20
Mai
08

Os novos papéis do público | The new roles of the audience


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O público já não é uma massa anónima mas um conjunto de individualidades
The audience is no longer an anonymous mass but a set of individualities

As relações entre jornalistas e público estão a mudar drasticamente. Se o paradigma do século XX era a comunicação em massa dirigido para grupos definidos por nível sócio económico e cultural, mas no entanto sem rosto, hoje o público tem a sua cara em redes sociais, nos seus blogs, e já não se esconde tanto no anonimato como há alguns anos atrás. O aumento da participação junto dos media permitiu fazerem-se ouvir como pessoas únicas e visíveis e não como elementos de uma multidão, o que veio também mudar o seu papel que assumiram durante todo o século passado: o de receptores passivos de informação.

O jornalismo morreu. E antes que entrem em pânico passo a explicar: o jornalismo como actividade exclusiva do jornalista acabou,e se alguma vez a expressão Comunicação Social fez sentido foi agora. Comunica-se para dentro comunidades, que reagem,contribuem, definem e disseminam a informação através dos seus elementos. O público tornou-se parte integrante do processo noticioso, e apesar de na sua grande maioria se manter ao largo da criação da informação, deixou de ser apenas um mero receptor. São estes os cinco papéis actuais do público: fonte, criador, comentador, selector e distribuidor. O de leitor está sempre presente e percorre todas estas funções.

Fonte

O público sempre teve um papel preponderante na denúncia de situações, como testemunha de acontecimentos, como fornecedor dos factos que constituem a notícia. O jornalismo é uma actividade de pessoas para as pessoas sobre as pessoas, por isso o público é a origem e fim do ciclo informativo, posto de uma maneira simplista. Antes, esta fase era a que permitia o maior grau de participação do público mas com as novas tecnologias surgiram novas competências.

Criador

À medida que a tecnologia transformou as máquinas fotográficas e as câmaras de vídeo mais portáteis e acessíveis a uma grande parte do público, tornou-se comum assistir a eventos capturados acidentalmente. O primeiro grande exemplo disto, provavelmente, será o video de Zapruder, no dia do assassinato de Kennedy, que na ausência de uma cobertura televisiva acabou por registar para a posteridade esse momento. Hoje em dia Zapruder não estaria sozinho, seriam dezenas de pessoas a filmar a passagem do presidente com o telemóvel ou com câmaras de vídeo digital e máquinas fotográficas baratas mas de alta resolução.E toda essa informação visual poderia estar disponível na net pouco tempo depois do acontecimento.Foi o que aconteceu no assassinato de Benazir Bhutto no ano passado.

Mas a criação não se limita à recolha de imagens que posteriormente serão usadas pelas empresas de comunicação, mas à recriação desse material em podcasts, videocasts, que surgem nos seus blogs e redes sociais. A literacia visual e digital consegue ser suficiente de forma a que um cidadão comum pode criar um produto jornalístico por iniciativa própria e não ser inferior em qualidade em relação a um produto “profissional”. Além disso, uma das características mais fortes das redes sociais é a criação e divulgação de informação que os media tradicionais não cobrem. Um bom exemplo são as bandas que divulgam os seus concertos no MySpace, por exemplo, e que mostram videos de actuações, enquanto que o seu próprio público comenta no espaço da banda ou em fóruns a qualidade das músicas, dos espectáculos, etc. Esta geração de conteúdos específicos existe graças às plataformas sociais de discussão, criadas e organizadas por e para grupos com interesses específicos (os chamados nichos de mercado). Sem recorrer a meios externos, estes grupos alimentam e fazem mover o fluxo de informação que eles próprios criaram. Mas todo este processo vive para a criação de feedback em relação ao trabalho do autor.

Comentador

Como é que os repórteres sabiam que estavam a ser bem sucedidos no seu trabalho? Um bom indicador eram as ameaças que sofriam quando lidavam com certos assuntos (partindo do princípio que estavam a ser sérios no seu trabalho) que incomodavam alguma gente com certo poder de intimidação. Outro eram as tiragens dos jornais, mas esse era apenas um bom indicador para os temas de primeira página, ou as cartas dos leitores, mas que na sua maioria seriam para se queixar do trabalho de alguém, ou seja, o feedback era igual a zero ou negativo. Hoje em dia já não é assim: as vezes que um artigo é lido, referenciado, comentado, são perfeitamente contabilizáveis em tempo real. E se antes os comentários ao trabalho de um jornalista ficava-se por conversas depois do trabalho entre colegas de profissão, agora a qualidade de um artigo pode ser questionada por qualquer um que lhe tenha acesso.

Mas o comentário não está reduzido à avaliação do trabalho feito, pelo contrário: através dos comentários o tema, a informação e a vida de uma notícia podem ser alargados de uma forma que não seria possível numa folha de jornal. O público participa não só com as suas próprias perspectivas – que por si só podem criar discussões paralelas – mas também com novos dados sobre o acontecimento. Voltando ao exemplo das bandas nos fóruns e no MySpace, qualquer um que se interesse pelo assunto pode fazer o seu relato, crítica ou comentário, sabendo que outros terão outras perspectivas e a oportunidade de fazer o mesmo, mas o objectivo primordial não é a partilha unilateral de informação mas a discussão, ou seja, a troca de informação entre vários elementos. Outra grande diferença está na escolha da informação a que o público hoje se sujeita.

Selector

Outra das características fundamentais do público moderno é a possibilidade que ele tem de escolher a informação. Se antes comprávamos um jornal para ler as notícias que nos trazia sobre vários temas, hoje podemos usar várias fontes para o mesmo tema, ou para escolher uma fonte para cada tema: o site de um jornal nacional para as notícias do mundo, o site de uma rádio local para as notícias da nossa cidade, um site dedicado a informação desportiva para sabermos as incidências do campeonato de uma modalidade sem expressão na imprensa generalista. O que acaba por acontecer é que lemos ou sujeitamo-nos apenas à informação que nos interessa,através das fontes que nos interessam, sejam elas empresas de comunicação ou blogs pessoais. Noutros tempos o máximo de escolha que tínhamos era mudar de canal ou virar a página. Hoje recolhemos a informação através de feeds RSS. Mas da mesma forma que a recolhemos também a distribuímos.

Distribuidor

Ora, acabei de dizer que podemos aceder à informação seleccionada por nós através de RSS, mas podemos disseminá-la da mesma forma. No caminho defendido por exemplo por Jeff Jarvis, o futuro não está na agregação de vários conteúdos dentro do mesmo espaço virtual, mas na possibilidade de as pessoas de apoderarem deles e distribuí-los nos seu próprios espaços e plataformas, transformarem o que é um produto externo e impessoal em algo que lhes pertence e os define. Widgets, blogs, e outras formas de personalizar e divulgar a informação que parte de uma empresa de comunicação social são algumas maneiras de fazer isso. Por cada distribuidor haverá no mínimo dezenas de potenciais novos receptores, que poderão duplicar ou passar a fazer parte da cadeia de distribuição de informação, tornando-se assim de certa maneira numa espécie de comunidade. É a versão digital do passa-palavra, mas com um impacto e abrangência infinitamente superiores. Acontecimentos como o terremoto da China, amplamente discutido entre os pensadores e profissionais de comunicação, mostraram que a fonte pode ser o distribuidor imediato de informação, sem passar por intermediários numa primeira fase.

Esta ordem de papéis não é linear, ou seja, nenhuma tem precedência sobre outra, qualquer um destes papéis pode -ou não- ser desempenhado pelo público em qualquer altura. A diferença é que o jornalista agora sabe que não está sozinho no processo de recolha, tratamento,desenvolvimento e divulgação da notícia, e que os seus leitores têm ideias e um rosto.

Este texto arranha apenas a superfície por isso se tiverem mais ideias partilhem.

The relationship between journalists and the audience are changing drastically. If the 20th century paradigm was mass communication directed to socially , economically and culturally defined groups, nowadays the audience has their face in social networks, in their blogs, and is hiding less behind the cloak of anonimity like some years ago. The increase of participation in the media allowed them to become heard as unique and visible persons, and not as elements in a crowd, which also changed the role they assumed throughout last century: of passive information receivers.

Journalism is dead. And before you all start panicking i´ll explain: journalism as journalist’s exclusive activity is over , and if ever the expression Social Communication made sense, is now. We communicate into communities, that react, contribute, define and disseminate the contents amid their elements. Audience became a part of the news process,and although in it’s vast majority most stay at bay, is no longer a mere receiver. These are the current five roles of the audience: source, creator, commentator, selector and distributor. The reader’s role is always present and in all of the functions.

Source

Audience has always had an important role in exposing situations, as a witness of events, as a supplier of the facts that made the news. Journalism is an activity of people to people about people, so the audience is the source and the end of the information cycle, in a simplistic manner. Before, this was the stage that allowed more intervention from the audience, but with the new technologies new comtences appeared.

Creator

As technology transformed photgraphic and video cameras more portable and affordable to a vast majority of the audience, it became common to watch to events captured accidentally. The first great example for this is probably Zapruder’s video, of Kennedy’s assassination, that in the absence of a TV coverage became the historical record of that specific moment. These days, Zapruder wouldn’t be on his own, there would be dozens of people shooting the presidential caravan with their cell phones, digital video and cheap but high resolution photographic cameras. And all of that visual information would be available on the web in a short matter of time after the event. That’s what has happened with Benazir Bhutto’s assassination last year.

But creation isn’t limited to the gathering of images that will be used later by media outfits, but it is also the recreation of that content in podcasts, videocasts, that are published in blogs and social networks. Visual and digital literacy are enough so a common citizen can create a journalistic product for himself and not being inferior in quality next to a “professioanl” product. Besides, one of the strongest features in social networking is the creation and dissemination of information that traditional media doesn’t cover. One good example are the small music bands that announce their concerts in MySpace, for example, and that show their performance videos, while their own audience comments in their space or in forums the quality of the songs, the shows, etc. This specific content generation exists thanks to the social discussion platforms, created and organized by and for groups with specific interestes (the so called market niches). Without turning to external media, these groups feed and move the information flow that they created by themselves. But this entire process lives for the creation of feedback regarding the authors work.

Commentator

How did the reporters knew that they were being successful in their work? One good indicator were the threats they suffered when dealing with certain subjects (believing that journalists were doing an honest work) that bothered some individuals with intimidation power. Other would be the circulation numbers, but that would be a good indicator for cover stories, or letters from the readers, but most of the times they were only for complaints about someone’s work, which means the feedback level was equal to zero or plain negative. Nowadays things aren’t like that: the number of times an article is written, referenced,linked, commented are perfectly accountable in real time. And if before the appreciations to a journalists work would stay in conversations between colleagues after work, now the quality of an article can be questioned by anyone that has access to it.

But comments aren’t reduced to the evaluation of the work done, it is quite the opposite: Through comments the subject,the facts and the life span of a news story can be extended in a way that wouldn’t be possible in a newspaper. The audience participates not only with their own views – that on their own can create parallel discussions- but also with new data on the event. Going back to the bands in MySpace and forums example, anyone interested in that subject can give their own account, review or commment, knowing that others will have other views and the opportunity of doing the same, but the main objective is not the unilateral share of information but dialogue, which is, the exchange of information between different individuals. Another huge difference is in the selection of information that the audience is exposed.

Selector

Another fundamental feature of the modern audience is the possibility they have to choose the information. If before we had to buy a newspaper to read the news it had on several subjects, today we can use different sources for the same subject, or pick a source for each subject: a national newspaper website for world news, a local radio website for local news, a sports news dedicated website to access information on a sport that has no expression in traditional media. What happens now is that we expose ourselves only to the information that matters to us, from the sources we trust, whether they’re media companies or personal blogs. In the old days the maximum choice we had was turning the page or changing channel. Today we gather the information through RSS feeds. But just like in the same way we gather the information, we can also distribute it.

Distributor

Now, i’ve just said that we can access the information selected by us through RSS, but we can disseminate it in the very same way. In the path defended for example by Jeff Jarvis, the future is not in aggregating several different contents inside the same virtual space, but in the chance people have to take them over and spread them in their own spaces and platforms, transforming what is an external, impersonal product into something that belongs to them and defines them. Widgets, blogs and other ways of personalizing and diffuse the information that comes out of a media company are some ways of doing that. For each distributor there will be dozens of potential new receivers, that may duplicate or become part of the information distribution chain, becoming somehow part of a community. This is the digital version of word-of-mouth, but with a spectrum and impact infinitely superior. Events like the China’s earthquake, thoroughly discussed by media pros and thinkers, showed that the source can immediatelly become the information distributor, cutting out the middle man, in a early stage.

This order of roles is not linear, i mean, none has precedence over the other, any of these roles can – or not- be taken by the audience anytime. the difference is that the journalist now knows he is nt alone in the gathering, treatment, development and distribution process, and that his audience has ideas and many faces.

This text is only scratching the surface so if you have extra ideas let me know and share them


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