Há alguns meses atrás pensei fazer uma reportagem sobre recibos verdes e as suas vantagens e desvantagens. No entanto, e por várias razões, nunca avancei com o projecto. Na altura em que iniciei os contactos para investigar sobre o assunto, falei com os criadores do FERVE (www.fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com), que atenciosamente me foram pondo a par das suas iniciativas. Neste último email que me enviaram, pedem testemunhos para uma reportagem, e, já que não fiz a minha, divulgo aqui o apelo:
“Povo que trabalhais a recibo verde ou afins:
Recebemos um contacto da Sarah Adamopoulos, jornalista freelance, que está a fazer uma reportagem sobre precariedade laboral.
Precisa de contactos de pessoas que estejam a trabalhar a recibos verdes e que estejam dispostas a dar o seu testemunho (anónimo ou não), preferencialmente no eixo Lisboa-Coimbra.
Podem enviar os vossos contactos para o FERVE (grupoferve (at) gmail.com) ou então podem falar directamente com a Sarah através do endereço de correio electrónico sarah.adamo (at) gmail.com .
Contamos convosco para continuar a dar visibilidade aos recibos verdes, seja no Estado seja no sector privado!
Pelo FERVE;
Cristina Andrade”

No início da minha própria reportagem, fiz uma e-entrevista à Cristina Andrade, onde ela explica o que é o FERVE.
-Como surgiu a ideia de criar o FERVE e de onde vêm as pessoas que
fazem parte deste movimento?
“A ideia partir de mim e do André Soares. Surgiu por sentirmos que esta questão dos falsos recibos verdes tem que começar a ser falada. Consideramos que é necessário dar a conhecer esta situação, criar massa crítica em torno dela. Como tal, criámos o blog, falámos com alguns amigos e o grupo foi-se formando. A palavra espalhou-se, também com a ajuda da comunicação social, e outras pessoas foram entrando em contacto connosco.”
-Quais são os maiores constrangimentos causados aos trabalhadores pelos recibos verdes?
“Precariedade constante. Iminência de desemprego a qualquer instante. Impossibilidade de usufruir de subsídio de desemprego, de Natal ou de férias. A estes factores acresce a instabilidade individual sentida por cada um/a do ponto de vista pessoal e psíquico.”
-Qual tem sido a reacção das pessoas que entram em contacto com
vocês, e que tipo de casos têm surgido?
“Têm-nos surgido os mais diversos relatos, referentes às mais variadas áreas: professores do enriquecimento curricular, formadores/as, profissionais dos Centros Novas Oportunidades, funcionários do Teatro São João, no Porto, trabalhadores da função pública em geral, fisioterapeutas, operadores de câmara da RTP, manipuladores dos bonecos do Contra-Informação, professores/as universitários… isto só para citar alguns…”
-Quem são os culpados desta situação?Há alguma justificação para que
isto aconteça?
“Em primeiro lugar, todos/as nós, enquanto sociedade civil. Esta situação começou, alastrou-se e mantém-se porque permitimos que assim seja. Por outro lado, esta situação é extremamente conveniente para quem contrata: não assume qualquer compromissos perante o trabalhador/a. E nesta situação, cria-se um clima de medo generalizado pela reivindicação de direitos laborais, adquiridos ao longo de décadas, com muita luta.”
-Para já o ferve é um blog. Existem planos para ser algo mais?
“Não somos ’só’ um blog. Somos pessoas, reunimo-nos e fazemos actividades. Ponderamos a hipótese de podermos assumir outra configuração mas, por agora, somos e mantemo-nos um grupo de pessoas às quais se juntam pessoas que querem lutar por esta causa.”
O Ferve desde então desenvolveu várias iniciativas, desde uma apresentação de Teatro do Oprimido a uma petição relativamente à situação dos bolseiros em Portugal, e têm sido referenciados em vários orgãos de comunicação. No blog podemos encontrar posts sobre o enquadramento legal dos recibos verdes e os seus aspectos práticos.
Mais do que um blog, o FERVE é um movimento cívico atento e activo perante a precariedade laboral no nosso país. Eles estão dispostos a ajudar a contar a vossa história, basta só enviar-lhes um mail para grupoferve@gmail.com.













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