is showed here was also discussed at the Cyberjournalism Congress in Porto, but it is an excellent unrelated  summary. From all of the slides i highlight number 40 and 42.

It’s a pretty thankless job to come up with fluffy predictions, which is why we chose to lean on William Gibson’s classic quote about how the “future is already here, it’s just unevenly distributed.” That means we wanted to give the audience some sign posts of a near-future media scenario, when it comes to technology, content, journalistic roles and the editorial process. I won’t get into much detail here, but take a look at our slides and feel free to comment if you want more perspective.

What does the future of the newspaper hold?

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12
Jun
08

SuperMedia: Entrevista com Charlie Beckett

“Este livro é o meu manifesto para os media como jornalista e também como cidadão do mundo. Como jornalistas estamos sempre a ouvir dizer como os meios de comunicação têm um poder enorme para moldar a sociedade e acontecimentos, para mudar vidas e a história. Então porque é que a nossa sociedade é tão descuidada em relação ao futuro do jornalismo?” [1]

Saving JournalismEsta é a apresentação que Charlie Beckett faz do seu livro “SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World (Wiley-Blackwell, 2008 ), onde questiona os principais desafios colocados à prática jornalística nos nossos dias, e a sua influência na manutenção de sociedades democráticas e livres.

Charlie Beckett é jornalista, com 20 anos de carreira na BBC e na ITN, e é também Director do POLIS, um think tank sobre o jornalismo e sociedade na London School of Economics. “SuperMedia” é uma obra que vem compilar e estruturar várias linhas de pensamento sobre o futuro do Jornalismo, mas onde Charlie Beckett apresenta a sua ideia de jornalismo como um serviço essencial às sociedades contemporâneas, e como as mudanças na indústria de informação, para além de inevitáveis, são necessárias.

Coloquei algumas questões a Charlie Beckett sobre o seu livro, e com a ajuda de alguns excertos, vamos tentar perceber porque é tão importante salvar o jornalismo.

_______________________________

“Estimo que tenhamos cinco anos – talvez dez – para salvar o jornalismo para que o jornalismo possa salvar o mundo.”

Porque é que o Jornalismo está em perigo? Para Beckett, as causas são uma “mistura de pressões económicas, repressão política ([em] sítios como África, Rússia etc) e a atenção do público a alternativas em novos média”.

Os media tradicionais mantiveram inalterada a sua relação com o público nas últimas décadas, o que parecia resultar bastante bem, mas com o advento das novas tecnologias essa relação alterou-se, e a indústria das notícias parece estar a ter algumas dificuldades a adaptar-se às novas circunstâncias. Coloquei a Charlie Beckett uma questão que ele mesmo levantou no seu livro: “O que é que se passa de errado com o negócio dos média?” “É demasiado formalista, demasiado fechado, demasiado limitado.” De facto, as dificuldades e os receios aumentam no seio da indústria das “árvores mortas”: redução nos lucros, nas tiragens, no pessoal, e a dificuldade de muitos profissionais em abraçarem as novas formas de comunicação. Apesar de tudo, a função do jornalismo mantém-se: informar. E a circulação de informação em liberdade permite um maior conhecimento da realidade que nos rodeia, e a interagir mais eficazmente com ela. Mas durante muito tempo, o jornalismo assumiu um papel de mensageiro ao qual não se pediam contas.

E qual é esse papel hoje em dia? “O Jornalismo tem muitos papéis: é entretenimento, vigilante, informador, fórum, mediador económico e mais. As sociedades com meios de comunicação abertos e prósperos parecem ser mais ricas e melhor ajustadas”.

No cerne do processo noticioso estão os jornalistas, uma classe mal vista pela maioria dos cidadãos. Sob uma perspectiva tão pessimista em relação ao papel que eles desempenham, perguntei se os jornalistas se tinham esquecido das suas responsabilidades: “Claro que não”, diz Beckett, “mas a prioridade do jornalista é fazer o seu trabalho em condições. Os jornalistas e as suas organizações devem considerar responsabilidades mais vastas, mas cada um vai defini-las de forma diferente. O Networked Jornalism permite ao público colaborar nessa definição e então partilhar as responsabilidades”.

Networked Jornalism – Jornalismo Interligado

O conceito apresentado por Charlie Beckett no seu livro é o de Networked Journalism, que se poderá traduzir por Jornalismo Interligado. Como ele explicou na BBC “ Os Networked Journalists partilham o processo noticioso com o público logo desde o início: da recolha de informação à sua distribuição, de forma activa, participativa.”[2]

Em poucas palavras, Beckett descreveu-mo como uma “mudança profunda na prática jornalística que desafia as noções básicas do jornalismo tradicional. Sintetiza as funções de edição, reportagem e apresentação com muito maior envolvimento do público ao longo do processo.”

Desde que tenha acesso a um computador ou um telemóvel, qualquer elemento do público pode colaborar com os jornalistas através do jornalismo do cidadão, wikis, blogs, e contribuir com conteúdos multimédia. Ou então, apenas recostar-se e apreciar os resultados desta colaboração. Isto implica novas perspectivas sobre a agenda noticiosa, e o seu alargamento, que aumenta com cada pessoa que participa. Esta sinergia pode recuperar a confiança pública no Jornalismo, e um aumento no conhecimento dos meios de comunicação sobre os seus públicos: “As pessoas estão cada vez mais cépticas [em relação ao Jornalismo] mas isso pode ser uma coisa positiva. Os Velhos Media não levavam o seu público a sério porque nunca foram ao seu encontro”. Mas a participação de amadores no processo jornalístico levantou a questão da qualidade dos conteúdos. Para Charlie Beckett esta questão não se aplica: “Existe muita porcaria nos media corporativos.”

Outro dos assuntos mais discutidos é como os Novos media podem gerar receitas: “É uma pergunta demasiado difícil! Se soubesse a resposta estaria muito rico.”

Temos assistido a exemplos práticos desta evolução: a rapidez como o terramoto de Sichuan foi reportado na net, a democratização de conteúdos multimédia, o desenvolvimento de redes sociais e comunidades virtuais, etc. Mas mais do que uma evolução tecnológica, o Networked Journalism é uma filosofia: “(…)é o regresso a algumas das mais velhas virtudes do jornalismo: pôr a redacção em contacto com o mundo; ouvir as pessoas; dar uma voz às pessoas nos media; entrar em diálogo com o público. Mas tem o potencial de ir mais longe do que isso na transformação da relação de poder entre os media e o público, e na reformulação os meios de produção jornalística”.[3]

Esta multiplicação de formas de comunicação implica que haja muito mais informação do que anteriormente, onde cada indivíduo se pode expressar seguindo a sua própria agenda. Disse a Charlie Beckett que a paisagem dos media parece um espelho partido, com diferentes plataformas em media diferentes, para públicos fragmentados usando diversas aplicações. “O que está errado com diversidade e diferença e distância? Geralmente uma maior participação pública promove uma maior expressão e mais conectividade.” Entre as pessoas, e entre os públicos e os meios de comunicação. Serão os novos órgãos de comunicação interligados os pólos agregadores de comunidades? “Sim – mas também poderão estar à margem ou fora das comunidades. O Networked Journalism funciona naturalmente melhor quando apoiado por grupos de pessoas, mas essas comunidades podem não ser geográficas.” A geografia que nos aproxima agora é a dos conceitos, dos gostos, das ideias.

No seu livro, Beckett descreve longamente como os media interligados podem influenciar a consciência política dos cidadãos e dos media principais quando alertam para assuntos que normalmente ficariam escondidos debaixo da pilha noticiosa, que enche as redacções diariamente. O Networked Journalism permite uma reformulação da agenda informativa, abrindo espaço para notícias que são importantes para pequenas comunidades, ou para a sociedade em geral, mas das quais está alheada por não ter informação suficiente. O exemplo maior que Beckett usa é o continente africano: como é que sociedades com poucos recursos económicos, défices educacionais e democráticos, e uma baixa taxa de penetração de novas tecnologias pode beneficiar com o Networked Journalism? África não tem uma cobertura de Internet desenvolvida mas na maioria dos países há estruturas que permitem uma boa cobertura celular. A participação de vozes independentes na construção de uma imagem informativa de África, gerada longe das pressões governamentais, dá-nos de certeza perspectivas mais esclarecedoras do que a que nos é fornecida pelos media do aparelho de estado, ou por correspondentes que não podem chegar a todo o lado. Com a facilidade de disseminação de informação através de aparelhos móveis, África pode se tornar no perfeito campo de testes para o Networked Jornalism. “Não é o campo de testes perfeito. Eu digo que é o teste final, porque tantas vezes os velhos media falharam em África, que o Networked Journalism oferece uma nova oportunidade que pode ser baseada na própria experiência e capacidade africanas.”

Mas será este um caminho sem riscos? O poder do Networked Journalism é o de influenciar as vidas das pessoas comuns, mas haverá perigos nesta forma de fazer as coisas? “E quem são as pessoas ‘comuns’? Eu honestamente não vejo perigos reais nas tendências dos novos media que não sejam comuns aos perigos postos pelos velhos media. As pessoas vão continuar a ser desonestas, parciais e gananciosas tanto online como offline, eu não penso que os novos media apresentem quaisquer novas ameaças comparados com os velhos media.”

Os Hiper Jornalistas

Há vantagens claras em abraçar os Novos Media: são baratos, rápidos, mais eficazes, e o seu potencial é quase infinito. No entanto, existe ainda muita desconfiança. “As pessoas resistem sempre à mudança. Os Novos Media implicam aprender truques novos. Alguns postos de trabalho vão desaparecer. E como desafiam os conceitos do velho Jornalismo, algumas pessoas acham-nos ameaçadores.”

E que procedimentos padrão deverão ter os novos jornalistas no seu dia a dia? “NÃO deverão haver procedimentos padrão. Isso é uma ideia antiquada.” No seu livro, Beckett defende que a versatilidade e capacidade de adaptação do jornalistas são as características mais importantes dos profissionais da comunicação do futuro, não só às novas tecnologias e características do mercado, mas também na sua relação com os utilizadores. Os jornalistas do futuro devem saber utilizar as redes sociais em seu favor, criar e distribuir as notícias em vários formatos, e saber gerir as contribuições dos utilizadores antes, durante e depois da publicação da informação.

Para Beckett, o “jornalismo gosta de pensar que é um super-herói quando na realidade é o Clark Kent”[4]. Os super poderes do jornalista encontram-se na sua capacidade de colaborar com o público, mas isto não significa que o papel dos jornalistas se tornará mais precário: “O jornalista continua a ser necessário, porque precisamos de filtros, editores e apresentadores, mas eles vão ter também que se tornar facilitadores, conectores, possibilitadores. É um trabalho ainda mais complexo e interessante, e igualmente vital.” Este aumento na complexidade da prática jornalística torna o jornalismo mais fiável, melhor? Beckett pensa que “será tão fiável como as pessoas que o fazem. ‘Melhor’ é uma palavra muito subjectiva. Mas sim, acredito que a participação do público eleva os padrões por aumentar os recursos.”

A própria formação dos Hiper-Jornalistas para a realidade dos SuperMedia deverá ser “mais multi-especializada e mais dirigida para a resolução de problemas, para promover a arte de envolvimento criativo com o público, em vez de passar meses a copiar os jornalistas do passado.”

Só que a relação dos jornalistas com elementos estranhos às redacções não tem sido fácil. Beckett debruçou-se extensivamente sobre a relação dos jornalistas com outra classe emergente, os bloggers, que parecem viver fora das regras impostas aos jornalistas, e que rapidamente se impuseram como distribuidores de informação. Terão os bloggers hoje em dia tantas responsabilidades como os jornalistas, e deverão eles ter o seu próprio código de conduta? Ou será a qualidade do seu trabalho a verdadeira reguladora dessa actividade? Beckett acha que os bloggers não precisam de um código ético: “A maioria dos jornalistas ignoram quaisquer códigos que possam ter. A garantia de qualidade ou fiabilidade assenta na diversidade, na responsabilidade, e isso vem com o Networked Journalism.”

Aliás, todos nós podemos ser jornalistas. Para Beckett, jornalistas são “pessoas que informam, analisam, comentam eventos ou assuntos para outras pessoas consumirem.” E é nos cruzamentos destas relações que se cria a SuperMedia.

O Desafio SuperMedia

“Supermedia” é ela mesma uma obra interligada. Charlie Beckett recorreu às ideias de Paul Bradshaw, Jeff Jarvis, Jay Rosen e outros pensadores dos novos media – para além de referir personagens que activamente afectaram essa realidade – para fundamentar e desenvolver os seus próprios conceitos.

O que sobressai é uma perspectiva optimista (pelo menos é o que me parece, apesar do pressuposto tenebroso sob o qual se apresenta), e fornece indicações práticas sobre como se podem e devem desenvolver os meios de comunicação, desde os corporativos aos pessoais. É uma obra fundamental numa época de transição e definição do que é o jornalismo, para que serve e para quem serve. Enriquecido com a perspectiva do autor sobre a importância social dos media, é o resumo perfeito de várias correntes de pensamento sobre quais caminhos a indústria e o público poderão seguir no futuro. Não é um livro complexo nos conceitos, mas nas suas implicações, e creio que se tornará num excelente guia para profissionais e estudantes de comunicação, para a compreensão de como se passa da uma comunicação de sentido único, corporativa e limitada, para uma outra, relacional, personalizada, comunitária. E as questões que levanta não terão necessariamente uma só resposta.

Acima de tudo, Beckett defende que a notícia é um serviço, não um produto, logo o interesse público está acima de todos os outros. É uma estranha forma de liberalização de algo que precisa de ser de todos e que deverá servir o bem comum.

Como ele diz no livro, “o jornalismo pode ser uma força maior para o Bem”. Perguntei-lhe se essa “missão, caso a aceitemos”, é possível: “Claro que tudo é possível. Mas é uma escolha. Nós temos os media que criamos.”

Podem comprar SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World aqui, ou fazer o download dos três primeiros capítulos no site do POLIS.


[1] Beckett, SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World (Wiley-Blackwell, 2008 )

[2] em entrevista ao programa de rádio Night Waves da BBC3, 2 de Junho 2008

23
Mai
08

Leiam | Read: “Finding the ‘new new journalism’”

“I made this point at the very end of the evening, that much of the problem in news organisations is down to broken management structures and dysfunctional management techniques. Bad decisions are being made by people unwilling to listen to those with the knowledge, but who are several paygrades down the food chain. Good journalists do not always make good managers and, ironically, are not always the best communicators.”

The New New Journalism,Suw Charman-Anderson

O encontro do POLIS/LSE Media Group, dedicado aos novos caminhos do jornalismo, deu algumas opiniões interessantes. Percebe-se que existem muitas perspectivas diferentes e algumas até bastante controversas. Para ler e comentar aqui.

The POLIS/LSE Media Group event dedicated to the new paths for journalism gave some interesting opinions. It is clear that there are different perspectives, even a few quite controversial. To read and comment here.

“Information must be the master of the technology and not the other way round.”

“There is nothing at all essential, vital or needed about journalism. As technology develops, roles for editor and journalists will still exist, but the relationship will bear no resemblance to what they are now.”

“We’re in danger within journalism of losing and forgetting what it is that we do and what it is that we need journalism to do in society. Journalists are simply becoming information managers.”

Finding the ‘new new journalism’ , Laura Oliver – Journalism.co.uk

Continue a ler ‘Leiam | Read: “Finding the ‘new new journalism’”’

28
Abr
08

“Where’s the Business Model for News, People?”

Jay RosenIt’s remarkable to me how many accomplished producers of those goods, the future production of which is in doubt, are still at the stage of asking other people, “How are we going to pay our reporters if you guys don’t want to pay for our news?” Recently I heard one such person say, “Society should be worried about this!”

At many a conference I have attended on new media and journalism, some old pro whose subsidy is fast disappearing will (mentally) place hands on hips and say about the Internet as a whole, “Well, that’s all very nice, very Web 2.0, but where’s the business model, people?” As if that were some kind of contribution. I can’t tell you how disconcerting–and weird–I find some of these performances.

Jay Rosen

Da pilha de artigos da semana passada este é dos mais interessantes. Jay Rosen coloca em discussão os modelos de negócio para a industria das notícias, e dá exemplos de como algumas das soluções podem estar no passado, e como a própria indústria da publicidade terá que se renovar para uma melhor eficácia na web.

Uma das questões mais interessantes que Rosen levanta é a do fim da fina cortina que separa o jornalismo da actividade empresarial, ou seja, porque não poderá uma empresa ligada a outra área de ter o seu próprio meio de comunicação? Será que agora que essa ligação é mais velada significa maior independência? As questões éticas são imensas.

Depois, noutro link, que não está directamente relacionado com este assunto (ou está?), fica o comentário de uma editora de um jornal americano que pensa que os utilizadores se acham muito espertos por estarem a ler o seu jornal online de borla. Pois,a esperteza deverá estar em pedir dinheiro para se dar acesso à mesma informação que se encontra gratuitamente, e provavelmente mais completa, noutro lado. Por acaso, ainda não recebi resposta do jornal AS BEIRAS…

Among last week’s article stack, this is one of the most interesting. Jay Rosen puts to discussion business models for the news industry, and gives some examples of how part of the solution can be found in the past, and how the advertising industry must renew itself for a better web efficiency.

One of the most interesting questions raised by Rosen is about the end of the thin curtain that separates journalism from businesses, or, why can a non-journalism company have it’s own media? Does it mean that now this connection is more veiled there is more independence at the newsrooms? The ethical issues around this are overwhelming.

Then, in another unrelated link about this subject(is it?), there’s a post by a local newspaper editor that thinks readers must feel pretty smart for reading her newspaper online for free. Yeah, smartness must be in asking for money to grant access to the same information that can be found for free, and probably better, someplace else.

This reminds me i never got an answer back from AS BEIRAS…





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