15
Jul
08

O que é preciso para arranjar emprego como jornalista? | What does it take to get a job as a journalist?


Uma boa forma de se verificar a saúde e cultura empresarial de um país é através das páginas dos classificados.Especialmente quando nos debruçamos  sobre algumas áreas específicas. Como aqui falamos de jornalismo, já podem adivinhar o que vem a seguir.

A profissão de jornalista tem sido das que mais alterações sofreu nos últimos anos a nível de capacidades dos profissionais. Se as competências básicas se mantém inalteradas e omnipresentes na profissão, a sua aplicação tem mudado imenso: a tecnologia evoluiu e forçou a evolução da construção de conteúdos informativos. Mas o trabalho continua a ser responder às questões que aprendemos logo na primeira aula de jornalismo: o quê, quem, onde, como, quando e porquê.

Por isso este post vai comparar os anúncios que a Mindy MacAdams viu para jornalistas nos Estados Unidos e outros que eu escolhi de um popular site de empregos na área de comunicação em Portugal. O objectivo é comparar as competências exigidas aos jornalistas  e as condições oferecidas nestas duas realidades, e aferir das necessidades das empresas de comunicação portuguesas. Para juntar à festa, um inquérito que mostra quais são as capacidades exigidas aos jornalistas online da Carolina do Norte. Os resultados são muito interessantes. Como isto vai ocupar algum espaço,  saltem para a parte que interessa aqui.

A good way to check the business culture and health of a country is by reading the classified ads. Especially in some specific jobs. Since the main subject around here is journalism, you might guess what is coming next.

Journalism as a profession  has suffered many changes in the recent years, regarding required abilities. If the basic competences are unchanged and ever present in the job, it’s application has changed greatly: the technology evolved and forced the evolution in the construction of news contents. But the job is still answering to the questions that we learned in our very first journalism class: what, who, where, how, when, why.

So this post will compare the ads for journalists that Mindy MacAdams saw for positions in US newspapers, and a few that i chose from a popular portuguese media jobs website. The goal is to compare  the skills a journalist must have and the conditions offered in these two realities, and assess the needs of the news companies in Portugal. To make it evem more interesting, there’s a survey that shows which are the most required skills preferred for online journalists in North Carolina. The results are quite interesting. Since this will take some room, jump to what matters here.

O panorama mudou de tal forma que aquilo que se aprendeu na faculdade muitas vezes não é suficiente para enfrentar o mercado de trabalho. As variantes tradicionais da televisão/rádio/imprensa diferiam no suporte tecnológico, mas um jornalista era um jornalista. Fazia as perguntas, escrevia o texto, passava à história seguinte (é mais do que isto eu sei, mas a parte técnica ficava quase sempre para…os técnicos). O online exigiu uma maior versatilidade e uma desmultiplicação nas tarefas do jornalista. Quem acha que o jornalista online é o estagiário que cola os textos no site está completamente enganado. Esses também pensam que ter um site  é apenas uma curiosidade e que não serve de nada, e que não dá trabalho nenhum.  Mas as exigências são enormes para o Jornalista Online. Para já, esta é uma definição demasiado abrangente: gestor de conteúdos, produtor multimédia, gestor de comunidades, redactor web, tudo isto são várias profissões e competências dentro do jornalismo online. E implicam um pouco mais do que copy/paste.

A Mindy MacAdams é professora universitária e um dos nomes de referência na blogosfera dedicada ao jornalismo. Ela diz: “Os empregos no Jornalismo de amanhã não são empregos que existiam quando saí do curso de jornalismo no início da última recessão (era Reagan) — e no entanto, estes não são empregos loucos de blogar-de-pijama,pagos-à -palavra. De facto, estão todos na secção de Media Online do JournalismJobs.com, onde alguns jornalistas qualificados nem sequer iriam procurar. Estes lugares mostram porque é que todos os jornalistas (e os que o querem ser) precisam de adquirir competências para além da escrita.”

Ou seja, ou acompanhamos a evolução, ou ficamos pelo caminho. Aqui ficam alguns exemplos escolhidos por MacAdams:

  • “… Editor web associado para a conceptualização e gestão de conteúdo editorial para o website da revista da Smithsonian. Mínimo de 3 anos de experiência em jornalismo online e impresso. Preferência por  bacharelato em  Jornalismo ou Inglês. Conhecimentos de HTML, Adobe Photoshop,  software de blogging, aplicações Flash  e produção de áudio e vídeo digital .” (Smithsonian Magazine, Washington)

  • “… procura produtor de Conteúdo Online para contribuir com conteúdo editorial para o seu Guia de Entretenimento e estação de rádio na Internet  … Este cargo integra-se numa pequena equipa que conceptualiza e cria conteúdos e rúbricas editoriais, desenvolve conteúdo multimédia, e colabora com freelancers…. as responsabilidades também incluem: escrever críticas e antevisões de eventos locais… actuar como apresentador de  rádio em directo… Preferência por bacharelato e especialização em Jornalismo, Comunicação, Inglês, ou áreas relacionadas; recém licenciados serão considerados.” (San Diego Union-Tribune)

  • “Estamos à procura de um editor informativo online para produzir notícias locais e multimédia para a  NBC10.com. este indivíduo irá responder ao editor do web site e trabalhar na redacção da NBC10 …  este trabalho exigente e multifacetado é mais indicado para um jornalista que goste de tecnologia e novos média..” (NBC10.com, Philadelphia)

Como podem ver, são cargos exigentes, específicos apesar da versatilidade exigida, e que implicam uma formação transversal no que diz respeito às novas tecnologias, e alguma experiência. Não há referência aos salários, mas são na sua grande parte para colocações em full-time, e sem fim determinado.

Agora os nossos.Para já quis cingir-me aos de edições online. Só vi lugares para estagiários, mas algumas das empresas são recorrentes nestes anúncios por isso não me parece que continuem muito tempo com as mesmas pessoas. Mas aqui vão três:

jornalista estagiário

JORNALISTA ESTAGIÁRIO

Pretende-se:
– Licenciatura em Comunicação Social
– Bons conhecimentos de inglês e de informática na óptica do utilizador

Valoriza-se:
– Experiência em produção de conteúdos online

Condições:
Estágio de 3 meses, não remunerado.

estágios

Temos lugar para dois estagiários na área de Jornalismo.

Somos uma empresa jornalística,… que edita publicações impressas e on line.

Seleccionamos candidatos jovens, de preferência recém-licenciados para trabalhar e aprender com a nossa equipa.

Valorizamos o espírito de iniciativa e de equipa, o dinamismo, a flexibilidade, a criatividade, a capacidade de expressão e de comunicação.

A primeira fase (não remunerada) é de adaptação e aprendizagem – em Setembro.

A segunda fase (remunerada) será de integração na empresa, após apuramento de um dos estagiários – em Dezembro.

jornalista (estágio não remunerado)

Jornalista (Estágio não remunerado) – Reforço de Verão para Estudantes Universitários

Empresa de conteúdos informativos digitais

O estágio será feito em regime de part-time e durante o período de férias universitárias, no site  …

Será dada a possibilidade ao estagiário de, durante o período de colaboração, trabalhar em ambiente de redacção, elaborar notícias, fazer reportagens, entrevistas, etc.

Requisitos:
Estudante de comunicação social/jornalismo
Disponibilidade imediata
Conhecimento e gosto por desporto

As diferenças são visíveis e começam na dimensão das empresas. Depois nas exigências – dá-se preferência a estudantes para fazerem estágio . Por acaso não vi assim grandes anúncios para os que acabaram já os estágios. Depois, é a ideia de que será muito bom fazer estágio nessa empresa. Aplicam-se conceitos como dinamismo, vontade, criatividade, mas não se exige uma competência específica.  Eu não digo que estas (e particularmente estas que escolhi) não são um bom ponto de partida para a carreira profissional de um jovem acabadinho de sair da faculdade. Mas infelizmente, anúncios destes aparecem de 3 em 3 meses. Os jovens fazem o que sabem, cumprem o seu tempo e vão-se embora, e dão lugar aos seguintes. Depois é o facto fantástico de alguns pagarem os 150 euros da praxe para despesas – fantástico porque há gente que nem isso paga. Mas um jovem deslocado, sem grandes capacidades financeiras nem pode pensar em fazer um estágio destes, onde faria em 3 meses pouco mais do que um mês de salário mínimo. E que competências se conseguem desenvolver em três meses numa empresa?

Ou seja: se um mercado aposta em profissionais altamente qualificados e procura garantir as condições mínimas para que os trabalhadores cumpram com o que lhes é exigido, aqui promove-se a mão de obra barata e não especializada. Eu tenho a perfeita noção que isto existe em todo o lado, e que o que vem nos anúncios pode ser bem pior ou bem melhor do que a realidade, mas estas ofertas parecem ser muito pobres, tanto para a valorização das empresas, como para a progressão dos estagiários.

A falta de exigências específicas nos anúncios demonstra também a falta de noção do cenário actual. Conhecimentos informáticos na óptica do utilizador e navegação web, bem, um puto de cinco anos tem isso. Mas para muitas empresas um macaco amestrado serviria perfeitamente. Por isso é que alguns sites parecem ser feitos por macacos amestrados ou putos de cinco anos.

É verdade que também muitos dos candidatos não cumprem minimamente com as exigências básicas da profissão, quanto mais com as novas condições. Mas parte tudo da vontade de cada um aprender e interessar-se em aumentar o seu conhecimento técnico e tecnológico, e interesse é uma coisa que se tem ou não, e que nenhuma universidade ensina. Por isso, se estão para entrar no mercado de trabalho aprendam o que puderem sobre a evolução dos métodos de trabalho, e produção de conteúdos online. Talvez se aguentem à tona aquando do grande dilúvio.

Ryan Thornburg fez um inquérito que procurava descobrir quais as competências fundamentais para um jornalista online. Os resultados apontam para as competências que se exigem desde sempre: velocidade de resposta, discernimento, trabalho de equipa etc, deixando as competências “tecnológicas” para o fundo da lista. Eu não estou surpreendido, essas são as características e as exigências do trabalho, independentemente do ambiente em que se trabalha (vejam o quadro). Na hora, a notícia certa, da melhor forma. E seja agora, ou daqui a cem anos, isso nunca há-de mudar. O que muda é a forma, e sem se saber trabalhar para o formato específico, seja televisão, rádio, imprensa ou online, a informação não passa.

O meu aviso é este e aplica-se tanto às empresas como aos (futuros) profissionais de comunicação: tenham noção do que são, o que querem, o que precisam, e evoluam. É a diferença entre conseguir ou morrer.

Links:

A look at some job openings

Traditional Concepts Most Important to Online Journalists

————————————————————————-

The setting has changed so much that what we learned in college often is not enough to face the job market. The traditional fields of TV/radio/press differed in the technological platform , but a journalist was a journalist. Asked questions, wrote the text ,  went to the next story (it’s more than this i know but the tech part was most of the times for… the tech guys). Online demanded a versatility and multitasking in the journalistic job. Those who think that the online journalist is the trainee that copy/pastes the stories on the website is totally wrong. Those are the ones who also think that having a website is just a fad and it has no use, and needs almost no work. But  the demand is huge for the Online Journalist. For starters, this is a far too broad definition: content manager, multimedia producer, web editor, community manager, all of these are several jobs and competences inside online journalism. And they mean a bit more than copy/paste.

Mindy MacAdams is a college teacher and one of the blogosphere references when we talk about journalism.She says: “Tomorrow’s journalism jobs are not jobs that existed when I got out of j-school at the beginning of the last recession (Reagan era) — and yet, these are not some crazy blogging-in-your-pajamas, pay-by-the-word jobs. In fact, they’re all listed in the Online Media section of JournalismJobs.com, where some qualified journalists might not even be looking. These positions illustrate why all journalists (and would-be journalists) need to acquire skills in addition to writing.”

We must evolve, or become extinct. Here are some examples picked by MacAdams:

  • “… an Associate Web Editor to assist the Web Editor in conceptualizing and managing editorial content for Smithsonian magazine’s Web site … Minimum 3 years experience in Web and print journalism. Bachelor’s degree in journalism or English preferred. Knowledge of HTML, Adobe Photoshop, blogging software, Flash applications and digital audio and video production.” (Smithsonian Magazine, Washington)
  • “… seeking an online Content Producer to contribute editorial content to its Entertainment Guide and Internet radio station … This position will be part of a small team that conceptualizes and creates editorial features and content; develops multimedia content; and works with freelancers. … responsibilities also will include: writing previews and reviews of local events and venues … acting as on-air radio talent … A bachelor’s degree with a major in journalism, communications, English or related field is desired; recent college graduates considered.” (San Diego Union-Tribune)
  • “We are seeking an online news editor to produce local news stories and multimedia for NBC10.com. This individual will report to the Web site managing editor and work in the NBC10 newsroom … This fast-paced, multi-faceted job is best suited for a journalist who embraces new media technology.” (NBC10.com, Philadelphia)

As you can see, these are demanding jobs, specific though they ask for versatility, and that imply a thorough formation when it comes to new technologies, and some experience. There is no reference to sallaries, but most of them are for full time positions, and with no end of contract defined.

Now, ours. For now, i just wanted to stick to the online related ads. I only saw trainee positions, but some of the companies are recurrent in this type of situations, so i don’t believe they really hire someone. But here’s three of them:

Trainee Journalist

Wanted:
– Major in Journalism
– good knowledge of English and user level computer skills

Valued:
– Experience in online content production

Salary:
3 month training, non paid

trainings

We have two positios for Journalism trainees

We are a news company,… publishes print and online editions.
We select young applicants, preferably recently graduated to work and learn with our team.

We value iniciative and team spirit, dynamics, flexibility, vreativity, and the ability to express and communicate.
The first stage (non paid) is for adpatation and learning- starts September

Second stage (paid) will be for integration in the company, after selecting one of the two trainees – in December  s

journalism training (not paid)

Summer reingorcement for college students

Digital news content company

The training will be in part-time through out college vacation, at the website…

Trainees will have the opportunity to work in a newsroom environment, edit news, stories, interviews, etc

Required:
Journalism student, immediate availability, knowledge and interest in sports

Differences are clear and they begin with the size of the companies. Then, on what they are asking – they prefer students for trainings. To tell you the truth, i haven´t seen many ads for those who already did their training.Then there’s the idea that it will be very good for them to work at that company. Concepts like dynamics, will, creativity are used, but they don’t ask for specific competences. I’m not saying that this (and specially these ads i chose) aren’t a good starting point for the fresh-out-of-college young student striving to make a career. But unfortunately, ads like these show up every 3 months. The trainees do what they can, do their time, make room for the next batch of trainees. And there’s the great detail that some pay the usual 150€ for expenses- great because there are some that don’t pay at all. But a young student, from out of town, without the financial capacity to deal with this can’t even think about taking a position like these.He would make in 3 months a bit more than the monthly portuguese minimum wage. And what skills can you develop in just three months?

If one job market is betting on highly qualified professionals and tries to guarantee the minimum conditions so the workers can do what is required from them, here we promote under skilled, cheap labor. I understand perfectly this happens almost everywhere, and what  one ad describes may be better or worse than reality, but these offers seem to be very poor, and undervalue the companies and undermine the trainees progression.

The lack of specific demands in these ads also shows they’re lost in the current reality. User level computer skills and web navigation, well, a five-year-old kid has them. But for many companies a trained monkey would do just fine. That’s why some websites look like they’re run by monkeys or five-year-old’s.

It is true that many of the applicants do not fulfill the minimum demands of the job,  and less  when it comes to the new conditions. But it all begins with the individual will to learn and be interested to increase the technical an d technological knowledge, and no university in the world will teach you how to be curious. So, if you are about to get into the rat race, learn as much as you can about the work methods evolution, and online content production. Maybe you’ll manage to stay afloat when the flood comes.

Ryan Thornburg did a survey that intended to find which are the most sought fundamental skills for an online journalist. The results show that are the same since forever: time pressure, judgement, team work etc, leaving the “technological” skills at the bottom of the list (check table). I’m not surprised, those are the features and demands of this job, regardless the environment where it is developed. As fast as you can, as right as you can, the best you can. And now, or in a hundred years time, things will be the same. What changes is the presentation, and if you don’t know how to work to your specific format- whether it’s tv, radio, press or online, the message won’t get through.

This is my alert, and it applies both to companies and (future) journalists: know what you are, what you want, what you need, and evolve. That’s the thin line between do or die.

Links:

A look at some job openings

Traditional Concepts Most Important to Online Journalists


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1 Response to “O que é preciso para arranjar emprego como jornalista? | What does it take to get a job as a journalist?”


  1. 1 Beatriz
    18 de Julho de 2008 às 5:48 pm

    Concordo plenamente com o que diz acerca dos estágios na área de jornalismo em Portugal…
    Sou recém licenciada e só encontro anúncios de estágios não remunerado e com exigência, o que me chateia é que pedem experiência sendo recém licenciada…
    Enfim, a cada dia que passa vejo esta profissão como sendo um entrave para os alunos que acabam o curso de jornalismo…
    Outro problema é que me informaram que se não fizer um estágio profissional em jornalismo e começar logo a trabalhar área perco direito à carteira de jornalista..é verdade?


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