06
Abr
08

Como manter a chama viva – Linhas de orientação para o futuro dos jornais


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Este texto é a tradução adaptada do post de dia 1 de Abril How to keep the fire burning- Guidelines for the future of newspapers, que foi uma espécie de reacção a alguns meses de posts e artigos noutros sítios a proclamar a morte dos jornais. Apesar de me ter saído tudo num dia 1 de Abril, acho que a verdade é outra, assistindo-se agora a uma certa relativização do pânico que está a assolar as empresas de comunicação. O medo paralisa, por isso não é esse o caminho.

Espero que achem estas ideias, pelo menos, interessantes.

———————————————————————

fotografia: Comstock

(Ironia procura-se na relação título/imagem)

Tem sido um assunto recorrente aqui por estes lados, e todas as semanas podemos ler, num tom mais ou menos desesperado sobre isso em blogs, sites da indústria, think tanks: académicos, gestores, profissionais, estudantes, toda a gente tem ideias sobre as razões de os jornais estarem a cometer suicídio, mas são tão claras como as explicações disponíveis para as baleias que decidem vir morrer na costa. Há muitas opiniões, mas se descobríssemos as verdadeiras razões para isto, talvez pudéssemos resolver este problema. Esse foi o apelo de Richard Koci Hernandez no seu post Conversations: Am I Missing Something? Help!, que ele escreveu como reacção ao post de Jeff Jarvis Newspapers are f’ed. Por isso , a minha insónia levou-me a responder ao apelo de Koci e dar a minha humilde opinião sobre como podemos ajudar os jornais a ajudarem-se a eles mesmos.

O meu objectivo ao partilhar estas ideias é criar mais diálogo, em vez do ocasional comentário, por isso estão à vontade para justapôr , complementar, destruir ou mesmo sorrir com desprezo pelas minhas ideias. Vamos fazer um castelo, pegar-lhe fogo, (re)fazê-lo melhor. Ou então sentem-se à volta do lume e tragam as vossas melhores histórias de terror.

Os jornais e as pessoas dos jornais estão em pânico. Deveriam estar? A minha pergunta é: porque é que são eles que mais temem o futuro? Os jornais estão aqui há séculos (literalmente), e como criatura jurássicas que são , eles têm alguma dificuldade em adaptar-se às correntes evoluções tecnológicas. A rádio e a TV não parecem estar assim tão assustadas porque a tecnologia é uma parte fundamental do seu negócio. Mas a tecnologia não é o principal problema no futuro dos jornais, no entanto é aí onde muitos paralisam, e não conseguem dar o passo seguinte em criar procedimentos viáveis para transformar o que se vai reduzindo a cinzas numa fénix. Alvorada!! Os jornais como folhas impressas não chegam. Eles funcionarão desta forma tão bem como funcionaram durante décadas, se fizermos algumas mudanças (mesmo que se chegue a utilizar outro suporte físico que não o papel, isto ainda é válido). Estas mudanças não implicam apenas pôr vídeo no vosso website, ou ensinar os jornalistas a criar pacotes multimédia, isso não é mudar mas evoluir, e se há 50 anos atrás “apenas” era preciso saber escrever, os requisitos básicos para um jornalista incluem escrever, mas também saber criar e produzir nos novos formatos. Quanto mais se sabe, melhor se é.

A mudança necessária é uma gigantesca operação de bastidores, que vai afectar a estrutura da organização dos media e o mercado, mas também o tecido social e empresarial.Ambicioso não é? Sigam-me.

Onde é que os jornais precisam de mudar?

Existem cinco pontos-chave onde são necessárias mudanças. Talvez hajam mais, mas vou deixar as outras sugestões para vocês:

Método -> Os jornais precisam de alterar a forma como recolhem e apresentam as notícias;

Postura -> Os jornais precisam de alterar as suas linhas editoriais;

Envolvimento -> Os jornais precisam de interagir com os seus leitores, não olhando para eles como utilizadores mas como pessoas;

Investimento -> Os jornais precisam de gastar dinheiro para fazer dinheiro,e cobrar menos a mais;

Tecnologia-> Os jornais têm que recorrer à tecnologia para fazer melhor, mais rápido e único;

(texto continua)

Primeira Parte – Método

Como estabelecer um método para se dar as notícias

graphical flowchart of the scientific methodUm dos principais pontos de discussão em algumas redacções é a rivalidade entre o impresso e o multimédia. Isto pode ser saudável, porque um pouco de competição mantém a empresa viva, mas não se o resultado for a divisão da força de trabalho em duas facções separadas. O online e o impresso são o mesmo tipo de desporto, mas as regras são completamente diferentes. E porquê? Vamos constatar o óbvio (às vezes tem de ser) : meios , timinings e públicos diferentes. Sim, a versão impressa e a online têm públicos diferentes, por isso é que o papel não vai morrer, desde que se saiba manter essa audiência. O impresso e o online estão mais próximos do que o futebol e o basquetebol, porque partilham a mesma bola. Os campos são, no entanto, diferentes.

Agora que isto está estabelecido, vamos seguir uma notícia desde o momento em que acontece, até ao momento em que a estou a ler enquanto tomo café. As ideias seguintes são inspiradas em sugestões dadas por um grupo de discussão no JEECamp.

Portanto, a bomba (figuradamente) rebentou. O telefone toca na redacção….tsk tsk, isto é tão século passado…. o jornalista no local (se estiver algum) tweeta imediatamente o que aconteceu. Se não estiver nenhum, tweeta-se o que se sabe. Entretanto já deve existir uma comunidade que segue as vossas notícias no Twitter. Se estiverem em cima do acontecimento como deveriam estar, isso não vai ser difícil. O vosso repórter no local tem que ter em 5 minutos imagens , audio ou video para se colocar no site a declaração, o incidente, o fogo de artifício,no meio que seja mais adequado à situação. Ok, ele já pode ir para casa. Nem por isso. O editor vai ter que decidir se o repórter precisa de uma ajuda extra para cobrir a história: um repórter de imagem, anteriormente conhecido como fotógrafo, pode-se juntar ao jornalista para recolher video e áudio, para complementar, ilustrar, melhorar a história com melhores imagens – é por isso que ainda são precisos especialistas para cada área. Por esta altura, o jornalista já terá mais informação que será publicada no site do jornal, desenvolvendo a notícia como tinha sido prometido no primeiro tweet. Foi feito um apelo à colaboração do público. Os visitantes do site comentam as notícias, voltam mais tarde porque sabem que há mais actualizações, seja em texto, áudio ou vídeo, e mais comentários. Somos criaturas narcisistas, por isso se houver espaço para questões, contribuições e comentários, eles virão.

Depois de o repórter ter recolhido toda a informação, e não se poder fazer mais nada para actualizar o que se tem, ele pega no seu portátil – ok, vamos pô-lo já na redacção- no seu computador para escrever a notícia para a versão impressa (sem links, com uma estrutura diferente, mais elaborada). Enquanto outros podem ter trabalhado a versão online, porque era mais factual, o jornalista agora é obrigado a fazer aquilo que Hemingway Matthew Arnold chamou de “literatura à pressa”. Ele esteve lá, com os seus cinco sentidos e intuição bem despertos, por isso ele é que deve dar o ambiente, os detalhes, o sentimento geral da história, para provar que ele esteve realmente lá e que não foi tirado de um take de uma agência noticiosa. Isto até pode acontecer mas vão ter que ter na vossa equipa um grupo de (re)escritores que não tenham medo de investigar e dar uma perspectiva e fundo a uma história retirada das agências.

Depois de ter feito isso, o jornalista encontra-se com o rapaz ou rapariga do multimédia, o editor e o repórter de imagem que esteve no local para decidir, sobre o material disponível, se é necessário fazer um pacote multimédia, isto em situações em que tal não estava previamente planeado.

O que temos agora, no que respeita a conteúdos? Uma primeira, curta, notícia de última hora difundida pelo Twitter e por feed RSS; um texto em evolução no site, num estilo factual, que para de crescer quando deixa de haver informação extra, mas que ainda vive nos comentários e nos blogs externos – o jornalista ou o editor podem participar na discussão – , existem sons, imagens, ou um pequeno video. Mais tarde, tudo isto pode ser transformado num pacote multimédia , com gráficos especiais, edições de áudio e video, aquelas coisas que se estão a tornar corriqueiras nas redacções. Um texto com a perspectiva do jornalista para a edição impressa do dia seguinte, que contenha toda a informação, mas que também leve os leitores a visitar o site do jornal para conteúdos extra.

Tudo isto foi geotagged, twetado com imagens num mapa, e apelando à participação dos utilizadores para desenvolverem o assunto com os seus próprios conhecimentos, em texto, imagens ou video. Oh, e classificado avaliado pelos utilizadores: foi parcial, bem explicado, estava bom?

Bem, no fundo, o processo não é assim tão diferente do que se fazia antes, apenas envolve mais gente e uns procedimentos extra. Mas o que ainda é mais importante é chegar à notícia primeiro, melhor, e publicá-la primeiro e melhor.

Agora entram as questões editoriais

Segunda Parte – Postura

A perspectiva em mudança sobre o porquê de informar

Orson Welles em “Citizen Kane” (1941) Movie geeks only.

Citizen Kane

Adoro começar uma ideia com uma pergunta. Porque é que existem jornais? Ou outra questão: porque é que existem jornalistas? Esta é a segunda profissão mais antiga do mundo e porquê? As pessoas querem saber o que se passa , porque precisamos de conhecer o que pode afectar as nossas vidas. É uma questão de sobrevivência, se controlarmos o que nos rodeia sentimo-nos mais seguros. É claro que isto evoluiu para outros níveis completamente novos, mas isto é o básico. Nós precisamos de notícias para sobreviver ( =viver melhor). Por isso, se as pessoas dependem de informação para viver, quem possuir a informação detém algum poder. Foi por isso que se transformou num negócio, assim como a profissão mais antiga do mundo: as pessoas querem algo que não têm. Mas quando lemos um jornal hoje em dia é difícil encontrar as notícias que realmente são importantes, somos privados de informação vital, e a culpa é nossa como público.

Quando Charles Foster Kane/William Randolph Hearst decide inventar uma guerra, nenhum dos seus leitores poderia fazer outra coisa senão acreditar que realmente havia uma guerra. E se soubessem que era mentira, o que é que podiam fazer? A lupa foi aumentada, e não cobre só os políticos e as personagens que fazem as notícias, mas também os media. As organizações noticiosas foram sempre influenciadas ou detidas por grandes empresas, que eram influenciadas ou detidas por grupos políticos, que eram influenciados ou detidos por empresas. E as notícias são a melhor maneira de se exercer influência, logo a seguir a um grande arsenal militar. Goebbels sabia disso, e a sua propaganda ajudou a arrastar o mundo inteiro para a guerra.

Mas agora o jogo é diferente, temos acesso fácil a uma gigantesca quantidade de informação sobre qualquer assunto, e se sentirmos que não nos estão a contar a verdade sobre um determinado assunto, nós vamos procurá-la noutro lado qualquer. Por isso a nossa relação com os media, que foi sempre influenciada pela nossa proximidade nas perspectivas políticas e na nossa capacidade de distinguir se precisamos de saber mais sobre o preço do petróleo ou sobre a Paris Hilton (porque é que temos de gramar com a Paris Hilton?), agora está resumida a uma relação de confiança. Precisamos de ter a certeza de que não estamos a ser enganados, e de que a informação a que temos acesso não tem motivos escondidos, e que os assuntos mais importantes da nossa realidade estão a ser tratados de uma forma responsável. Os jornais precisam de abandonar as suas perspectivas parciais para trás, libertar-se das pressões políticas, e trabalhar para a criação de um senso comum bem informado, para a criação de um bem comum.

E para tal vão ter que deixar as pessoas entrar. Eu levantei a possibilidade de crowdbossing antes, mas não deverá ser preciso ir tão longe. Tudo o que é preciso fazer é deixar as pessoas “moldar” o jornal para que preencha as suas necessidades, e aproximem a agenda da sua realidade. Isto não é só uma mudança nos assuntos, a renovação na linha editorial deverá afectar toda a estrutura do jornal. Edições nacionais deverão trabalhar mais nos assuntos locais, um site de um jornal nacional não deverá ser suficiente, pelo que deverá ser subdividido em versões locais, que sigam as realidades específicas de cada região, até ao nível dos bairros. Sim, o mundo começa no nosso quintal (podem usar como slogan, dêem só o crédito e alguns trocos). Os cidadãos teriam a sua realidade coberta de uma forma mais equalitária, o que significa que os conteúdos seriam equivalentemente valiosos, caso viessem do nacional para o local ou do local para o nacional. A exposição destes conteúdos seria adaptada de acordo com o público específico de cada site. A agenda teria que ser recriada e a sua escala reapreciada para cada situação.

E a figura do provedor deveria ter mais impacto, funcionando não como apenas um sujeito mas como uma equipa, que iria moderar, ouvir, criar ligações entre a direcção e os leitores. A redacção já deveria estar ligada ao público, através de fóruns, debates online, comentários.

Mas o objectivo é levar as pessoas a acreditar naquilo se publica. Se quebrarem essa confiança e mostrarem fraqueza e servilismo perante poderes estabelecidos passam à história. A vossa independência é o vosso poder, por isso abram espaços para diferentes pontos de vista, mas não assumam nenhum. Ilustrem, contem, coloquem o vosso público no olho do furacão da informação, mas não se entusiasmem e se aproximem demasiado da espiral. Aí perderam tudo.

Agora precisam de saber como é que se hão-de envolver com as pessoas.

Terceira Parte – Envolvam-se com o vosso público

Nas palavras de Trent Reznor “We’re in this together now”

Se o construires, eles virão. O que é que é preciso construir? (esta cena das perguntas começa a tornar-se irritante) Uma comunidade. Como no filme Campo de Sonhos, os ingredientes são um local para onde as pessoas de possam dirigir, e um interesse comum. Vocês fornecem o espaço,e depois alimentam o interesse do vosso público nos temas que lhes interessam. E para cada tema há um produto, vendido em sabe-se lá quantas lojas locais. Imaginem que há um grupo que gosta de fazer bolos. Tirem-nos fora do forum de discussão (foram lá parar porque há uma coluna sobre culinária no vosso site que os levou lá), e promovam um concurso patrocinado, primeiro a nível local, depois a nível nacional, para o melhor pasteleiro amador do país. Metam isso na versão em papel também. Isto pode soar um pouco lamechas, mas as pessoas necessitam de sentir que fazem parte de alguma coisa. e todos nós gostamos de exibir as nossas melhores qualidades. Isto é uma acção “fora da caixa”, mas uma comunidade vai mais longe do que concursos de bolos.

As comunidades baseiam-se na partilha. E os jornais possuem aquela coisa que as pessoas precisam para sobreviver: informação. Portanto, se os jornais partilharem a informação, mais provável será que as pessoas partilhem a sua informação: as suas notícias, contribuições sobre um determinado assunto, o seu perfil como consumidores. Isto é uma grande seca, porque agora estamos a lembrar-nos daqueles questionários horrendos quando nos registamos num site de um jornal: “onde vive, rendimento anual, boxers ou slips?”. Normalmente eu crio um perfil como uma senhora obesa de 50 anos que se chama Matilde, quando vejo que a partilha de informação não me vai beneficiar em nada. O pior que me acontece é ser bombardeado por anúncios de fraldas para adultos, e cremes para as rugas. Mas dêem às pessoas uma conta para um blog e ensinem-nos a escrever o que pensam, e a relacionar os seus conteúdos com as vossas notícias.

E se conhecerem bem as comunidades que orbitam o vosso jornal, facilmente encontrarão as empresas certas para gastar dinheiro com vocês. Agora um salto em frente: as empresas são também uma parte da comunidade, e também elas geram conteúdos. Por isso, para a próxima, em vez de oferecerem um preço por banner ou por meia página de publicidade, ofereçam um serviço de alojamento. O banner vai lá estar, mas vai dirigir o leitor para um site que pertence alojado pelo vosso jornal. E o conteúdo desse website não vai ser apenas sobre a empresa, os seus contactos e serviços, mas também terá todas as notícias relacionadas com a sua área de actividade que o jornal publica. Um site de uma loja de surf inserido no jornal teria a cobertura do circuito de competição que o jornal fez, e também a crítica para o cd da banda de surf rock que apareceu no último suplemento cultural; um site de uma cabeleireira poderia estar repleto com notícias da semana da moda, posts dos proprietários sobre as últimas tendências. Eles pagariam apenas um pouco mais pelo serviço de alojamento e outras aplicações extra, porque hoje em dia é algo muito simples de se fazer.

Criem o vosso motor de busca para a secção de anúncios classificados, como a vossa versão própria da Craigslist, e aprendam com esses gajos: eles ficaram loucos com o local! E cobrem o mesmo ou menos do que fariam para a versão impressa. Abram fóruns de discussão, saiam e promovam eventos reais com pessoas reais, transportem a discussão da web para as ruas, especialmente em situações em que as pessoas se sentem desligadas das instituições. Isto é serviço público, que é uma expressão que tem de deixar de ser um palavrão neste negócio. Tudo isto vai criar uma marca, um nome que os empresários e os cidadãos gostariam de se ver associados (ver factor de confiança mais acima).

Recompensem os vossos utilizadores mais activos com descontos dos vossos anunciantes, dêem-lhes a ribalta quando merecem: destaquem posts dos seus blogs, procurem por talento entre o vosso público e contratem-nos (ou convidem-nos para eventos especiais).

Usem a versão impressa para aumentar a consciência colectiva, sejam verdes: se os leitores devolverem o jornal de ontem para reciclagem recebem um desconto no número de hoje.

Em resumo, reúnam acções positivas à volta da vossa empresa de comunicação, concentrem-se no vosso público, transformem-se na linha que liga os pontos dispersos e desenhem uma comunidade.

Mas vão precisar das pessoas certas para isso.

Quarta Parte

Não despeçam, contratem

Pois, é isso mesmo, o maior erro que se tem feito nos média é despedir gente ( e normalmente a gente errada).Parece uma maneira simples de evitar prejuízo, mas é apenas uma forma de escavar uma sepultura mais funda. E nem pensem em substituir o pessoal mais experiente por estagiários fresquinhos acabadinhos de sair da universidade, que agora não têm ninguém com quem aprender. O objectivo é fazer um jornal melhor, não um monte de folhas sujas de tinta. Já que estamos a falar disso, usem o papel para os assuntos realmente importantes, nada de palha. Isto significa que os melhores textos devem estar na versão impressa, sejam sobre entretenimento, mexericos, desporto ou política, mas façam da versão impressa um terreno para escritores, não um chorrilho de textos copiados/colados. Para tal precisam de ter os melhores e pagar-lhes por isso. Como devem ter reparado,é precisa uma equipa maior para lidar com todos os passos explicados na Primeira Parte. Mas a direcção diz que não há dinheiro suficiente para contratar mais gente: invistam em jornais locais, usem o seu staff e ponham-nos a trabalhar para o vosso jornal com os seus conteúdos locais. Então pessoal, as redes de televisão fazem isto há anos!

Reduzam as despesas criando o conteúdo mais rico possível para cada evento a que o vosso jornal comparece. Usem a vossa comunidade para chegar às histórias a que não chegam sozinhos, e estabeleçam padrões elevados, que serão: façam com que as vossas disponíveis e compreensíveis para a maioria do vosso público. E usem a tecnologia para explicar pormenores ou aumentar a compreensão através dos vossos próprios wikis, e convidando as pessoas a partilharem os seus próprios conhecimentos. Mas contratem gente inteligente, cujo objectivo não é ser uma estrela jornalística, porque esses dias estão mesmo acabados.

“As empresas não são escolas”, isto é um truísmo que nunca se aplicou ao jornalismo. Contratem os melhores profissionais com os conhecimentos que são necessários à evolução da vossa redacção, e ponham-nos a ensinar o resto da equipa, e encaixem os melhores onde são mais eficientes, invistam em cursos e workshops, e ofereçam-nos como recompensa para quem mais se esforça. Respeitem os seus direitos laborais, e façam-nos sentir confortáveis a fazer o trabalho que adoram.

Deixem de correr para trás, assim é só uma questão de tempo até caírem. Corram para saltar sobre a falha cada vez mais larga entre os dias de antigamente e o futuro.

Encontrem pessoas que estão por dentro dessas coisas que estão a infectar o bom velho jornalismo, como moderação de comentários, multimédia, construção de comunidades, tenham especialistas para áreas específicas, e jornalistas polivalentes para a maior parte dos vossos conteúdos. Se isto fosse uma equipa de futebol ( lá vou eu outra vez pelas analogias desportivas) vocês gostariam de ter os melhore jogadores, por isso procurem-nos entre os vossos leitores, gastem tempo a definir o perfil certo, e respeitem toda a gente por não usarem o sistema de cunhas. Dêem aos vossos trabalhadores as ferramentas certas para o trabalho.

É tempo de falar de tecnologia

Quinta Parte – Tecnologia

Usar a tecnologia para fazer melhor

Acreditem ou não, eu realmente acredito que a tecnologia é o elemento menos importante nesta equação. Sim, há coisas novas a acontecer, mas, como irei repetir até ao infinito, o objectivo é ainda o mesmo. É preciso que as empresas invistam em equipamento para conteúdos multimédia, e investimento pessoal por parte dos jornalistas para aprenderem aquilo que ainda não sabem, e serem suficientemente humildes para terem explicações e partilharem responsabilidades com geeks de 20 e poucos anos que sejam excelentes produtores de média.

Ensinem o vosso pessoal a pensar para além do texto, e a pedir ajuda quando precisam. Não façam estes erros comuns e aprendam com outros negócios online. Usem métodos comprovados, mas estes são tempos de descoberta e experimentação, por isso tomem alguns riscos.

A tecnologia é uma ferramenta, não o conteúdo.

E, finalmente, uma breve conclusão.

Sem fim à vista

Estes são os meus pensamentos incompletos sobre os caminhos que os jornais deviam seguir. Há falhas nestes conceitos, mas olhem, não sou nem um académico nem um empresário, sou um tipo desempregado que dorme no sofá dos pais com graves crises de insónia.

Mas o que quis demonstrar é que o futuro dos jornais não se trata de adoptar este ou aquele modelo de negócio, mas de reformular a sua identidade como empresas e instituições, e questionar se estão a cumprir o seu papel correctamente, nos dias de hoje. Passa tudo por criar sinergias com outras empresas, o público e dentro da redacção.

As notícias não são um produto,são um serviço, e não se esqueçam disso.

Agora já podem disparar à vontade.

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