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A Feira de Emprego|The Job Fair


Estar desempregado, ou, pelo menos, sem uma fonte de rendimentos fixa, implica estar sempre atento a novas oportunidades de trabalho. Sexta feira passada, aproveitando uma viagem a Montemor para uma entrevista de emprego de uma amiga minha, fui até Coimbra para o último dia da Feira de Emprego, na Praça da República.Mas quando lá cheguei, reparei que faltava alguma coisa….Enterpriser's Academy...

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To be unemployed, or, at least, without a steady income source, means you have to be always on the lookout for job opportunities. Last friday, seizing a trip to Montemor for a job interview of a friend of mine, i went to Coimbra for the last day of the Job Fair. But when i got there, i noticed something was missing…

(scroll down for english version)

Pessoas. Debaixo da tenda branca que começava cada vez mais a assemelhar-se a uma estufa, não estava praticamente ninguém, nem a visitar nem nos stands. É preciso dizer também que era quase hora de almoço, mas não deixei de estranhar. Será que não há pessoas à procura de trabalho em Coimbra?

“Desculpem lá, mas a feira está fechada para almoço ou não está cá mesmo ninguém?” A resposta foi pronta: “Sabes, o pessoal entra e arranja logo emprego”. Pontos extra pela resposta pronta e bem disposta, mas quando reparei que a barraca era da Associação Académica, ainda estranhei mais. “Quinta-feira à noite é quando sai toda a gente em Coimbra, por isso hoje de manhã não vem quase ninguém”. OK, penso eu, mas se vocês são estudantes o que é que estão aqui a fazer? Será que o perfil do estudante universitário mudou assim tanto desde que me formei? Decidi enfrentar o vazio da tenda e investigar que mundo de oportunidades laborais esperavam por mim nos stands abandonados.

Bem, pelo menos dois estavam com gente. No primeiro do lado esquerdo acabei por encontrar uma amiga minha, que trabalha com uma empresa de formação profissional. O namorado dela entrou no mesmo curso e ao mesmo tempo que eu, e mostrou-me a tese que tinha entregue essa semana, qualquer coisa relacionada com Administração Hospitalar. Ela também tirou Comunicação Social na mesma escola, e estava ali, naquela estufa gigantesca, ao som de um música irritante que provinha do vídeo onde se apresentavam as possibilidades que um curso na empresa podia dar. Três licenciados, com a experiência combinada em, pelo menos, 7 orgãos de comunicação, e nenhum a trabalhar na área. Atrás de nós, uma feira vazia.

Depois de uma conversa que se tornou algo deprimente – as recordações de uma época cada vez mais distante, o presente que se encontra difícil, o futuro incerto – fui dar uma volta que percebi logo que ia ser rápida. A maioria das empresas presentes no recinto não vinham oferecer emprego. Eram empresas de formação, vendas, acho que vi lá uma instituição bancária, e a mais interessante para mim, a banca da Força Aérea. Mas também estava vazia e eu já desisti desse sonho aos 16 anos… Mesmo em frente, uma rapariga simpática trouxe uns folhetos: ” Conhecem o CEFAD? Temos cursos de massagens…” Espera lá, que isto interessa-me. Nem que fosse por ser o único stand com mais do que duas pessoas a trabalhar, a história da massagens captou-me a atenção. Um homem apontou para uma marquesa na parte de dentro do cubículo: “Querem uma massagem? São só 2 euros.” As minhas costas bem que imploraram, mas estava muito calor e se me deitasse ficava ali o resto do dia. Além disso, eu fui à Feira para ver se ganhava dinheiro, não para gastar.

“Temos vários cursos, desde Quiromassagem a Massagem Desportiva”. A ideia de ser um profissional de massagem nem me desagrada, mas quanto é que custa o curso? Bem, não era demasiado, mas é um investimento que tem que ser calculado para quem não tem rendimentos. Mesmo assim, preenchi um papel para o sorteio de um curso de Quiromassagem feito entre os visitantes do stand. Mesmo para terceiro dia, a caixa onde eram guardados não estava muito cheia.

O resto da feira era apenas umas cadeiras vazias à frente de placards publicitários que apregoavam mensagens de dinamismo, com suportes para folhetos que as desenvolviam. Mas não vi uma única oferta concreta de emprego.

Acabei por sair desmotivado e fui-me sentar na esplanada de um dos cafés que frequentava quando estudava em Coimbra. As pessoas são diferentes, mas continuam a ser estudantes, ou seja, no fundo mudam os actores, mantém-se as personagens. Eu é que já estou demasiado velho para esse casting. Pensei nos meus ex-colegas de curso, nos que não trabalham em Comunicação, provavelmente a maioria, e como eles já se sentaram naquelas mesas, cheios de ideias e sonhos. Sei que para alguns a sorte tem sido madrasta. Para outros tem dado para se safarem. E às vezes isso chega.

feira-de-emprego-1.jpgA minha amiga ainda está à espera do resultado da entrevista. Entretanto, novas oportunidades virão, mas sei que nunca estarão dentro de uma tenda vazia.

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People. Inside the white tent that resembled more and more like a greenhouse, there was practically no one, visiting or working. I have to say it was almost lunch hour, but i couldn’t help the strangeness. I wondered if nobody in Coimbra was looking for a job?

“I’m sorry, but is the Fair closed for lunch or there’s just nobody here?” The answer was quick:”You know, people go in and they immediately find a job”.Kudos for the ready , hearty response, but then i noticed that that stand belonged to the Students Association, and it felt even more strange. “Thursday night is the night when everybody in Coimbra goes out, so this morning almost no one is coming”. OK, i think, but if you’re students what are you doing here then? Did things changed that much since i left college? I decided to face the void inside the tent and investigate what world of work opportunities awaited for me in those empty stands.

Well, two of them had people. At the first on the left side, i found a friend, that works with a professional formation company. Her boyfriend took the same course at the same time as me, and he handed me the thesis he delivered that same week, something related to Hospital Management. She also took Journalism at the same school we did, and there she was, in that gigantic greenhouse, with an annoying background music that came out from the video that presented all the possibilities that a formation course in the company could give. Three graduates, with the combined experience of, at minimum, 7 communication companies, and none of us employed in that line of work. Behind us, an empty fair.

After a conversation that got somewhat depressing – the memories of a farther age, the ever difficult now, the uncertain future- i went for a round that i immediately realized it was going to be quick. Most companies in the precinct weren’t giving jobs away. They were formation, sales companies, i believe i saw a bank there, and the most interesting for my, by far, was the Air Force stand. But that was empty too and i gave up that dream around 16…

Right in front of it, a nice girl brought some pamphlets: “Do you know CEFAD? We have massage courses…” Wait a minute, this looks interesting. Even if it was just because it was the only stand with more than two people working , the massage thing caught my attention. A man pointed at a ottoman at theback of the cubicle: “Do you want a massage? 2 € only.” My back really begged for it, but it was too hot and if i lied in there i’d stay for the rest of the day. Besides, i went to the Fair to see if i could earn some money, not to spend it.

“We have several courses from Chiromassage to Sports Massage”. The idea of becoming a massage professional isn’t unpleasant to me, but how much does it cost? Well, not too much, but it’s an investment that needs to be thought out by someone who doesn’t have an income. Nevertheless, i filled out a raffle paper for a free Chiromassage course , to draw among the stand visitors. For a third day, the box where they kept them wasn’t that full.

The rest of the fair was just some empty chairs in front of publicity panels that sang out dynamic messages, and pamphlet holders that developed them. But i couldn’t see a single concrete employment offer.

I eventually left unmotivated and went to sit at the esplanade of one of the cafés where i used to hang out when i studied in Coimbra. There are different people now, but they’re still students, which is, the actors change but the characters are still the same. I’m just too old for that casting now. I thought about my former schoolmates, in those that don’t work in journalism, probably the most of them, and how they sat at those tables, filled with ideas and dreams. I know life has been hard to some. Others just get by. And sometimes that’s enough.

My friend is still waiting for the interview results. Meanwhile, new opportunities will come, but i know they will never be inside an empty tent.

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1 Response to “A Feira de Emprego|The Job Fair”


  1. 17 de Junho de 2008 às 2:56 am

    Caro Alexandre,nós latinos estamos acotumados a adversidades e cavamos nosso espaço com ferro e força como deve ser do seu conhecimento.Usamos a criatividade,”o jogo de cintura”
    por isso vamos acompanhando as mudanças políticas e sobrevivendo dignamente.
    Bem ,falo isso por que por intermédio da internet me aproximei do vossoa país e acompanho com tristeza o dasalento , a falta de perspecitiva quanto ao futuro dos dignos Portugueses que foram “jogados”nesta Comunidade Européia e entregues ao léu!
    Quanto a F.F(feira fantasma) de Coimbra, entendo que estar vazia se deve a falta do Sonho de Melhoras do povo, que é a pior doença para arruinar uma sociedade.
    Desenterrem os poetas….
    Cantem fados ,sei lá…
    Mas façam este povo voltar a acreditar na vida, principalmente os jovens!!!

    Obrigada!

    Atenciosamente!

    Tânia.


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