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i agora? uma revisão ao que foi dito e ficou por dizer


Quando escrevi a minha crítica ao i (ao site particularmente, já que ainda não tinha nas mãos a versão impressa), foi baseado nas minhas primeiras reacções ao que estava disponível – o post estava escrito 4 horas depois do site ter ficado online. E posso dizer que as minhas ideias principais mantêm-se ao fim destes poucos dias de vida do jornal, mas outros comentadores e uma leitura à edição de papel levantaram outras questões que acho pertinentes para o futuro do projecto. Como normalmente sou bastante benevolente nas primeiras impressões, sinto a necessidade de aprofundar mais alguns pontos a partir de novas impressões, das minhas, e de outros. Para o bem e não para o mal, aqui vão.

inovação e forma

A primeira coisa que reparamos relativamente ao i é o formato, tanto no site, como na versão impressa. Se já falei do site – económico, limpo, simples – no papel a organização é mais confusa, há demasiadas áreas vazias, erros ortográficos que não se perdoam (“irradicação” na edição de Sábado, mas há mais) o que prejudica a credibilidade de qualquer publicação. Acontecem mas não deviam acontecer.

Não gosto da falta de linhas verticais a dividir artigos diferentes, é uma opção estética, mas se juntarmos isso à arrumação dos conteúdos às vezes a leitura é surreal  (acontece mais no Radar). Na edição de Sábado gostei muito das infografias, a do Giro de Itália ocupa uma página inteira  e é bastante interessante, e cumpre o seu papel.

O tamanho do jornal é prático, e desculpem-me os detractores mas este é o formato que vai dominar no futuro. O i lê-se bem deitado, o que para a filosofia do jornal se calhar é mais importante do que parece. Ao ler o i – e como vivo numa cidade à beira mar – penso que é um bom jornal para se ler na praia, os agrafos e as dimensões são úteis para se enfrentar o areal ventoso da Figueira, por exemplo.

Mas vou ter que concordar com algumas ideias sobre a fotografia, há opções a reconsiderar, a capa do nº1 foi muito fraca, e preocupa-me a falta de creditação de algumas imagens (caso notório, a reportagem ” Álcool antes dos 18 anos”).

Tem pormenores iguais aos da Monocle? Problema de quem fez e de quem comprou a estética, eu acho que resulta. E faz as necessárias chamadas para mais conteúdos multimédia no site, não tão bem como o DN, mas creio que como está chega.

Há problemas técnicos que se vão ter que resolver, como o RSS, as espanholices, o social bookmarking (as redes estão mal escolhidas), mas não é nada que não se veja com tempo.

A ideia que fica da primeira impressão visual do i é bastante positiva e continuo a defender que é um passo em direcção ao futuro, e que torna o jornal único. Mas o que se passa debaixo da superfície é mais complicado.

ideologia e identidade

Quando li o editorial do primeiro número torci o nariz. O Martim Avillez Figueiredo em vez de apresentar aquilo que define a personalidade editorial do projecto, deu um manual de instruções para se ler o jornal. Fiquei sem saber o que é o i, o que defende, qual é o seu manifesto ideológico, o que é que o separa do Público, do DN, JN, Expresso, das revistas cor-de-rosa ou das publicações juvenis.

Chamaram a atenção para a falta de apresentação de um estatuto editorial obrigatório num primeiro número, e isso ainda me deixou mais reticente em relação à consistência dos conteúdos. E quando li o jornal fiquei ainda mais preocupado. Não concordo com algumas opiniões que acho demasiado pesadas, mas há textos muito mal escritos, e o número de Sábado mais parece um pequeno manual de prevaricações próprias de uma revista para jovens adultos:  “5 passos para falsificar um BI”, “Como encontrar um (restaurante) clandestino”, “Da semente até ao charro” (com uma boa infografia para uma estufa caseira).

Se se assumiram como concorrentes do Público, estão a ir por um caminho completamente diferente. Estarão a dar espaço às propostas dos jovens jornalistas? Excelente! Mas parecem uma tosta de bacon com queijo light, e isso não ajuda a definir o que é o i, nas ideias, na atitude, na orientação. Sem isso não irão definir o seu público alvo, mas, assim que lhes passar aquele brilho nos olhos que surge em todas as pessoas que estão a começar um novo empreendimento (acreditem que sei como se pode ficar cego com isso), vão perceber que há coisas a mudar e a redefinir.

Já disse isto antes mas volto a repetir: o papel só deve ser gasto com boa escrita.

Depois não sei que ética é que permite a utilização dos nomes reais de menores em situações que lhes podem causar problemas com a família (reportagem “Álcool antes dos 18 anos”). Aliás, acho que se podem descobrir aqui e ali uns erros de palmatória nas questões éticas e deontológicas, especialmente nos trabalhos dos jornalistas mais novos, o que exige das editorias uma maior atenção. A ver.

Outra coisa que me fez espécie foi a geografia do i. A que país pertence? Lisboa, cidade  e subúrbios , e elites sociais e políticas? Onde está (desculpem usar esta expressão que odeio) o país real? Só acontecem coisas em Lisboa e o resto são pequenos pontos no Radar? Eu não vivo na capital nem nada que se pareça, e acho que estão a aplicar uma visão redutora sobre o que é Portugal, erro comum aliás a muitos outros jornais. Mas  isso é reflexo de um conjunto de erros que irei abordar no fim do texto.

A questão que fica é: o que é o i? Se com o Sol percebeu-se de onde vinham e o que queriam fazer, com este jornal as dúvidas são muitas, e os laivos de conservadorismo juvenil que se revelam ao ler os artigos sobre esses temas  contracorrente que referi antes não auguram nada de bom. Mas se calhar é apenas um reflexo de uma ideologia que se vai instalando lentamente na nossa sociedade.

E os exclusivos New York Times são um abuso: três artigos por número, muitos deles lidos e relidos na web? Pior, parecem ser usados como elemento validador da qualidade do i, que só será validada pelo  conteúdo próprio. É uma boa ideia, e eu gosto dos artigos, mas na última página preferia outra coisa, de que já vou falar.

Como não procuram ser um projecto de hard-news, vou dizer que o i não é um jornal para nos informarmos, mas para nos instruirmos. Não espero grandes cachas deles.

interacção

Há questões pertinentes relativamente à relação do i com os seus leitores. Aliás, podemos começar logo pela forma como se relacionaram com as primeiras críticas. Por mais que eu goste de ser mencionado em jornais e nos sites, fiquei incomodado por só terem usado as mais positivas e favoráveis ao projecto.

Eu se calhar teria feito o mesmo, mas tinha respondido na medida do possível às críticas negativas mais válidas num dos blogues do site, pelo menos. A auto-promoção é muito importante, mas aceitar as críticas e dar a outra face são fundamentais. É que no meio das opiniões negativas e algumas altamente gratuitas e destrutivas há sempre algo que se pode aproveitar. E levar as picardias pessoais a público é feio. Portugal é um país de gente mesquinha, óptimo, já sabemos. Não vamos é alinhar nisso.

A rentabilização dos blogues aliás é uma desilusão. São inúteis porque ou muito me engano ou não passam para o papel. Deviam ser diferentes também nisso. Com tanto blog podem muito bem usá-los para fazer algumas últimas páginas, em vez do artigo do NY Times. É uma maior motivação para os bloggers residentes e uma forma de chamar pessoas a essa zona do site.

A escolha das redes sociais parece-me boa, à excepção do social bookmarking, como já disse. A ideia de colocarem um jornalista a gerir o relacionamento social virtual com os leitores parece-me ser uma boa ideia, mas até agora não vi nada que possa definir ou ajudar a criar uma icomunidade, como me explicaram, especialmente depois da atitude passiva e defensiva que assumiram durante o desenrolar de críticas negativas no Twitter, por exemplo. Que, diga-se, não vi referenciado no site ou no jornal, como foi feito com os blogues.

Estes pormenores fazem-me parecer que as intenções estão lá, mas que na realidade é tudo um pouco fogo de vista, porque está na moda e é do que se fala, mas poucos compreendem, especialmente nas direcções , e estou a ver o jornalista destacado para essas funções a ser recolocado noutro tipo de tarefas em breve,  e a supervisionar os estagiários curriculares nesse trabalho.

Houve uma situação que me chateou, mas esta é a nível pessoal. Andei quase dois meses a ver se entrevistava alguém do i, e após uma primeira resposta impecável e perfeitamente compreensível a adiar a entrevista, finalmente tive uma ajuda para concretizar o meu objectivo, cerca de uma semana e meia antes de se lançar o primeiro número. Apesar de todos os esforços do meu contacto no i – a quem tenho que agradecer pelo trabalho e pelo tempo,e pela atenção-  não tive resposta.

Aceito que estão mais preocupados com outras coisas do que em responder às   perguntas de um blogger qualquer. Preferia receber um email a dizer “agradecemos o seu interesse, mas de momento não achamos relevante satisfazer o seu pedido, obrigado”, e depois não usarem parte da minha crítica positiva, ao menos eram coerentes.  As perguntas que lhes enviei podem ser lidas no final deste post.

Outro ponto a ter em conta é o papel e os termos do iRepórter. Mais uma vez parece que a  oportunidade de se incorporar algum jornalismo do cidadão numa publicação de uma forma eficaz e realista ficou-se pelas intenções. Os termos de utilização não me parecem ser os melhores para o estabelecimento de uma relação de confiança entre colaboradores e marca. Aí estão tão mal como a concorrência.

Onde o i é uma (des)ilusão

Como já vos disse, não sei o que o i é. Mas sei perfeitamente o que não é.

O i não é um jornal diário. Nem mais: a um euro por número, 1.40€ por uma edição que nada o justifica, e sem apostar a fundo na informação diária, o i devia ter uma frequência diferente. Terças, Quintas e Sábados, e talvez um aumento por altura das férias (já vos tinha dito que é porreiro para ler deitado e na praia?). Acho que se faziam números melhores, com menos custos.

O i não é um jornal de grande tiragem. O mercado do i já devia estar estabelecido, mas a indefinição na orientação editorial do jornal está a baralhar as contas. O i devia ser jornal para 25/30 mil cópias, e esgotadas com regularidade.

O i não está a usar todos os recurso que tem ao seu dispor. Este é o ponto em que eu acho que a Sojormedia/Grupo Lena estão a passar completamente ao lado. Ora, eles têm uma página no site com links para outras empresas de comunicação do grupo, mas pelo que percebi não há nenhum tipo de integração com esses orgãos de comunicação locais, onde há experiência, trabalho e matéria prima para ser utilizados numa edição nacional.

Se trabalhasse numa das publicações regionais do grupo e visse que nenhum do meu trabalho poderá aparecer na edição nova, que levou um investimento brutal enquanto o site do meu jornal é uma porcaria, e que deu trabalho a uma série de putos quando estou há anos a ver se saio desta cidade, ficaria assim um bocado desmotivado. E dói ver que vão buscar o New York Times mas não conteúdos internos.

Se a integração do regional no nacional me parece inexistente, também suspeito que o que se aprender no nacional não chegará às empresas mais pequenas do grupo, que bem precisam de formação e investimento na renovação das suas metodologias e tecnologias.

O i não é um jornal nacional. Como disse antes, não sei que país é este de que fala o i. É interessante saber que em Alcântara vai nascer um jardim onde agora estão contentores, que posso ir por minha conta e risco ao Martim Moniz comer num restaurante clandestino, que há um lar gay em Lisboa. Mas eu não estou em Lisboa. Até o Público, que se vende miseravelmente no Porto, tem uma edição Norte, porque há assuntos de interesse nacional a acontecer por aquelas bandas. Já deu para perceber que este é um jornal de estações de metro, não de apeadeiros.

Eu costumo dizer que para se ter uma ideia do que é Portugal é preciso ler dois jornais, o Correio da Manhã e o JN. Creio que nunca irei incluir o i nesta lista.  Por isso, não duvido que a distribuição do jornal será reduzida a alguns centros urbanos e do litoral, dentro de algumas semanas.

O i não é obrigatoriamente um matutino. Sem apostar nas notícias breves, e mais nas de fundo, e com as suas características magazinescas, não estou a ver que razões obrigam o jornal a estar disponível de manhã, tirando o facto de que assim podem entrar nos hábitos matinais de leitura dos portugueses, se é que os há. Mas este ponto é o que tenho menos certezas, há uma série de razões económicas e de venda que favorecem os matutinos.

Estas questões levam a analisar de outra forma o posicionamento do jornal no mercado português. Perde para os jornais de referência na abrangência, nos exclusivos, na importância à realidade regional e local, na informação diária (onde acaba por sofrer também da concorrência dos gratuitos);  não ganha aos semanários porque traz demasiados artigos de fundo para uma leitura diária, é um jornal que precisa de tempo quando traz coisas que nos interessam. Falha redondamente na definição da marca, a revolução do i parece ter sido ao nível superficial, de resto surge como um aglomerado de ideias sem fio condutor. Pode ser que com o tempo se venha a provar que estou errado.

Onde o i ganha é na oportunidade que tem de arriscar, de ser realmente diferente se o quiserem, e não andarem preocupados com as outras marcas, não vejo qual é o interesse em dizer que a sua concorrência directa é o Público ou o JN, porque não é, o i é um objecto único no panorama editorial português . Se definirem uma voz própria vão vender menos, mas terão o respeito dos leitores e dos seus pares, e o futuro não está nos que vendem mais mas nos que vendem melhor.

Sigam os conselhos que outros partilharam – e não me estou a dirigir aos jornalistas ou aos editores de cada secção, mas aos executivos do grupo e ao Martim Avillez Figueiredo – e vejam que para a opinião pública vocês ainda não existem ou estão perto do falhanço. Eu não acredito nisso, mas como leitor e como defensor de melhores instituições jornalísticas em toda a parte, acho que ainda falta muito, talvez demasiado, para o i ser um projecto sólido, nem que seja porque as expectativas foram colocadas a uma fasquia demasiado ambiciosa. Mas há muitas coisas boas.

O Pedro Rolo Duarte tem 50 números temáticos para fazer para a sua revista de Sábado. Daqui a um ano voltamos ao assunto.

________________________________________________________________

As perguntas que lhes fiz (e às quais ainda espero que me respondam)

  • Em que é que o “i” vai ser diferente dos outros jornais, no papel? Menos páginas, menos breves, ou há algo mais?
  • Qual é a relação que vai haver entre o online e o papel? É uma redacção integrada? Há directrizes diferentes para ambos?
  • Sei que os jornalistas vão ter à sua disposição vários equipamentos para conteúdos multimédia. Que tipo de formação tiveram? Para a direcção do i é o caminho a seguir (não só na empresa mas no jornalismo em geral)?
  • O que é que os jornais existentes estão a fazer de mal que vocês querem evitar?
  • A redacção como espaço físico tem algumas particularidades. Não pude deixar de reparar que têm um espaço dedicado para conteúdos vídeo. O que é que destacam de diferente, e como é que isso afecta o método de trabalho?
  • Houve alguma descrença aquando da apresentação do projecto. Porquê lançar uma publicação nova agora, quando o que se vê é o encerramento de jornais, e o espalhar da crise?
  • Como acham que vai ser o futuro do jornalismo,para as empresas e para os jornalistas?
  • Os cursos de Jornalismo lentamente estão a adaptar-se à nova realidade tecnológica e social da web, mas muitos estudantes de jornalismo ainda não sabem bem o que os espera. Que conselhos lhes dão?
  • O i é o jornal do futuro?

Acima de tudo, boa sorte, e bom trabalho.


18 Responses to “i agora? uma revisão ao que foi dito e ficou por dizer”


  1. 11 de Maio de 2009 às 12:55 pm

    Alex,

    Uma leitura muito sólida.
    Tem nela a contradição que todos sentimos neste momento – o ‘i’ é assim…e gostavamos tanto que não fosse. O ´’i’ mostra todos os sinais de estar a caminho de uma ‘trajectória Sol’ (mas em passo acelerado) e isso é prufundamente triste para quem acredita que o jornalismo ainda tem um lugar social relevante.
    O ‘i’ parece ter – na ambição não enquadrada, na estratégia de querer ‘embutir’ a lógica das revistas num diário pago, na abertura pouco honesta à comunidade, na indefinição geográfica (ou, se se preferir, na aposta num eixo Lx/NY) – todas as marcas de um projecto mal concebido de raíz (ou, alternativamente, concebido a meias entre devaneios de quem gostava de trabalhar noutro país e quem, sendo de outro país, faz mais esforço para vender soluções já pré-concebidas do que para perceber a realidade específica do mercado nacional).
    Vai ser preciso – como se diz neste post – mudar muita coisa.
    E pode não haver nem vontade nem tempo.
    É pena.

    • 11 de Maio de 2009 às 1:03 pm

      Olá Luís, obrigado. Mesmo assim acho que faltam dizer algumas coisas, espero é ser bem interpretado. O desenquadramento da ambição de que falas é algo com que eu concordo. E obrigado pelos teus posts sobre o assunto, ajudaram-me bastante para fazer este post.

      Abraço.

  2. 3 PJ
    11 de Maio de 2009 às 1:01 pm

    Olhar sempre atento. É por isso que gosto de ler o que escreves. E concordo. A falta de estatuto editorial é gritante, isto porque o “i” não está a assumir compromisso(s) com os seus leitores. Depois acontecem coisas com as que referiste, mais do ponto de vista ético e deontológico. Quanto às questões do restante Portugal, permite-me acrescentar à tua análise a questão: olhando para a entidade proprietária, que é o maior grupo de imprensa regional do País, e que enche meia página com a ficha técnica, onde se lêem os contactos das diferentes delegações, que rentabilização lhes querem dar (porque até ao momento, não vejo que estejam)?

    • 11 de Maio de 2009 às 1:12 pm

      Olá Pedro, tenho que dizer que fui alertado para a questão do estatuto editorial por outros posts, não sabia que era obrigatório, mas pelo menos uma carta de intenções ou um texto a dizer quem eram e o que eram.

      Não sei o que se passa em relação ao segundo, comentámos isso no outro dia e vimos que pode ser muita coisa. Mas sem estar por dentro não se pode saber ao certo.

      Abraço e obrigado

  3. 6 pedro f. guerreiro
    11 de Maio de 2009 às 1:05 pm

    parabéns por uma crítica muito séria e isenta a um jornal que tem despertado ódios e paixões assoladapas – mais ódios, na verdade.

    • 11 de Maio de 2009 às 1:17 pm

      Pois Pedro, eles puseram-se a jeito para isso e temos a tendência para deitar abaixo tudo que nos aparece à frente, mas tenho que dizer que concordo com todas as críticas para que linko no post, e acho que com mais ou menos agressividade no tom têm fundamento, e muita validade. O resto são picardias que não me dizem respeito, e das quais me procuro afastar o mais possível. Obrigado

  4. 11 de Maio de 2009 às 2:10 pm

    Concordo perfeitamente com tudo. Há um outro pormenor que me faz alguma ‘espécie’ no “i”. Eram perfeitamente dispensáveis aquelas páginas com as sessões de cinema. Além de serem só para encher, pecam por apenas incluir as salas de Lisboa, Porto e pouco mais…

    Também não percebo porquê que não aproveitam os jornalistas que o grupo tem em várias regiões para promover uma informação descentralizada. É que não dá mesmo para perceber…

    O preço também não é nada simpático. Não voltarei a comprar tão cedo.

    A única inovação que merece destaque são os agrafos. Realmente, torna o jornal muito mais prático de ler.

  5. 11 de Maio de 2009 às 9:14 pm

    Alexandre,

    acho que o que devias fazer era enviar estes dois posts que escreveste sobre o I ao conselho de administração do Sojormedia/Grupo Lena. Se eles fossem pessoas interessadas a longo prazo neste projecto não hesitariam em escolher-te para director do jornal. Estou a falar a sério! Tu sabes muito mais do que as pessoas que estão na direcção.

    • 11 de Maio de 2009 às 9:25 pm

      Olá Miguel, obrigado por teres tanta confiança nas minhas capacidades :). Mas o meu plano neste momento é outro. Além disso, e pelo que percebi, a política da administração não é de acordo com aquilo que eu acredito, e nunca seria a pessoa indicada para assumir um cargo desses porque não tenho experiência que me qualifique para tal. Para já vou fazendo o meu trabalho do lado de fora das trincheiras. Nas circunstâncias ideias seria um desafio interessante. Mas estas, não são, de longe sequer, próximas do ideal.

      Abraço e mais uma vez, obrigado.

      • 11 de Maio de 2009 às 9:33 pm

        pelo que percebi, a política da administração não é de acordo com aquilo que eu acredito

        Pois, aí é que está o problema. Existe um grande desnorte naquelas cabeças que não sabem se o jornal deve ser mais impresso do que online se mais online do que impresso e são incapazes de chegar a um equílibrio. Pessoalmente, não valorizo muito o impresso e não acredito que seja viável durante muito mais tempo mas independentemente disso parece-me que o I se arrisca a não chegar a lado nenhum.

  6. 13 PJ
    12 de Maio de 2009 às 12:41 pm

    O Alex sabe e está atento aos media, às novas formas de fazer jornalismo, à essência de um jornal, neste caso. Certamente não terá outros interesses para além destes. Já quem gere, terá outros (p.e. via @ardinario soube que em 56 páginas, a edição de hoje tem apenas duas de publicidade). Já na referência de que o autor deste blog está muito mal rentabilizado, com os conhecimentos e competências que tem, lá isso está.

    • 12 de Maio de 2009 às 12:47 pm

      Vocês são mesmo uns gajos porreiros! Eu fico-me pela análise externa, acho que no i há muita gente capaz e atenta, com mais experiência e noção de mercado do que eu, que saberá levar o projecto através das dificuldades. Pelo menos assim espero, e só lhes desejo as maiores felicidades.

      Isso de ser mal rentabilizado, já estou habituado. O primeiro culpado sou eu. Mas estou à vontade numa série de coisas.

      Abraço e obrigado :)

  7. 27 de Agosto de 2009 às 9:48 pm

    Olá Alex,
    Concordo com tudo o que disse. Mas o que mais me faz confusão, não são os 3 artigos do NY Times por dia no i, mas sim aquele suplemento que sai à Sexta, se não me engano, chamado I Reportagem e que tem 15 páginas de reportagens do NY Times.
    Para quê lançar um suplemento só com conteúdo de outro jornal ?

    • 27 de Agosto de 2009 às 10:20 pm

      Olá Miguel,

      pois, é daquelas coisas que retiram personalidade – a meu ver – ao jornal. O i é um projecto muito bom e tem subido de qualidade ao longo do tempo, e as ideias que apresentei neste post valem o que valem, são minhas. No entanto fiquei admirado com algumas reacções a este texto de pessoas ligadas ao projecto, mas acho que inseguros somos todos, e vi que existe uma forte aposta pessoal de todos envolvidos, o que é natural num mercado nas condições como está, e de louvar numa época em que não vejo muita gente a ter carinho pelo que faz. Mas continuo a defender que podia ser melhor rentabilizado, e ser mais próximo de alguns públicos. Ouvi dizer que o i vende 8 mil exemplares por dia, o que acho manifestamente pouco, mas só acredito quando vir dados oficiais. Aos poucos vai-se afirmando por si só, e qualquer dia não precisam de conteúdos do NYTimes para fazer suplementos, isso acredito de certeza.

      Obrigado pelo comentário e boa sorte a fazeres-te jornalista. Abraço.


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