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03
Ago
09

Entrevista: Ciberjornalismo e ética

A Íris Martins é aluna do Professor Vítor Malheiros na Lusófona em Lisboa e entrevistou-me no âmbito do seu trabalho sobre Ética e Ciberjornalismo. Andámos um bocado às voltas do mesmo, mas acho que não digo grandes asneiras (eu acho sempre arriscado entrevistarem-me para estas coisas, estão notas em causa) . O que me preocupa é a distinção que se faz do ciberjornalismo do jornalismo. Mas eu marco a minha posição.

-Existe alguma ética específica para o Ciberjornalismo?

Não creio, a função é a mesma e terá que seguir os trâmites e regras do Jornalismo. O Ciberjornalismo implica “apenas” uma mudança de meio, velocidade, formatos,  e de relação com o público. Mas os paradigmas éticos deverão ser os mesmos que os do Jornalismo tradicional. É claro que novas questões se levantam, mas se aplicarmos os princípios éticos básicos temos muitos problemas resolvidos. A ética para o Ciberjornalismo terá as suas especificidades, na atribuição e relação com as fontes e a entrada dos cidadãos na criação de conteúdos, mas creio que a ética já existente é aplicável na maioria das situações.

-Se não existe será que há necessidade dela?

A ética por definição é o conjunto  de regras que têm por objectivo as boas práticas para um bem geral, no caso do Jornalismo, para uma aplicação correcta, independente e socialmente valiosa da informação. Como já disse, o prefixo “ciber” refere-se a uma plataforma, o que interessa aqui é o Jornalismo per se. Há a mesma necessidade porque é a mesma actividade.

-Serão as regras dos meus tradicionais passíveis de aplicar à web?

Sempre, e terão que se encontrar respostas para novas questões, mas os fundamentos básicos mantém-se. A velocidade sempre foi o maior problema na informação e nunca se foi tão veloz como agora, o que cria problemas no processo de recolha, verificação e distribuição de informação. Os princípios éticos mantém-se, e os processos básicos também. No fundo, o trabalho do jornalista é exactamente o mesmo: recolher, verificar e difundir informação. As ferramentas e o grau de envolvimento com o público é que mudaram, mas no cerne da profissão pouco mudou. Um mau jornalista é um mau ciberjornalista e vice-versa, para além das questões técnicas de tratamento de informação há um elemento de formação pessoal que pesa muito e acabamos por nos esquecer disso.

-Num mundo em que todos podem ser repórteres de que modo os valores éticos se vão conseguir manter?

A avalanche de informação gerada por cidadãos comuns – que não têm como actividade o jornalismo – criou essa questão, mas é também a própria resposta ao problema. As relações na Internet baseiam-se cada vez mais na confiança e recomendação, e com tanta escolha existe uma fiscalização entre utilizadores e os conteúdos que geram, sobressaindo sempre os melhores, e acabando os piores por serem ignorados ou desmascarados. Esta autoregulação é extraordinária e fortíssima, mas não está relacionada com os princípios éticos do Jornalismo mas com princípios morais de uma sociedade que vive online e que busca de forma activa a melhor informação possível. Os valores éticos terão que estar permanentemente presentes no trabalho dos jornalistas, que terão que ser os mais fidedignos e capazes possível para poderem estabelecer dois activos extremamente importantes para a sua actividade: reputação e confiança. Se plagiarem facilmente serão apanhados, se  mentirem caírão em desgraça, em poucos minutos se destrói uma imagem que demorou anos a construir. O papel do jornalista continua a ser recolher a informação, venha ela dos cidadãos repórter ou não, e submetê-la ao seu filtro ético, procurar a verdade, não aceitar como final a informação que lhe é disponibilizada. A ética do jornalista é o valor-padrão de qualidade de informação, agora se a informação que os cidadãos repórter alcança ou não esse padrão é outro problema, que como disse, se resolve por si mesmo.

-A diferença entre o ciberjornalismo e o jornalismo tradicional está relacionada apenas com uma questão de meio e formato, ou também uma diferença nos métodos de tratamento da informação? Assim sendo, será que também a ética deverá ser diferente?

Há diferenças nos formatos e acrescenta-se agora a relação com o público, que é um capitulo novo a escrever na ética jornalística, já que podemos ter contribuições dos utilizadores que podem influenciar o trabalho do jornalista,   e é preciso saber como creditar e até que ponto deixar ir essas contribuições, e aplica-se desde a análise comunitária de uma quantidade enorme de dados à moderação de comentários. Questionou-se o pagamento do site TMZ por informações sobre a morte de Michael Jackson, mas há anos que se faz isso. É menos correcto por ser um site ou sempre foi incorrecto? Vale tudo pela informação correcta primeiro que todos? Creio que os dilemas éticos presentes no Ciberjornalismo são basicamente os mesmos que sempre existiram antes do Jornalismo ser “ciber”, mas elevados à dimensão de uma sociedade da informação ávida de conteúdos noticiosos e num meio altamente competitivo. Mas caso todos os princípios éticos falhem, a última entidade reguladora será o consumidor, que agora tem o poder de questionar e desmascarar todas as situações duvidosas que lhe surgem, e rapidamente recorrer a alternativas. Antes isto não era possível e comia-se o que nos punham à frente, agora podemos escolher tudo. A ideia de que o público é amorfo e estúpido que existia na cabeça de alguns propagandistas é totalmente descabida nos dias em que vivemos, onde os utilizadores têm uma atitude proactiva no consumo de informação. Por isso a ética só deverá ser diferente numa coisa, tem que estar sempre a ser relembrada para não se cair em tentações próprias da vertigem informativa, tão propícia ao erro.

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31
Jul
09

Entrevista : Ética e certificação de sites

Por esta altura do ano costumo receber algumas perguntas de estudantes que estão a terminar trabalhos para cadeiras de Comunicação. Eu tento sempre responder o melhor que posso e  espero contribuir para o seu sucesso. Às vezes saem-me umas preciosidades, outras vezes é complicado. Esta foi 50/50.  A Marta Gonçalves Pereira é estudante do terceiro ano da Universidade Lusófona, e entrevistou-me sobre a certificação de sites, a partir da ideia apresentada por Pat Thornton. Eu na altura quando li o o post de Thornton fiquei com pena de não poder escrever um texto sobre o assunto, mas tinha as minhas dúvidas sobre uma série de coisas. Com estas respostas percebi que dúvidas eram essas e sem querer acabei por me desviar um pouco do assunto inicial, mas a Marta fez um interessante apanhado das minhas ideias no seu trabalho. Abaixo fica a transcrição completa do que lhe disse.

Segunda feira vou postar mais uma entrevista feita por outra aluna da Lusófona, essa mais centrada sobre questões éticas.

1. O que é a certificação de sites?

De acordo com a ideia de Pat Thornton, seria uma forma de destacar sites informativos que cumprissem com certas regras de qualidade e que operassem dentro de práticas correctas. Isto seria uma forma de separar o trigo do joio, os produtores dos parasitas de conteúdos informativos, e valorizá-los pela qualidade do seu trabalho. Isto é o conceito idealista. O lado complicado é a criação de um padrão que teria que ser estabelecido não sabemos por quem e aceite por todos, e consensos numa indústria que se encontra cada vez mais fragmentada é quase impossível. Além disso, um grupo de comunicação pode de repente decidir que a certificação existente não lhe convém e cria uma outra, e depois outro e assim sucessivamente. Mesmo gerida por uma entidade independente, duvido que seja uma realidade funcional.

Nós vemos que em certos produtos existe certificação – nos vinhos, por exemplo – e creio que o princípio seria basicamente o mesmo, a atribuição de garantias de qualidade a um produto por cumprir parâmetros considerados ideais.

2.Justifica-se haver um selo ético online para os sites de informação jornalística?

Justifica haver transparência nos processos jornalísticos, e online é possível ser-se mais transparente devido à natureza do meio. A pergunta deveria ser:

“justifica-se haver um selo etico online para os MEIOS de informação jornalistica?”. Porque não exigimos o mesmo aos jornais, às TVs e às rádios? A diferença está na licença que é atribuída aos meios de comunicação tradicionais, e que obriga os operadores a cumprirem com um grupo de regras, mas se podem ser sancionados por incumprimentos legais, não o são por quebrarem valores éticos ou se produzirem informação de baixa qualidade. Podem dizer que a diferença agora é que qualquer pessoa pode ter um orgão de informação online. Eu digo que antes qualquer pessoa com muito dinheiro podia ter um jornal, uma rádio ou um grupo de comunicação inteiro, esse é o ponto de quebra com o status quo estabelecido dentro do Quarto Poder.

Como o público online não é passivo como o público da televisão, por exemplo, acho que o selo não se justifica. Os próprios utilizadores é que fazem a regulação, escolhendo as fontes que mais confiam e onde se sentem mais à vontade – a informação na web tem um factor de envolvência importante. As televisões não têm selo ético e o telejornal mais visto em Portugal é provavelmente o pior deles todos, a nivel de qualidade e ética, mas é o mais visto. Não é o selo, por mais válido que seja, que vai credibilizar ou atrair mais público. A credibilidade é feita com trabalho, o público é uma questão de saber o que se diz, como, e a quem. O resto acontece por si mesmo.

3. Quais são as vantagens e desvantagens?

Vantagens: o Pat Thornton comparou esta ideia ao selo Creative Commons, o que é um excelente paralelo, ou seja, sendo uma ideia universalmente aceite, existiria forma de promover conteúdos de qualidade sob uma marca comum. Seria como uma espécie de “rede social de conteúdos” onde sabemos que o que circula dentro dessa rede obedece a padrões elevados de qualidade. Essa consensualidade criaria um nível superior de conteúdos, separado dos restantes, que seriam piores, e/ou parasitários.

Desvantagens: essa separação dava logo justificação para começarem a cobrar (mais) pelos conteúdos abrangidos pelo selo. Além disso, quem trabalha sabe que os erros acontecem e às vezes não se faz tudo como se devia. Só quem não faz nada é que nunca falha. O que aconteceria então? Haveria um sistema de controle para verificar esses erros? E seria capaz de avaliar os milhares de sites existentes? E que credibilidade teria o organismo regulador e fiscalizador? Se se pode trabalhar em crowdsourcing, até que ponto o público interviria nas decisões do organismo? E se houvesse quem não aceitasse as condições do selo e criasse um novo, concorrente? Há muitas questões funcionais que prejudicam a criação do selo.

Além disso creio que pode promover a ideia de elite e de clube fechado, o que é exactamente o que na minha web-filosofia se deve evitar.

4. Qual a sua opinião sobre a ideia do selo ético online?

Apesar de ser interessante como conceito, acho que é uma atitude defensiva por parte dos criadores de conteúdos. Acredito na autoregulação e na contribuição dos utilizadore, esses sim os verdadeiros reguladores. O mercado é demasiado competitivo para nos preocuparmos com atitudes protecionistas, é preciso é fazer o melhor que se sabe e esperar ter sucesso. Se falharmos eticamente será o nosso público (e os restantes)que nos irão pedir contas, apontar os nossos erros, e se estivermos a fazer tudo bem podemos até ganhar o respeito dos outros admitindo e corrigindo as nossas falhas. A ética serve para nos orientarmos correctamente nas nossas práticas profissionais e criarmos algo que seja socialmente valioso, neste caso, informação. Mas acho que apesar de ser uma linha de conduta profissional, de nada vale se não houver um empenho pessoal: se houver desonestidade por parte do indivíduo, duvido que não se reflicta na prática do profissional. A certificaçãoexterna é uma boa forma de incentivo mas não vem resolver nada, numa questão que é fundamental para a credibilização de uma actividade fundamental em qualquer sociedade que pretenda viver em liberdade e consciência.

No fundo, acho que é uma boa ideia, e que rapidamente seria desvirtuada por interesses externos.

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26
Fev
09

Entrevista completa ao Semanário Económico

Sorry all you english speaking people, but i don’t have time today to translate this. Maybe next week.

Estas são as perguntas da Ângela Marques para a sua reportagem sobre o Twitter que saiu no fim de semana passado no Semanário Económico. Como acho que ela levantou questões interessantes e eu dei algumas respostas com piada, vou publicar aqui o integral da entrevista.

1. Como conheceu o Twitter?  Usa outras redes sociais como o Twitter (Facebook, Hi5, Myspace)?

Comecei a ouvir falar do Twitter na parte final de 2007, associado a outros serviços semelhantes como o Jaiku e o Plurk. Confesso que a início não fiquei fascinado com o microblogging, mas à medida que ia lendo alguns bloggers , como o Paul Bradshaw do OnlineJournalismBlog.com sobre esta ferramenta, fui ficando cada vez mais interessado. Além disso, era novo e gratuito,e achei que não custava nada experimentar. Acho que é assim que funcionam os early adopters.

Tive algumas dificuldades a princípio para entender o potencial do Twitter, mas à medida que ia entrando em contacto com outros utilizadores e a aumentar a rede de contactos esse potencial foi-se revelando. Acho que o ponto de viragem foi durante o incêndio de Camden Market há cerca de um ano, em que pelo Twitter estava a recolher mais informações e mais depressa do que pelos canais tradicionais, enquanto as partilhava com amigos meus em Londres, que nada sabiam do acontecimento. Depois com as aplicações que fui descobrindo, consegui ter uma utilização mais efectiva da aplicação. Na altura ainda dava para receber gratuitamente mensagens do Twitter no telemóvel, o que era o verdadeiro intuito do Twitter. A partir daí tornou-se realmente num vício.

Estou inscrito nessas três redes sociais, com uma presença mais efectiva no Facebook, mas a partir do Twitter achei-as limitadas, são na prática plataformas expositórias, enquanto que o Twitter na sua essência é uma ferramenta de partilha e diálogo.

2. O que lhe interessa no Twitter?

A interacção com as pessoas. Desenvolvem-se conversas, debates, partilham-se links, em 140 caracteres. Por muito pouco que tenhamos para dizer esse pouco pode ser valioso, tenho descoberto e aprendido muito com o que os elementos da minha rede de contactos partilham. Depois é a ubiquidade, demonstrada nos em alguns acontecimentos como a amaragem no Rio Hudson, onde a informação estava a ser divulgada por pessoas no local. Soma-se a isto a possibilidade de toda a gente ter telemóvel com câmara fotográfica, e haver uma evolução nos dispositivos móveis que permitem retirar o máximo do canal. Alguém partilha um dado com o seu grupo que é repetido exponencialmente pelos elementos desse grupo com os seus próprios seguidores e por aí fora. É o boca a boca à velocidade da luz, e é por isso que os media tradicionais têm ficado para trás em algumas situações porque precisam de enviar meios e pessoas para o local do acontecimento. Se alguém com Twitter estiver lá, o mundo também está.

Outro factor que me interessa imenso é o facto de as pessoas continuarem a agir como numa rede social tradicional: partilham as pequenas coisas do dia a dia, músicas, fotos, damos os bons dias, o que humaniza o relacionamento virtual. E depois, se alguém precisa de ajuda basta só pedir, alguém pode , ou tem alguém na sua rede que pode, ajudar. Existe um espírito muito solidário.

3. Por quantas pessoas é seguido no Twittter?

Graças à recente divulgação do Twitter houve um crescimento notório no meu número de followers, com 7 a 10 novos utilizadores a adicionarem-me por dia. Neste momento exacto tenho 716 mas espero chegar aos mil em menos de um mês. E são pessoas do mundo inteiro, mais ou menos ligados às minhas áreas de interesse, e muitos são amigos de amigos. Existe o FollowFriday que basicamente são tweets a recomendar algumas pessoas, todas as sextas. Já fui recomendado várias vezes, especialmente por utilizadores norte americanos. Há uma coisa que gosto de fazer cada vez que chega um novo follower que é dizer olá, tratá-lo pelo nome próprio, dar as boas vindas, e se através das bios ou dos links para os seus blogs eu vir que existe alguma coisa que interessa deixo sempre um comentário extra. Tenho a noção que são pessoas reais do outro lado e dizer olá é o mínimo que posso fazer já que se interessaram por aquilo que eu digo em 140 caracteres.

4. (Vamos tentar fazer uma pergunta sem a palavra Twitter?) Continua a
alimentar o seu blogue com a mesma frequência?

Mais ainda. Tenho mais público no Twitter do que um dia normal de visitas no blog, e muitos chegam aos meus posts lá, porque são notificados através do Twitter que escrevi mais alguma coisa. Depois quem achar o texto suficientemente interessante para ser partilhado, reenvia o meu link para a sua rede. É um processo viral, que me tem dado mais visibilidade ao meu trabalho como blogger. O que acabo por fazer de diferente é partilhar mais links via Twitter do que recomendá-los no blog.

5. Quantos Twitters segue?

Essa é a parte curiosa na minha construção da rede de contactos no Twitter. São cerca de menos 30, em média do que o meu número total de seguidores. Neste momento são 691. Isto acontece porque há utilizadores que ou não disponibilizam dados suficientes ou não vejo interesse em segui-los, tenho algum cuidado em filtrar os meus contactos. Mas procuro sempre que seja um número equilibrado e normalmente sigo de volta todos os novos followers. Há utilizadores, especialmente aqueles com um perfil público notório – actores, comediantes, músicos etc- que não seguem quase ninguém de volta. Eu por um lado percebo, mas por outro o Twitter não é um palco, é uma plataforma de intercâmbio. Eu não quero falar com ninguém que não queira saber do que eu digo. O mais interessante é que nessas quase 700 pessoas que eu sigo, eu adicionei por iniciativa própria menos de 50, não porque não tenha interesse em fazer mais contactos, mas porque as pessoas têm vindo naturalmente a adicionar-me. Ainda não atingi um número crítico de pessoas que seja difícil de seguir e filtrar a informação, mas às vezes há muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Mas há quem lide bem com mais de vinte mil fontes de informação no Twitter, por isso acho que não me posso queixar.

6. Como analisa o aumento do número de utilizadores do Twitter no último mês?

É o reflexo natural da divulgação da plataforma entre os utilizadores comuns e claro, entre os jornalistas, que começam a usar e a falar cada vez mais do Twitter. É uma ferramenta que é fácil de usar e devido às ligações que se estabelecem dentro da rede de contactos torna-se viciante. Há encontros de utilizadores do Twitter, como disse , há um lado humano muito forte dentro desta rede social. E espero que os operadores móveis reparem nisso e comecem a apostar no Twitter, eu apostei há uns meses com o Paulo Querido que no espaço de um ano iria aparecer um telemóvel com uma tecla específica para usar o Twitter. E eu não quero perder.

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25
Fev
09

Interviewed about twitter again | Entrevistado sobre o twitter de novo

capatwit

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The Semanário Económico did a story about  Twitter’s popularity growth in Portugal. They talked with me in the quality of Twitter expert, which sounds kinda cool.  This is my second interview in two months for a story about Twitter, and both for national editions. I don’t write for any, but i show up in them. In Portuguese only, sorry.

O Semanário Económico fez uma reportagem sobre o aumento da popularidade do Twitter em Portugal, e vieram falar comigo na qualidade de estudioso do Twitter, o que até soa  porreiro. Esta é a segunda entrevista que dou em dois meses para uma publicação nacional, não escrevo para nenhuma mas saio nelas. Cliquem na imagem para ler em .pdf.

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15
Dez
08

Eu e o Twitter na Visão Link | Me and Twitter in Visão Link

click pic to check the full article (pdf)

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A Visão Link de Dezembro traz um artigo sobre o Twitter. É uma apresentação para leigos ao microblogging feito pela jornalista Patrícia Silva Alves, e que conta com a colaboração de alguns twitteiros, eu incluído.

Aliás, quero corrigir uma coisa que disse à Patrícia: no artigo disse que “o Twitter é como uma conversa numa grande mesa de café, onde toda a gente se conhece.” Pois, eu devia ter dito “onde NEM toda a gente se conhece.” Não é por aí que vem grande mal ao mundo.

De resto, aproveitei para conhecer a revista, que já vai na terceira edição, mas que incompreensivelmente não tem site. Uma edição deste género inserido no grupo da Visão deveria ter uma presença web forte e de referência. Ah pois, o pessoal ainda acha que a cena é só o papel…

E estou no Twitter como @alexgamela.

The December edition of Visão Link has an article about Twitter. It’s an introduction for laymen to microblogging written by Patrícia Silva Alves,and that has the input of several other portuguese tweeters, including myself.

As a matter of fact, i’d like to correct something i said to Patricia: in the article comes “Twitter is like a conversation in a huge café table, where everyone knows each other.” I should have said “where NOT everyone…”. No harm done.

Besides that it was a chance to know this magazine, that is in it’s third number, but appallingly it has no website. This kind of publication that in the same group  as Visão should have a strong, referential web presence. Oh, right, people think only paper is rock’n’roll…

And my twitter name is @alexgamela.

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26
Nov
08

Video: Como fazer uma entrevista em 3 minutos | How to make an interview in 3 minutes

Como fazer | How to
Resultado | Result

Todos nós sabemos como funciona:  é preciso obter e divulgar a informação o mais rápido possível. O tempo no jornalismo é um luxo a que muitas vezes não temos direito. Mas com a polivalência exigida hoje em dia* aos jornalistas como é que se faz tudo bem e depressa?

David Dunkley Gyimah é um dos meus mestres de video favoritos, porque a sua enorme experiência leva-o a abordar o lado prático das coisas. Vejam como ele ensina a fazer uma entrevista em 3 minutos, sem grandes complicações. Ele prometeu publicar esse video, que se juntará aqui mais tarde. Os resultados podem ser vistos no segundo vídeo.

Já agora, leiam as suas ideias sobre como se pode construir uma rede eficaz de video jornalismo entre as grandes publicações nacionais e as locais.

* Hoje em dia- Sim, hoje. Aceitem isso.

We all know how it goes: we have to get the information, edit and publish it as fast as we can.  Time in journalism is a luxury that most of the times can’t simply afford. But with all the multitasking demanded to journalists nowadays* how can we do everything fast and well?

David Dunkley Gyimah is one of my favorite video masters, because his huge experience makes him to have a more pragmatic approach to things. Watch how he teaches to make an interview in just 3 minutes, without much fuss. He promised to publish that video, that will be posted here later.The second video shows the results.

By the way, take a look at his ideas on how an effective video journalism network can be built, between the big news outlets, and local ones.

*Nowadays – Yeah, today. Embrace that.

Investment matters
But there is instruction the newspapers could take to heart, history unfurling a solution worth looking at.
In May 1846 a group of American newspapers pooled their resources to maximise their range, news gathering from Europe.

Back then the Internet was the catalyst, a Victorian Internet – The Telegraph.

So what if now, online news makers pooled their video.

I understand how video made in Cumbria will be specific to that region, but here’s where the VJs rethink more laterally.

The 1st quadrant body of the video could be loose enough to refer to any community. This might give rise to an evolving format, and a new video agency could emerge.

It would foster competition amongst newspaper groups. They’ll become their own arbiters of the content and the politics of aesthetic.

To quote an old MIT maxim: demo or die.

Is the Guardian going hyper local?

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24
Nov
08

Peter Burke em entrevista

Clique para AmpliarPeter Burke é um historiador que se debruça sobre as temáticas da comunicação, e deu uma entrevista ao jornal brasileiro Diário do Nordeste.

Alguns autores falam de um desaparecimento da imprensa, no meio impresso. No entanto, já se falou do desaparecimento da pintura por conta do advento da fotografia; do cinema, por conta da TV. Com o impresso pode se reinventar para sobreviver?

Na minha opinião, o completo desaparecimento da mídia impressa é tão improvável quanto a sua persistência inalterada. Para tomar o modelo do seu exemplo, da pintura e da fotografia, ou o exemplo, na história da comunicação, do manuscrito após a invenção da imprensa, ou do rádio na era da televisão, eu apostaria na sobrevivência do impresso, mas também no declínio de sua importância, associada a uma mudança de função, na qual este se tornaria cada vez mais especializado. É bom pensar a “mídia” no plural, como uma espécie de pacote ou, se preferir, um sistema. Ao se introduzir um novo elemento no sistema, todas suas outras partes, incluindo a divisão do trabalho entre elas, vão se transformar.

Entrevista completa

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12
Nov
08

Autópsia de uma entrevista aberta e em crowdsourcing | Autopsy of an open crowdsourced interview

Entrevista com Dave Cohn

Uma análise a uma experiência

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Analisys of an experiment

Eu sei que já devem estar fartos de ouvir falar disto, mas este post encerra o assunto. O que me proponho fazer é uma pequena avaliação a esta experiência de fazer uma entrevista aberta e em crowdsourcing: o que correu bem, o que correu mal, e o que se pode retirar daqui.

O objectivo era entrevistar Dave Cohn, antes do lançamento do seu projecto de jornalismo em crowdfunding Spot.us ,oficialmente lançado esta semana. Parte das perguntas seriam feitas por leitores deste blog e eu assumiria a edição e a produção do trabalho.

Antes de mais, uma cronologia do processo:

-a ideia foi lançada a 4 de Setembro; o Dave aceitou na hora fazer a entrevista; seis pessoas colaboraram e enviaram as suas próprias perguntas para juntar às minhas;

-as perguntas foram enviadas a 3 de Outubro;

-o video (de 30 minutos!!) com as respostas foi recebido dois dias depois e editado durante a semana seguinte;

-a primeira parte do video foi publicada a 9 de Outubro, a segunda no dia seguinte;

-a versão em texto foi publicada em inglês primeiro no OJB e no Lago a 29 de Outubro; a versão portuguesa a 31;

Análise

Vamos começar pelas coisas que na minha opinião correram mal:

-DURAÇÃO: apesar de estar a jogar com a data de lançamento do projecto, todo o processo demorou demasiado tempo. O Dave foi muito rápido da parte dele e muito atencioso, por isso ele não tem responsabilidades nesta demora. Não se esqueçam que a entrevista não foi presencial e que todos os contactos foram feitos por email. O que acabou por levar mais tempo foi juntar um número razoável de participações, e depois editar a entrevista em vídeo e para texto. Isto leva a outro ponto.

-DIMENSÃO: a entrevista foi demasiado extensa. É um hábito que tenho, mas quando sei que os entrevistados são pessoas inteligentes com coisas para dizer gosto de tirar o máximo deles. Mas depois isso traz problemas: o Dave teve a bondade de me gravar um video de 30 minutos, para responder de forma brilhante a cerca de 15 perguntas; na edição tive que dividir o video final em duas partes (mais de 10 minutos cada) , e reestruturar um monte de informação para a versão em texto. Para quem vê ou lê a entrevista acaba por ser demasiado.

-EDIÇÃO: se o vídeo até resulta pela presença e personalidade do Dave, a versão escrita acaba por estar desiquilibrada, confesso que tive pouco tempo durante a edição do texto e há partes que se ressentem. Mas experimentem trabalhar em duas línguas ao mesmo tempo, e vão ver que não é fácil.

-PARTICIPAÇÃO: a parte que me preocupou mais foi o número reduzido de participações. Posso ter sido demasiado optimista tendo em conta o número de leitores do blog, mas também espalhei (e espalharam) a palavra pelo Twitter. Pensei que tivesse mais por onde escolher mas no fim usei as questões de todos os participantes.

O que correu bem:

-PARTICIPAÇÃO: foram poucos mas foram bons, o que parece ser regra aqui entre os meus leitores. As perguntas eram difíceis e muito interessantes, e vieram enriquecer a entrevista. O objectivo era mesmo esse, ter mais do que eu sozinho poderia dar.E aproveito para agradecer a todos pela sua participação – a lista das perguntas creditadas aos seus autores está aqui.

-O ENTREVISTADO: se a entrevista vale alguma coisa é pelo Dave que foi excepcional no tempo que dedicou a isto. Felizmente tenho tido a oportunidade de entrevistar pessoas que respeito e admiro e todas têm correspondido. O show é dele e espero que esta entrevista tenha contribuído para divulgar o seu trabalho. Eu estou imensamente agradecido pela paciência que ele teve.

-PUBLICAÇÃO: a entrevista saltou os limites deste blog e foi publicada no OnlineJournalismBlog e ambos os vídeos foram postados no Journalism.co.uk. Houve algum feedback também em outros blogs.

Como balanço final, só posso dizer que podia ter sido melhor. Eu queria abrir o processo de realização da entrevista ao público, não só dando-lhe acesso aos diferentes passos mas convidando-o a participar.

Depois, acho que podia ter feito um trabalho final melhor, a nível de estrutura e tratamento a entrevista tem algumas falhas, mas foi o melhor que pude dadas as circunstâncias em que me encontrava na altura. Há coisas a melhorar sempre.

É engraçado reparar que a ideia de processo aberto é utilizado dias depois numa experiência da Wired com um trabalho sobre o Charlie Kaufman. Para se poder dar esta abertura é preciso pensar melhor nos formatos e nas plataformas a usar, mas tudo também depende das dimensões das publicações.

Creio que este pode ser um modelo de trabalho que pode ser utilizado eficazmente através do online: a transparência de processos e a participação dos utilizadores na produção de entrevistas traz mais valias ao trabalho final, numa perspectiva de consumidor. Os elementos chave são a confiança, a identificação e a integração.

Mais do que na criação de conteúdos, o futuro dos cidadãos no jornalismo está na colaboração em crowdsourcing, e o jornalista será a ponte entre o entrevistado, a redacção e o público, assumindo os papéis de editor e produtor.É realmente uma profissão em transformação.

E vocês -os que chegaram até aqui- que pensam sobre tudo isto? Dêem as vossas ideias e opiniões.

I know you must be sick and tired of hearing about this, but this post will put an end to it. What i propose to do here is a short evaluation to this experience in crowdsourcing an interview: what went wrong, what went great, and what we can take from the whole thing.

The goal was to interview Dave Cohn before launching Spot.us,  his crowdfunded journalism project, which happened just a few days ago. Some of the questions would be proposed by the readers of this blog, and i would take the edition and production of the interview.

But, first, a small chronology:

-the idea was set on the September 4th; Dave immediatly said he would do it; six people participated and sent their own questions to add to mine;

-those questions were sent on the October 3rd;

-the video (30 minutes long!!)  with the answers came two days later and the editing took part of the following week;

-the first part of the video was published on the 9th and the second in the following day;

-the english text version was posted at OJB and at The Lake on the Oct.29th; the portuguese version was available on the 31st;

Analisys

Lets start with the things that – in my opinion- went wrong:

-DURATION: despite taking in account the date when the project would be launched, the whole process took too long. Dave was very quick and thoughtful throughout the process, so he has no responsibilities on this. Don’t forget the interview wasn’t made in person, and that all the contacts were made by email. What ended up taking more time was to gather a reasonable number of contributions, a then editing the interview in video and text. This leads to another item.

-SIZE: this interview was too long. It’s an awful habit i have, but  when i know the subject of the interview is an intelligent person with things to say i like to take the most out of them. But that brings problems later: Dave had the kindness of recording a 30 minute video to answer brilliantly to about 15 questions; i had to cut it to a two part final version (with more than 10 minutes each), and restructure a whole lot of information for the text version. For those who watch the video or read the interview online is a bit too much.

-EDITING: if the video works because of Dave’s presence and personality, the written version came out a bit unbalanced. I admit i didn’t have much time while editing the text version, and some parts resent that. But try to work in two languages simultaneously and you’ll see how hard it is.

-COLLABORATION:  the thing that worried me the most was the low number of participations. I may have been a bit to much optimistic regarding the regular number of readers of my blog, but i (and others) spread the word out on Twitter. I thought that in the end i would have more to choose from, but i got to use all the questions left.

What went well then:

-COLLABORATION:  they were few but they were good, which seems to be a pattern among my readers. The questions were tough and really interesting, and added value to the interview. That was the goal, to have more than what i could give on my own. And i take this opportunity to thank you all who participated – the list of the questions credited to their respective authors is here.

-THE INTERVIEWEE: if the interview is any good is because of Dave who was amazing in the time he spared to do it. Fortunately i’ve been having the chance to interview people that i admire and respect and all of them have lived up to the expectations. It was his show and i hope this interview helped to make his work better known. I’m so grateful  for all his patience he had with this.

-PUBLISHING: the interview wasn’t confined just to the limits of this blog, and it was posted at the OnlineJournalismBlog and the videos at Journalism.co.uk. There were references in other places too.

All in all , i just can say it could have worked better. I wanted to open the process of making the interview to the public, not only giving them access to the different steps, but also making them a part of it.

Then, i guess i could have done a better job in the end, structurally and on a treatment level the interview has some flaws, but it was the best i could given the circumstances i was at the time. There are always things to immprove.

It’s also funny to notice that the idea of open process is used a few days later with a Wired experiment over a story on Charlie Kauffman. To do something like this you have to really think through the formats and platforms to use, but it also depends on the size of each endeavour.

I believe this could become a working model that can be used effectively online: the transparency in the process and users participation in the production of interviews adds value to the final result, in a consumers perspective. The key elements  here are trust, identification, and integration.

More than in the creation of contents, the future of citizens in journalism will be in crowdsourced  collaborations, and the journalist will become the bridge between the subject, the newsroom and the audience, taking the roles of editor and producer.It is a job in transformation indeed

And what about you – those who got this far. What do you think about all this? Share your thoughts and leave your opinion. Thanks.

EXTRA : full unedited video

Continue a ler ‘Autópsia de uma entrevista aberta e em crowdsourcing | Autopsy of an open crowdsourced interview’

31
Out
08

Entrevista : Dave Cohn em foco – Spot.us

(English version here)- versão inglesa crossposted com o OnlineJournalismBlog.com

Entrevista em video- aqui e aqui.


Dave Cohn é o fundador do Spot.us, um projecto sem fins lucrativos e baseado em jornalismo financiado pela comunidade. Esta sugestão para um novo modelo de negócio valeu-lhe uma bolsa da Knight News Challenge. Na véspera de lançar o site oficial do Spot.us, falei com o Dave como é que ele ia pôr as suas ideias em prática, e quais são as suas perspectivas sobre o presente estado do jornalismo.

Quatro meses depois de ter ganho a bolsa da KNC, Dave Cohn é um homem satisfeito. Ele começou apenas com um wiki, onde apresentou e testou as diversas vertentes do seu projecto, e rapidamente conseguiu financiar três reportagens, e neste momento está prestes a financiar uma quarta. Tudo isto ainda antes de ter um site oficial.

A forma como o Spot.us funciona é muito simples: alguém – um jornalista, um cidadão, uma comunidade – propõe um tema para ser investigado jornalisticamente; a reportagem é aberta a financiamento, e quem quiser pode contribuir com uma pequena quantia; se o valor alvo for atingido, um jornalista investiga e escreve a história; e finalmente, é publicada.

Até agora, este modelo tem funcionado:

“Angariámos 3000 dólares de cerca de 100 doadores,  uma média de 33 dólares cada”

“É como poesia digital”

Dave Cohn tem dado a sua contribuição para o jornalismo em rede há já algum tempo, trabalhando com pessoas como Jay Rosen e Jeff Jarvis.

Ele tem fortes convicções sobre as possiblidades trazidas para o jornalismo pela web, no imenso poder das comunidades, e também numa mudança de atitude por parte dos jornalistas.

“Os jornalistas e o jornalismo são uma diáspora hoje em dia, fomos de certa maneira enxotados da pátria dos jornais, e precisamos de perceber para onde é que podemos ir a partir daqui.”

Apesar de ter reflectido durante muito tempo sobre estas questões, o conceito subjacente ao Spot.us é bastante recente para ele:  “Eu estou a trabalhar na ideia do Spot.us há pouco mais de um ano.”

Pode parecer que é simples, mas a tarefa de construir uma plataforma tem sido complexa.

“Construir um website é em geral complexo, e isto também é construir uma organização. Tenho que me lembrar que é sem fins lucrativos, por isso existe um enquadramento por detrás, que é novo para mim”.

Mas Dave Cohn está entusiasmado:

“Adoro cada minuto, porque é como se fosse poesia digital. Tenho a oportunidade de construir este website como o imaginei, e é claro que há situações que surgem e que me obrigam a apagar alguns fogos e fazer certas coisas, mas que fazem todas parte deste processo, de, novamente, poesia digital.”

E quem pode participar? Spot.us “não é uma organização noticiosa”, por isso ele diz que não esta interessado em contratar ninguém. É “um mercado, uma plataforma que os jornalistas independentes podem usar para financiarem  os seus projectos”.

“É para jornalistas freelance, e funciona proposta a proposta. Encorajamos toda a gente a fazer propostas, toda a gente que queira fazer isto profissionalmente.”

No entanto, ele anunciou recentemente que estava à procura de jornalistas e comunidades para trabalhar com ele.

O projecto tem sido promovido de duas formas distintas: uma, mais tradicional e que conta com a colaboração de uma empresa de marketing. A outra baseia-se numa aproximação directa às comunidades organizadas:

“Não se trata realmente de marketing, mas de colaborar com pessoas que já têm comunidades organizadas, e dizer:’Olhem, vocês são uma comunidade, têm investido interesse em alguma coisa, querem que seja tratada jornalisticamente por um jornalista profissional, qual é? Vamos descobrir então o que é e como é que um jornalista profissional pode fazer o trabalho.”

E que papel  Dave tem nisto tudo?

“Eu sou um empreendedor, unicamente interessado nas questões do jornalismo.O que me apaixona e motiva é tentar perceber como é que o jornalismo pode continuar a prosperar, apesar da morte das suas instituições. Por isso sou um jornalista/empreendedor no sentido em que estou a tentar ver como o jornalismo se pode repensar e redefinir para que consiga continuar.”

Crowdfunding como um novo modelo de negócio

Um dos assuntos mais discutidos na blogosfera dedicada aos novos média é como encontrar um modelo de negócio sustentável para a indústria das notícias. O modelo de crowdfunding do Spot.us levantou algumas suspeitas sobre a possibilidade de que alguns grupos com uma agenda própria pudessem financiar reportagens específicas, deturpando assim o objectivo informativo do projecto, em comparação com uma suposta idoneidade dos media tradicionais.

Dave Cohn é muito claro:

“Não existe tal coisa como dinheiro limpo. É um mito que o dinheiro dos jornais é limpo. E qualquer um que trabalhe em jornalismo sabe a história de um editor que interrompeu uma investigação porque teria posto em causa algum dinheiro em publicidade.”

Ele defende que o processo tem de ser transparente em todas as etapas, e mostrar  “de onde vem o dinheiro, limitar as doações.”

Além disso, os nomes e a reputação dos profissionais envolvidos estariam em jogo – o jornalista que se propôs a escrever o artigo, o editor, e os média que vão publicar a história.

Cohn acredita que o papel da comunidade é crucial e que tudo mudou assim que as pessoas tiveram acesso às novas ferramentas da web:

“Talvez nos anos 60, organizar uma comunidade significava juntar um monte de pessoas e manifestarem-se, mas agora os jovens quando querem organizar uma comunidade criam média: criam um vídeo no YouTube, ou um movimento no Facebook.”

“E eu acredito que existirão cada vez mais projectos de jornalismo do cidadão com sucesso, e serão liderados por dirigentes cívicos ou comunitários, que assumiram essa responsabilidade e disseram: olhem, esta é um problema na minha comunidade, como é que posso resolvê-lo? Pomo-lo online, organiza-se online, ao criar média.”

Uma das maiores alterações no paradigma informativo é a necessidade crescente – e a capacidade –  que as pessoas agora têm de exigir que assuntos que  lhes são próximos façam parte da agenda noticiosa. E isto levantou questões sobre a eficácia e o papel do jornalismo, e como servia essa necessidade.

“As pessoas têm uma séria necessidade de informação,” e “é isso que o jornalismo deveria fazer: servir a necessidade de informação das pessoas.”

“Não é produzir um jornal. Um jornal é um produto acabado que é entregue à nossa porta. O que o jornalismo faz é informar as pessoas, e eu penso que as pessoas irão querer sempre informação, especialmente sobre as suas comunidades locais.”

E as pessoas podem exigir essa informação que as afecta a elas e às suas comunidades. Agora  que as comunidades têm maneira de se fazer ouvir, nada mais será como antes.

“Enquanto estivermos ligados a uma localização geográfica vamos querer saber o que se passa no nosso sítio. E isso nunca desaparecerá, as pessoas querem informação, e com profundidade. ”

O Jornalismo em dificuldades

Dave Cohn  tem uma analogia para explicar o que mudou na relação entre os utilizadores e os média:

“Se entrassem num restaurante e o empregado vos dissesse o que é que iriam comer ao jantar, vocês iam-se logo embora. Mas é assim que as notícias têm sido tradicionalmente distribuídas.”

“Se olharmos historicamente, nós viemos de uma época em que  havia uma comunicação do topo para a base, por isso fazia sentido: aqui estão as notícias, aqui está o que é importante.”

Hoje as pessoas podem pedir a informação que querem do vasto menu que é a web, e a definição do que é notícia ou não já não é decidida por um grupo restrito de pessoas.

“Tradicionalmente, 0.001% da população é que determinava a agenda noticiosa, e esses eram chamados de editores, e a razão pela qual eles podia determinar a agenda de informação é que eles eram os único com um orçamento.”

Cohn tem escrito e debatido longamente sobre o que é preciso ser feito para inovar e renovar a confiança nos média tradicionais. E para ele, as mudanças são de fundo:

“A forma como os orgãos de comunicação estão estruturados precisam de ser repensados ou reequipados, de forma a aumentar a capacidade de resposta, e a abertura. Mas a culpa não é deles, não é culpa de ninguém, porque vieram deste percurso histórico, que realmente passou à história: o que funcionou há 30 anos atrás já não funciona mais agora.”

A relação de confiança entre público e jornalistas também não tem sido muito estável. Perguntei a Dave Cohn se ele achava que a perspectiva do mundo dada pelos jornalistas era demasiado estreita. Ele diz que o problema não são os jornalistas.

“Eu acredito fortemente que os jornalistas em geral, quando falamos com eles individualmente, são no geral boas pessoas, e têm fortes convicções. Eles fazem o que fazem porque acreditam nisso, e são apaixonados pelo que fazem. Individualmente, a visão dos jornalistas e repórteres não é demasiado estreita.”

“Acho que o problema surge quando as instituições de que fazem parte – os jornais ou outras organizações noticiosas – estão estruturadas verticalmente, onde as ordens vêm de cima, e os indivíduos não podem tomar decisões na hora, e isso levou-as a serem algo limitadas, ou incapazes de se articular rapidamente, ou em resposta à comunidade, que agora tem uma voz com a internet.”

Apesar de ser um crítico em relação à lenta evolução dos média tradicionais, Dave Cohn não é um extremista:

“Penso que muitas vezes no debate sobre os novos e os media tradicionais pomos demasiadas vezes as coisas a preto e branco. É sempre mais complicado do que isso.”

O futuro e alguns conselhos

Para já, o Spot.us está sedeado na zona da baía de S.Francisco. Mas Dave Cohn está interessado em expandir o seu projecto para outras regiões e cidades como Nova Iorque, Los Angeles ou Seattle, enquanto vai sondando a aceitação que o projecto pode ter noutros países.

“O código da aplicação web é open source, por isso eu ficaria muito satisfeito e honrado se o quiserem usar no vosso próprio país. Eu quero que as pessoas peguem nisto, levem-no e usem-no na sua própria cidade.”

E aqueles que querem lançar-se por conta própria, como ele fez?

“Comecem pequeno, sejam realistas, e repitam.”

Ele reforça a ideia que o poder não está na tecnologia mas nas pessoas: “A comunidade ganha à tecnologia em qualquer altura.”

Esse é  espírito por detrás do trabalho de Dave Cohn. Ele dá mais um conselho, tanto para jornalistas como para empreendedores:

“Tenham paixão.”

E ele sabe do que é que está a falar.

Continue a ler ‘Entrevista : Dave Cohn em foco – Spot.us’

29
Out
08

Dave Cohn in the Spotlight

(Versão portuguesa aqui)

This is a crosspost with OJB, edited by Paul Bradshaw. Videos of the interview here and here.

Alex Gamela talks to Dave Cohn, founder of the non-profit, crowdfunding journalism project Spot.us, winner of a Knight News Challenge grant, and a suggested new model for the news business. On the eve of launching the Spot.us official website, Dave told OJB how he is putting his ideas into practice, and his views on the current state of journalism.

Four months after winning the KNC grant, Dave Cohn is a happy man. He started with a wiki where he presented and tested the different sides to his project, and he quickly managed to fund three stories. Now it is on its way to fund a fourth one. All of this even before having an official website.

The way it works is quite simple: someone – a journalist, a citizen, a community – pitches a subject to be investigated journalistically; the story is then open for funding, and whoever wants can contribute with a small sum; if the target amount is reached, a journalist takes the story on; finally it gets published.

So far this model has worked well:

“We’ve raised 3000 dollars from about 100 donors, about an average of 33 dollars each.

“It’s like digital poetry”

Dave Cohn has been doing his share on networked journalism for a while now, working with the likes of Jay Rosen and Jeff Jarvis.

He has strong beliefs on the possibilities that the web brings to journalism, the immense power of communities, and also in a change of attitude on the journalists part.

“Journalists and journalism right now is a diaspora, we’re sort of been kicked out of the homeland of newspapers, and we need to figure out where we can go from here”.

So he has been thinking about all this for a long time now, but the concept underlying Spot.us is rather recent for him: “I’ve been working on Spot.us as an idea for little over a year.”

Although it sounds simple, the task of building a platform has been complex, with all its nuts and bolts.

“Building a website in general is complex, and this is also building an organization. I have to remember this is a non-profit, so there’s a lot of framework behind that, to which I’m new to”.

But Dave Cohn is enthusiastic about it:

“I love every minute of it, because it’s like digital poetry. I have the opportunity to build this website as i envisioned it, and granted there are things that come up along the way that force me to put out some fires and do certain things, but they’re all part of this process, of , again, digital poetry.”

And who can participate? Spot.us “is not a news organization”, so he says he’s not considering hiring anyone. It’s “a marketplace, a platform that independent journalists can use to crowdfund for themselves”.

“It’s for freelance journalists, and it works on a pitch by pitch basis. We encourage everybody to do a pitch, everyone who wants to do this professionally.”

However, he recently announced that he is looking for journalists and communities to work with him.

The project has been promoted in two distinct ways: one, more traditional with the help of a marketing company. The other, based on a grassroots approach to the organized communities.

“It’s not really about marketing, but partnering with people that already have communities organized, and say: Look, you are a community, you have invested interested on something, you want something covered by a professional journalist, what is it? Lets find out what it is and how a professional journalist can cover it”

And what is Dave Cohn’s role in all of this?

“I’m an entrepreneur, strictly interested in the issues of journalism. What I’m passionate about and what motivates me is figuring out how journalism can continue to thrive, despite the death of its institutions. So I’m a journalist/entrepreneur in that sense where I’m trying to figure out how journalism can rethink itself and redefine itself so it can continue.”

Crowdfunding as a new business model

One of the most discussed issues on the new media blogosphere is how to find a sustainable business model for the news industry. Spot.us’ crowdfunding model raised some doubts over the possibility that groups with their own agenda might fund specific stories, thus skewing the journalistic goal of the project, in contrast with traditional media that appeared as the gold standard.

Dave Cohn is very clear about this:

“There’s no such thing as clean money. It’s a myth that newspapers’ money is clean. And anybody who is working in journalism knows the story of a publisher who killed an investigation because it would have threatened some advertising dollars.”

He argues that the process must be transparent every step of the way, and show “where the money comes from, limit donations.”

Besides, the names and the reputation of the professionals involved are at stake – the journalist who proposed to write the story, the editor, and the media who will publish it.

Cohn believes the role of the community is crucial, and everything changed when people got access to the new web tools:

“Maybe in the 1960’s community organizing meant gathering a bunch of people picketing, but now young people when they want to do community organizing they create media: they create a YouTube video, or a Facebook cause.

“And I think more and more you will get successful citizen journalism projects, and they’re usually led by civic leaders or community leaders, who have taken responsibility and said: look, this is an issue of my community, how can I help benefit it? Well I’ll take it online, organize online, by making media”.

One of the major shifts in the news paradigm is the growing need – and ability – that people have to claim issues that are close to them in the news agenda. And this raised questions about the effectiveness and the role of journalism, and how it served that need.

“People have serious information needs,” and “that’s what journalism should be: serving the information needs of people.

“It’s not producing a newspaper. A newspaper is a packaged product that is delivered to your door. What journalism does is to inform people, and i think people will always want information, especially about their local community.”

And now people can demand for the information that affects them and their communities, and in depth. Now that the communities know they can have their voice heard, nothing will ever be the same.

“As long as we are tied to geographical locations we’re going to want to know what’s going on in our geographical location. So that is not going to disappear, people want in depth stuff.”

Journalism on the spot

Dave Cohn has an analogy to explain what has changed in the relationship between users and media.

“If you walked into a restaurant and the waiter told you what you were going to eat for dinner, you’d walk right out. But that’s the way news has traditionally been served.

“When you look at it historically, we came out of a time where it was top-down communication, so that made sense: here’s your news, here’s what’s important.”

Now the people can order the information they want off the vast menu called the web, and the definition of what is news or not is no longer decided by a restricted number of people.

“Traditionally, 0.001% of the population determined the news agenda, and they were called editors, and the reason they were able to determine the news agenda is because they were the only ones with a freelance budget.”

Cohn has written and debated profusely about what needs to be done to improve and renew the trust in traditional media. And to him, background changes must occur.

“The way news media are structured need to be rethought or re-tooled, so it can respond more, and be more open, but it’s not their fault, it’s nobody’s fault, it’s just the way those organizations are structured, because it came out of this history, and it literally is history now, what worked 30 years ago doesn’t work anymore.”

The trust relationship between audience and journalists isn’t rock-steady. I asked Dave Cohn if the view of the world given by journalists wasn’t too narrow. He says it’s not about the journalists.

“I strongly believe that journalists in general, when you talk to them one on one are in general really good people, and they have strong beliefs. They’re doing what they’re doing because they believe in it, and they’re passionate about it. Individual reporters and journalists, their view is not too narrow.

“I think the problem comes in that, the institutions they’re part of – the newspapers or the news organizations – are structured in a top-down way, where orders come from the top, individuals can’t make necessarily decisions on the fly, and that caused them to be somewhat narrow, or unable to pivot rapidly or in response to the community, that now has a voice in result of the internet.”

Although he is critic about the slow evolution of traditional media, Dave Cohn is not extreme in his opinions.

“I think a lot of times in this traditional or new media debate we cast things in black and white a little too often. It’s always more complicated than that.”

The future and some advice

For now, Spot.us is based in the San Francisco Bay area. But Dave Cohn is interested to expand his project to other regions and cities, like New York, Los Angeles or Seattle, while he is probing the acceptance the project might have in other countries.

“The web code application is open source, so if you want to use it and start it in your own country or in your own city, I would be so happy and honoured. I want people to take this, it’s open source for a reason, take it and use it in your own city.”

And to those who want to start their own ventures?

“Start small, start realistic, and iterate.”

He reinforces the idea that the true power is not in technology, but in people:

“Community trumps technology any day of the week.”

That is the true spirit behind Dave Cohn’s work. He leaves one final piece of advice, both for journalists and entrepreneurs:

“Be passionate.”

And he knows what he is talking about.

Continue a ler ‘Dave Cohn in the Spotlight’




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