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Abr
08

Suicídio Online | Online Suicide


Por um Jornal | By a Newspaper

Este é um caso prático sobre como um jornal está a ir pelo caminho errado.

Coimbra é uma das mais importantes cidades portuguesas, é a cidade universitária por excelência com uma população estudantil de dezenas de milhar de estudantes, e várias instituições de ensino superior. Como é capital de distrito, Coimbra tem dois jornais diários regionais de grande projecção: As Beiras e o Diário de Coimbra. São os jornais que encontramos em todos os cafés da zona Centro, com o público mais transversal, tanto em educação como em idade. São duas das maiores escolas de jornalismo do país, e por lá passaram e andam excelentes profissionais.

No entanto, as suas versões online são uma miséria: mau design, pouca informação, nenhuma interactividade, zero multimédia. Não satisfeitos com a falta de qualidade do site do jornal, a direcção das Beiras decidiu que para aceder aos conteúdos da sua página agora tem que se pagar. Na minha opinião, é das coisas mais estúpidas que eu vi no negócio.

Quando toda a gente está a investir na melhoria dos seus sites e a informação está em todo o lado e de borla, fazer isto é a mesma coisa que eliminar a presença do jornal da net. Os preços que pedem são ridículos: 30€ por ano para acesso à versão online, 50€ pela versão em PDF (para poderem comparar, uma assinatura anual geral da versão impressa são 105€).

O que é que a direcção das Beiras pensa ganhar com isto? Para já, perde leitores online para o seu principal concorrente, que tem aqui uma oportunidade de ouro para melhorar e pôr o seu site a render. Perde o público jovem, perde potencial público fora da região (possíveis futuros consumidores dos produtos dos anunciantes do jornal). E o que é que ganhamos com a versão paga em relação à gratuita? Eu não vejo vantagens nenhumas, e prevejo que as assinaturas da versão online não cheguem às duas dúzias. Posso estar enganado, claro, mas tenho a certeza que eles ainda estão mais errados do que eu.

Este caso é um paradigma da indústria dos jornais em Portugal na sua versão regional e local: mais do que atrasada é retrógrada, conservadora, moribunda, pobre. Com a importância avassaladora que possuem nas sociedades e comunidades das suas regiões, creio que nós todos merecíamos melhor. Leiam isto e pode ser que tenham alguma ideia.

UPDATE- enviei, no dia em que publiquei este post, um email para As Beiras a pedir um comentário à minha opinião, mas até hoje não obtive resposta. E, sinceramente, nunca estive à espera de receber alguma.

This is a real life case on how a newspaper is going down the wrong way.

Coimbra is one of the most important portuguese cities, and it’s the more traditional University city with a student population in the tenths of thousands, and several colleges. As a district capital, Coimbra has two prominent daily newspapers: As Beiras and Diário de Coimbra. These are the newspapers that we can find in every coffeshop in Mid Portugal area, and they have the most transversal audience, so much in education as in age. They are two of the biggest journalism schools in the country, and many excellent professionals have done or are doing their job there.

However, their online versions are disgraceful: poor design, almost no information, no interactivity, zero multimedia. Not happy with the lack of quality of their website, the board of the As Beiras decided that users must pay to access to their website contents. In my opinion, it’s one of the most stupid things that i have ever seen in the business.

While everyone is investing in developing their websites and information can be found for free everywhere, to do this is to eliminate the newspaper’s internet presence. The fees they ask are ridiculous: 30€ per year to access the online version, 50€ for the pdf full version (so you can compare, a general year subscription of the print edition is 105€).

What does the management of the As Beiras think it will make out of this? For starters, it will lose the online readers to their main competitor, that now has a golden opprtunity to improve and take prfit from their website. They will lose the younger audience, and potential outside of the region audiences (possible future consumers of the products of the newspaper advertisers). And what do we get more from the paid version over the free one? I can’t see no advantages at all, and i predict that the online subscriptions won’t reach the two dozens. I might be wrong of course, but i’m sure they’re even more wrong than me.

This situation is a model of the newspaper industry in Portugal, in it’s regional and local version: more than late, it’s backwards, conservative, dying, poor. With the overwhelming importance they have in their region’s societies and communities, i believe we all deserved better. Read this and you may get some new ideas.

UPDATE- I sent, on the same day i wrote this post, an email to As Beiras asking for a comment to this opinion, but i never got an answer back. And, honestly, i never really expected any.

As Beiras

Diário de Coimbra


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12 Responses to “Suicídio Online | Online Suicide”


  1. 10 de Abril de 2008 às 2:42 pm

    Hi Alex,

    Maybe you should write an email to the editor – and link to this post?

    The worst that can happen is for them to ignore it.

    Let me know how it goes for you.

  2. 10 de Abril de 2008 às 2:46 pm

    I should, shouldn’t I? Sometimes i forget the obvious. Thanks for the suggestion, i’ll send the email right after this.

    Any ideas on what they should really do?

  3. 11 de Abril de 2008 às 8:43 am

    Boa ideia, a do e-mail, Alexandre.
    Mas manda a prudência que – a bem da manutenção dos dois jornais da cidade – as pessoas sejam persuadidas e não apenas confrontadas com a parvoíce.
    O medo na indústria é muito e, na maioria dos casos, quem gere anda desatento – é a tal coisa da fábrica de sapatos.
    Abraço,

    ls

  4. 11 de Abril de 2008 às 9:28 am

    Foi o Azeem que me lembrou disso, e seria a metodologia mais jornalística a seguir.

    Tem toda a razão Luís, ninguém gosta que lhes apontem os erros, e é sempre preferível dizer como se pode melhorar, inovar, construir. Eu respeito ambas as instituições (são mais do que jornais), e custa-me ver que dois dos mais representativos nomes dos meios de comunicação local se arrastem desta forma. O medo é coisa que anda de mão dada com a ignorância, e infelizmente, há muito disso aliado a algum chico-espertismo (que felizmente não vejo neste caso).

    Tive uma experiência profissional relativamente próxima com uma pessoa que trabalhava com jornais locais, e deu para perceber, pelo que vi e pelo que me contava, que o jornalismo local em Portugal está na sua maioria ainda nos anos 50, é um jornalismo de paróquia, ainda a viver de esmolas, favores, e de estórinhas. Mesmo que queiram modernizar-se não sabem como, e lá volta e meia acabam por recorrer a vendedores de banha da cobra. É algo de muito portuguesinho, enfim…

    Mas relativamente a este caso em particular, vou ter que esperar pela resposta e espero que percebam n’As Beiras que isto não é nada contra o jornal. Conheço algumas pessoas que trabalham lá e posso sempre tentar perceber se ligaram alguma coisa a isto, o que duvido muito, pois há pouco tempo enviei um inquérito para 60 orgãos de comunicação do país inteiro e responderam-me apenas quatro. O inquérito era sobre jornalismo participativo, e isso implica diálogo. Sem respostas acabaram por me dar todos os dados.

    Não estou sinceramente à espera de um mail de volta, mas gostava que houvesse sugestões para alertar estes e outros jornais para o que se tem de mudar para sobreviver. Eu disse e repito: os jornais locais são extremamente importantes para as comunidades que servem. Daí eu andar a insistir nos posts que escrevi sobre o futuro dos jornais, creio que é preciso mudar uma certa atitude mercantilista e subserviente para se fazer o trabalho em condições, e abandonar a mentalidade da fábrica de sapatos. Mas isso é também um certo lado idealista que eu tenho.

    Num país do “quem não está por nós, está contra nós”, espero que a leitura do meu post seja bem compreendida por quem de direito. Não estou para agradar a ninguém, o meu objectivo é ajudar a melhorar as coisas, e às vezes é preciso falar feio para que nos ouçam. Mas também quero ter respostas, porque não tenho verdades absolutas.

    Obrigado pelo comentário Luís, e um abraço.

  5. 5 MMS
    20 de Outubro de 2008 às 8:57 pm

    O Diário das Beiras foi recentemente comprado por uns mercieiros da comunicação oriundos dos lados de Leira, que ja fizeram outras barbaridades com jornais regionais que compraram. Por isso não achei estranho essa atitude neandertal.

  6. 20 de Outubro de 2008 às 9:06 pm

    Sim, o grupo Lena do qual nem tenho grande informação, mas que refiro neste post.

    Agora acho que esta decisão foi tomada antes da compra, mas não tenho a certeza. Como refiro no texto, ninguém me respondeu ao email que enviei para As Beiras.

    Obrigado pelo comentário, Marco e que belo site que o Jornal de Vinhos tem. Acho que vos vou pedir ajuda para uma coisita que ando a pensar…


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