05
Jun
07

Raul Cardoso


 

Raul Cardoso

Fotógrafo, fotojornalista, Raúl Cardoso vive para capturar o momento. Na exposição que levou ao Tubo d’Ensaio estão imagens de um passado recente, de um mundo que lhe é próximo mas que já não existe. Nesta conversa viajamos entre as exigências imediatas do jornalismo e a importância das imagens, as de capa e as pessoais.

 

(go to english version)

 

(english version at the bottom)

 

Estas fotografias são diferentes do que costumas fazer?
Esta é uma recolha de material que foi feita aí há 12 anos atrás, que não tem nada a ver com o que faço hoje. Eu sempre tive uma paixão muito grande pela fotografia, e associada a essa paixão há uma zona no Baixo Mondego, onde eu cresci, onde eu vivi a infância. Fui influenciado directamente por aquilo que o meu pai me mostrava, quando eu era mais garoto, e passeava lá pelo campo, foi isso que tentei retratar, para que ficasse imortalizado. Esta é uma exposição que eu dedico ao meu pai, que certamente haveria de gostar de a ver hoje.

 

Estas são zonas que agora estão completamente modificadas pela acção do Homem?
Também foi um dos motivos que me levou a ter essa preocupação de as registar nesse momento. Já começava a haver a transformação com a entrada da A14, e ou eu o fazia nessa altura ou eu já não voltaria a ter a hipótese de o fazer, e registar aquilo que ali está. Há fotografias em que se vê a acção do Homem, há outras em que ainda se vê o que era realmente aquela zona do Baixo Mondego, e a riqueza histórica que aquilo tinha.

 

As tuas fotografias não são só sobre a Natureza mas também sobre ruínas.
A maior parte dos temas que ali estão retratados são mesmo sobre situações de ruína, de decadência que nos passam despercebidos ao olhar, e que eu tive a sorte de conhecer quando era mais novo, através do meu pai, por isso é que dedico esta exposição a ele.

Encaro aquele trabalho que ali está como uma beleza natural. É uma fotografia simples, uma fotografia directa, não tem nada de extraordinário. Se estivéssemos a falar de uma mulher, diria que era uma mulher bela por si só. Não precisa de maquilhagem.

 

Como disse, é um trabalho com 12 anos de recolha, foi exposto pela primeira vez há 10 anos, mas é uma coisa simples, uma coisa directa…é um clássico preto-e-branco da fotografia, um clássico.

fotos.jpg

 

Como é que te iniciaste na fotografia?
Meio a brincar. Foi um gosto que veio não sei bem de onde, comecei a querer fotografar, depois em vez de ir para as aulas ia para a biblioteca estudar livros de fotografia. Comecei com uma máquina pequenina, fiz uns trabalhos, acharam que eu tinha piada com aquilo que andava a fazer, fui comprando, fui vendendo, e as coisas foram acontecendo naturalmente. Até que há 3 anos atrás surgiu-me a oportunidade de entrar na ASF, uma das principais agências de fotografia a nível nacional, e com reconhecimento internacional, e pronto, fiz uma opção de vida. Levei a fotografia muito mais a sério deixando outras actividades para trás, e consegui realizar um sonho de uma vida porque acaba por ser um sonho de uma vida.Pelo meio ficaram workshops, formações e muitos trabalhos…

 

Quais foram as tuas maiores referências e influências que tiveste nesse período de descoberta da fotografia que te afectaram mais?
Até chegar à ASF não tenho assim nenhuma referência em concreto. Quando entro na ASF começo a identificar-me com os fotojornalistas da actualidade: o Raimundo, o André Alves, o Miguel Nunes, que vêm todos de uma escola de fotografia daqui de há 10 ou 15 anos atrás, o Formidável, e outros nomes que agora não me recordo, mas nomes muito fortes no que diz respeito ao fotojornalismo. Até chegar ao fotojornalismo… fui crescendo.

 

Sempre foste um autodidacta?
Sim, sou um bocado naíf.

 

O grande desafio do fotojornalismo é ter que contar um acontecimento ou uma história numa só imagem.
Isso é o que me seduz no fotojornalismo. Eu não me identifico com um trabalho fotográfico com tanta força e com tanto à vontade como no fotojornalismo. Eu posso fazer mil imagens, mas uma imagem tem que valer por todas. E uma imagem que vale por todas tem que ser uma imagem com história, tem que responder aquilo que é a mensagem do jornalismo: tem que dizer o onde, o como, o quando e o porquê. E esse é que é o grande desafio a toda a hora e a todo o minuto, sem qualquer tipo de fronteiras. É um desafio constante, é uma adrenalina, é isso que me seduz.

 

Por isso é que entre tantos tipos de fotografia, a comercial, a publicitária, a fotografia de moda, a social, o fotojornalismo é aquele com o qual me sinto identificado.

 

De todos esses os desafios que tens que enfrentar no dia a dia, qual é que foi o maior?
Dos mais marcantes foi ficar trancado num fogo, e num flash ter que decidir ou fico aqui e já não saio, ou se saio corro o risco de não sair, mas não me interessa eu quero é a imagem. Foi ficar numa inundação e saber que fui o único a conseguir aquela imagem, enquanto os meus colegas recuaram…Outra situação marcante foi levar uma palmada de um agente da Judiciária à entrada de um tribunal, está agora a fazer um ano, enquanto ele entrava com um criminoso e eu meti-me à frente dele. Mas é uma adrenalina tão grande, tão grande…eu recordo-me perfeitamente dessa quando levei a palmada, andei a mancar porque eu não estava a contar com ela, foi uma palmada violenta. Andei a mancar durante 15 a 20 minutos, a queixar-me com dores nos pés, o chinelo partiu-se, eu nem sequer estava a contar de ir fazer aquele trabalho… mas a força que dá é quando tu olhas para a fotografia e dizes “Esta é a fotografia do dia”, e foste tu que a fizeste. E tudo isso é compensador. Como eu dizia na altura, uma palmada destas eu não me importava de levar todos os dias, porque tinha um fotão, um boneco, como nós dizemos na gíria.

 

Achas que os fotojornalistas ficam cegos atrás da imagem perfeita?
Cegos não, mas existe uma competição muito grande no terreno. Somos muitos, todos sabemos porque é que estamos ali e o que é que temos de fazer. A fotografia evoluiu muito com o aparecimento da fotografia digital. Com todo o mérito que lhes possa ser dado, qualquer amador pode conseguir fazer um bom boneco. Se nós somos profissionais temos uma carteira para defender, as cores de um jornal ou de uma agência, e temos que dar o nosso melhor. Temos que fazer diferente daquilo que faz um amador, senão não se justifica que esteja ali um profissional, que esteja ali um fotojornalista, com carteira de jornalista. Portanto é assim, tenho que pensar que estou ali porque sou profissional, tenho que fazer melhor que qualquer amador que lá esteja ao lado, e isso é uma adrenalina muito grande, é uma competição muito grande, mas daí a passar por cima de todos para fazer um boneco, penso que não…

 

Voltando à vertente mais artística do teu trabalho, tens mais algumas fotos à espera de serem mostradas?
Estou neste momento a preparar uma exposição, de fotojornalismo, que vou dedicar ao trabalho dos bombeiros, porque eu para fazer as minhas imagens eu tenho que sentir o que está a acontecer. O facto de ter que sentir a acção dos bombeiros no terreno, nos incêndios, nas inundações, nos acidentes… ao envolver-me com eles e sentir o mesmo que eles sentem, só assim é que consegui passar para a “película”, aquilo que é a realidade deles. Essa é uma exposição que lhes vou dedicar com muito carinho, porque realmente só vivendo e estando de perto. Mesmo vendo através da televisão e das imagens dos meus colegas, só lá é que dá para sentir o calor, sentir o frio, sentir a chuva. Tu no fotojornalismo tens que passar muito por isso.

 

Temos que estar lá?
Temos que estar lá. No caso dessa palmada à entrada do tribunal, recordo-me que passei sede, fome, calor, frio, tudo no mesmo dia. O dia começou à uma da tarde quando eu estava para ir para a praia, acabou às 11 da noite sem me poder largar da porta do tribunal. Passei a ter um respeito muito maior quando comecei a fazer fotojornalismo, pelos meus colegas repórteres de imagem, pelos repórteres de guerra, porque acho que, não sendo guerreiros, não sendo quem está na acção – só estão lá para reportar uma imagem- acabam por sentir o mesmo que quem lá está.

publico.jpg

 

 

Por sentires essa necessidade de estar no meio da acção, não gostarias de ser fotógrafo de guerra?
(pausa)Eu às vezes questiono-me em relação a isso, e acho que era um desafio e era chegar a um patamar muito grande. Mas tenho medo da minha reacção. Já tive algumas experiências mais chocantes que ainda me abalam, não é fácil. Eu não sei se iria ter o perfil psicológico para me conseguir enquadrar e ser um repórter de guerra.

 

A resposta pode ser um pau de dois bicos, se por um lado gostava de o fazer, por outro tenho muito medo da minha reacção, com medo dos traumas que isso me pudesse trazer.

 

Eu já tive algumas situações delicadas, faço acidentes com frequência… uma das coisas que me marcou bastante, foi ir a mais um acidente mortal, como a tantos outros que vou, e chego lá e era um amigo meu. E eu saio do carro e a máquina treme-me nas mãos, “ e agora, o que é que eu faço?”. Eu não tenho coragem de fotografar, não sou capaz porque as minhas mãos estavam trémulas, estava com a mesma vontade de todos os outros que lá estavam, que era de lamentar a morte de um amigo, o que é o normal, e tive que passar com a racionalidade acima da emoção, levantar a máquina e ir fotografar o acidente do meu amigo. Fi-lo, porque sou profissional, mas quando o telefone tocou eu só disse para o meu chefe para me dar uns minutos, que daquela vez o morto era meu amigo…e depois liguei-lhe eu a dizer que já tinha a foto. Mas até lhe conseguir ligar e dizer que já tinha a foto… passa-se muita coisa na nossa cabeça, e é muito difícil. Se todas as outras histórias me marcaram pela positiva, esta foi uma história que me marcou pela negativa, e que eu não gostava de voltar a repetir. Portanto, não sei como me iria marcar fazer reportagem de guerra.

 

Achas que o público não valoriza a imagem, por haver tanta abundância delas?
Eu acho que a desvalorização das imagens deve-se ao facto de existirem muitos meios de comunicação. Se esquecêssemos por um bocado a imprensa, se pensássemos só em termos de televisão, quando havia só um canal, nós limitávamo-nos apenas àquele canal de televisão. Quando há dois, três, quatro canais passa a haver mais força na informação, passa a haver mais necessidade de informação. E todos querem marcar a sua posição. Em termos de imprensa, passa-se rigorosamente o mesmo. Neste momento há muitos bons profissionais a fazer fotografia, mas são tantos os jornais que existem a competir uns com os outros que a imagem acaba por ser diluída. O mesmo se passa com as imagens da televisão. Se nós repararmos, desde que entraram os novos canais a qualidade da nossa televisão aumentou, em termos de informação e de imagem. No entanto, essa qualidade acaba por se diluir por causa da competição e da maior quantidade de imagens.

Alexandre Gamela

Ouça a entrevista na íntegra no Podcast do Tubo d’Ensaio

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Raul Cardoso

Photographer, photojournalist, Raúl Cardoso lives to capture the moment. On the exhibition he took to Tubo d’Ensaio are images of a recent past, of a world still close to him but that no longer exists. In this interview we talk about the immediate demands of the news photography and the importance of images, on the cover and in private.

 

These photographs are different than what you usually do?

This is a 12 year old gathering, that has nothing to do with what i do now. I always had a great passion for photography, and associated to that passion there’s this area in the Lower Mondego, where i grew up. I was influenced by what my father showed me when i was a kid and strolled through the country, that’s what i tried to portray, to immortalize. I dedicate this exhibition to my father, that certainly would have liked to see it today.

This is an area totally changed by man now?

That was one of the reasons that lead me to have the concern to register it then. There was already a transformation, with the construction of the A14, and, or i would do it then or i ‘d miss the chance to photograph what is out there. There are pictures where you can see man’s work, there are others where you can still see how really was that region and the historical richness that existed there.

Your pictures aren’t only about Nature but also about ruins.

Most of the themes portraied are truly about ruins, of decadence that are out of sight, and i was fortunate to know them when i was younger, through my father, and that’s why i dedicate this exhibition to him.
I look at this work like a natural beauty. It’s simple photography,straight photography, there’s nothing extraordinary about it. If we were talking about a woman, i’d say she’s beautiful as she is. There’s no need for make up.
As i said, it’s a 12 year old work, it was shown 10 years ago for the first time, but it’s simple, direct… it’s classic black and white photography, classic.

fotos.jpg


How did you start in photography?

Half playing. It was a taste that came from i don’t know where, i wanted to take pictures, then instead of going to classes i used to go the library and study photography books. I started with a small camera, did some works, some people thought my stuff was interesting, i bought, sold, and things just happened naturally. Until 3 years ago the opportunity came to work with the ASF, one of the main national photo agencies, and with international recognition, and that was it, i made an option. I took on photography much more seriously and left other activities behind, because it’s a life’s dream. In between some workshops, courses and lots of work…

Who were your main references and influences in that discovery period?
Until i got to ASF i had no real references. When i got there, i started to identify with today’s photojournalists: Raimundo, André Alves, Miguel Nunes, and other names that i don’t recall right now, but that are very important in the business. Until i became a photojournalist…i just grew up.

You’ve always been self taught?
Yes, i’m a bit naif.

The great challenge in news photography is to tell a story in just one image.

That is the seduction of photojournalism. I don’t feel as comfortable with a photographic work as strongly and at ease as in photojournalism. I can take a thousand images, but one has to worth them all. And the one imagem that worthes that much must be an image with a story, it must answer to what is the purpose of journalism: it must define the what, where, how, when and why. And that is the true challenge at all times, without limits. It’s a constant challenge, it’s a rush, that’s why it’s so seductive.
So, with all kinds of photography -commercial, advertising, fashion, social- news photos are the ones that i feel identified with.

Of all of those challenges you have to face on a daily basis, which one was the biggest?

One of the most remarkable ones was to get trapped in a fire, and in a split second i had to decide to run or i wouldn’t leave, or if i ran maybe i wouldn’t make it, but that didn´t matter, all i wanted was the shot. Other was to be in a flood and knowing that i was the only one to get that image, while my colleagues stepped back…Another remarkable situation was when i was struck by a police officer while he was taking a prisoner into the courthouse, it was a year ago,and i got in their way. But it’s such an adrenaline rush so great, so great…i remember perfectly about that time he hit me, i was limping because i didn’t expect it, it was a violent blow. I was limping for about 15, 20 minutes, complaining about the pain in my feet, my slipper broke, and i wasn’t even supposed to take that assignment…but the strength you take from looking at the picture and say “This is the shot of the day”, and you took it…All of that is rewarding. Like i said then, a blow like this i wouldn’t mind to take everyday, because i had a great picture.

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Do you think photojournalists go blindly after the perfect image?
Not blind, but there’s a huge competition on the field. There’s a lot of us, and we all know why we are there and what we are supposed to do. Photography evolved alot with the digital. Inspite of all merit they can have, any amateur can take a good picture. If we are pros, we have a license to protect, the colors of a newspaper or agency, and we have to do our best.We have to do it differently than an amateur does, or else you can’t justify the presence of a professional, that a news photographer is there, with a journalistic license. So that’s it, i have to think i’m there because i’m a pro,i have to do it better than any amateur around, and that’s a lot of adrenaline, a lot of competition, but from there to going over everyone, i don’t think so…

Back to the more artistic side of your work, do you have more pictures waiting to be shown?
Right now i’m preparing an exhibition, of news pictures, that i will dedicate to the firemen’s work, because to take my pictures i have to feel what is happening. The fact that i have to feel the action of the firemen on the field, at the fires, the floods, the car crashes…getting involved with them and feel what they feel, that’s how i managed to catch on “film” what is their reality. That’s an exhibition i will dedicate them with care, you have to truly live it and be close. Even if you see it on the tv and in my colleagues pictures, there is where you can feel the heat, the cold, the rain. You have to go through all of that in photojournalism.

You got to be there?

You got to be there.When i was hit at the courthouse, i remember i was thirsty, hungry, hot, cold, all in one day. The day began at one o’clock when i was about to go to the beach, and at eleven i wasn’t to leave that courthouse door.When i started in the news i developed so much more respect for my fellow cameramen, war reporters, because, without being warriors, without being the subject of the action -they’re just there to get an image- they get to feel the same as anybody there.

Since you have that urge to be in the middle of the action, wouldn´t you like to be a war correspondent?

(pause) Sometimes i wonder about that, and i guess that would be a great challenge, and it would be reaching a higher level.But i fear my reaction. I’ve had some shocking experiences that still affect me, it’s not easy. I don’t know if i’d have the right profile to fit in and be a war correspondent.
The answer has two hands, on one i would like to do it, on the other i fear my reaction very much, because of all the trauma that it might bring.
I had some delicate situations, i cover car crashes frequently… one of the things that scarred me, was to be assigned to another deadly crash, like so many others, and when i got there it was a friend of mine. And i get out of my car and my camera starts shaking in my hands “now what will i do?”. I didn’t had the courage to take the picture, i couldn’t because my hands were shaking, i had the same will as anybody there, that was to mourn the death of a friend, which is normal, and i had to go beyond my emotions and raise my camera and photograph my friend’s accident.I did it because i’m a professional, but when the phone rang, i just told my boss to give me a couple of minutes, because this time the deceased was a friend…and afterwards i called him back to tell him i had the shot.But until i got to call him…there goes a lot through your mind, and it’s really hard. If all the other stories had a positive effect on me, this one was negative, and i wouldn’t like to go through it again. So, i don’t know how it would affect me to be a war photographer.

Alexandre Gamela

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